Ao colocar o pé no terceiro degrau da escada, saindo da portaria do meu prédio, vi o homem. Estava do outro lado da rua, inerte; parecia ter estado assim havia semanas. No entanto, mal toquei a calçada, fez um gesto. Apanhou uma bengala, largada na mureta da casa em frente, e pôs-se a caminhar. Continue lendo “O homem com a muleta”
Se Rembrandt fosse brasileiro
Sob um céu crepuscular, o menino deitado às margens do Reno vê as pás do moinho refletidas na água. Súbito, é tomado de intensa emoção, pois parece enxergar naquelas pás a cruz de Cristo. As sombras, as cores, cambiam com o avançar dos minutos, e isso agora o atordoa. Continue lendo “Se Rembrandt fosse brasileiro”
Onde ele está com a cabeça?
Concluí recentemente que comprar em feiras-livres é arriscado. Isso de compre um jiló e leve três. E, de quebra, um abacaxi. E se for mercadoria ruim? Em política pode ser ainda pior. Compre um Bolsonaro e leve quatro. E ganhe um Olavo de Carvalho. Continue lendo “Onde ele está com a cabeça?”
Bolsonaro precisa de várias assessorias de imprensa
Bolsonaro tem que entender que só está no comando do navio, não é o dono dele. (Me veio um arrepio, lembrei do Titanic.) E precisa urgentemente melhorar sua comunicação com a Imprensa, o que significa com a população. Não é só falar com a turma pelas redes sociais. Continue lendo “Bolsonaro precisa de várias assessorias de imprensa”
Um choro – e lá se vão R$ 32 milhões
Um certo Chorão causou prejuízo de R$ 32 bilhões à Petrobrás. Não que fosse sua intenção fazê-lo. No ano passado, anunciando-se como motorista particular, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, por Goiás – mas não levou. Hoje, tem como principal prerrogativa ser um dos líderes dos caminhoneiros. Continue lendo “Um choro – e lá se vão R$ 32 milhões”
Vem aí o Lulllapallocci
Um novo espetáculo para embalar fãs empolgados poderá agitar novamente o Autódromo de Interlagos. No mesmo espaço do recém terminado Lollapalooza, surgirá o… Lullapallocci. Isto é, Lulapalocci. Como, se o ex-ministro não poupou o ex-presidente em seus depoimentos à Justiça? Continue lendo “Vem aí o Lulllapallocci”
Matou o expediente e foi ao cinema
Aquele matou a família e foi ao cinema. Este fez pior. Matou o expediente de presidente da República e foi ao cinema! Em plena terça-feira! Deixou na mão os interesses de 210 milhões de brasileiros. Continue lendo “Matou o expediente e foi ao cinema”
Chegou a Brigada de Combate a Incêndios
Já que o porta-voz porta muito pouco a voz de Bolsonaro, e ele continua a falar pelos cotovelos (ou pelo intestino), alguém no Palácio teve uma boa ideia. Por que o presidente não lê as suas falas, escritas por um competente ghost writer? Continue lendo “Chegou a Brigada de Combate a Incêndios”
Quando as imagens vinham em palavras
“Atenção, atenção! Aqui fala o seu Repórter Esso, testemunha ocular da História”. Era 28 de agosto de 1941. O locutor Romeu Fernandes fazia a primeira transmissão do programa da Rádio Nacional do Rio: a aviação alemã havia atacado a Normandia, na França. Continue lendo “Quando as imagens vinham em palavras”
O político no divã
No divã:
Doutor, nunca, em tantos anos na política, imaginei viver uma situação como a que me traz aqui. Já estou no quinto mandato, tive tudo o que o cargo oferece… vou ser sincero, doutor, muito, muito mais do que esperava. Mais do que o senhor e o Ministério Público poderiam imaginar. Continue lendo “O político no divã”
Lendo na chuva. Ou na piscina
O livro de papel, depois a tela do e-book. E, agora, o e-book à prova d´água. Uai, pensei, mesmo não sendo mineiro. Pra que isso? Não sei por que lembrei do Gene Kelly dançando na chuva, com guarda-chuva mas todo molhado. Hoje poderíamos, além de dançar, ler? Continue lendo “Lendo na chuva. Ou na piscina”
O formalismo vai se afrouxando
A deputada catarinense Ana Paula da Silva pode ter confundido posse no cargo com entrega do Oscar. Surgiu no plenário da Câmara, ambiente em que as pessoas se tratam por vossa excelência (quando não estão se xingando), ostentando seus atributos físicos em um grande decote. Continue lendo “O formalismo vai se afrouxando”
O pinguim do Carlão Mesquita
Um artigo da Vera Vaia surgiu na minha mente, quando eu escrevia o texto anterior a este. Impôs-se de tal forma que desisti da minha escrita e dei espaço para o material dela, o que eventuais leitores terão considerado boa troca. Continue lendo “O pinguim do Carlão Mesquita”
Meu primeiro revólver
Na Folha: arma custa R$ 3.000. Mas isto é um assalto! Resolvi esperar pelas promoções. Vai que pinte um Black Friday Arma e Bala, com descontos de 50%. Continue lendo “Meu primeiro revólver”
“Bolsonaro atira e mata”
A manchete do Estadão de domingo, 30 de dezembro, começava no meio da página, exatamente acima da dobra: “Para Temer, Bolsonaro não”. Desdobrando o jornal surgia a segunda linha: “deve desprezar Congresso”. Resolvi fazer uma gaiatice. Introduzi um ponto final na primeira linha. Ficou: “Para Temer, Bolsonaro não.” Continue lendo ““Bolsonaro atira e mata””



