Lula navega contra a maré

Aparentemente, Lula teria pela frente uma missão possível. Afinal, a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não chegou a dois pontos percentuais. Mas a pequena diferença na disputa presidencial esconde um resultado bem mais desfavorável ao governo. A essa pequena diferença soma-se uma derrota expressiva nas eleições para o Congresso e para os governos estaduais. O conjunto do resultado indica um desejo de mudança e um voto de protesto alimentado pela sensação de que a vida não vai bem, da porta de casa para dentro. Continue lendo “Lula navega contra a maré”

Eles não são farinha do mesmo saco

Um curioso mantra se repete em todas as eleições presidenciais. Fala-se muito da importância dos programas de governo, mas eles não passam de meros coadjuvantes, não raro figurantes que mal chegam a dar as caras. Um script que facilita a vida de candidatos sem história ou com passado turvo, e sem propostas. Neste ano, o espaço eleitoral foi ocupado pelos escândalos do Banco Master, pela guerra aberta entre supremos ministros e até pela Santa Padroeira do Brasil. Por óbvio, Flávio Bolsonaro foi o principal beneficiário disso. Continue lendo “Eles não são farinha do mesmo saco”

Lulalá

Vi inteirinha a entrevista de Lula a Igor Coelho no Flow Podcast. Muito bem humorado — sorridente, confiante, racional, afiado —, Lula deu banho. À vontade no estilo do canal, que vai do informal à conversa de botequim, o presidente se sentiu como um peixinho na água.  Continue lendo “Lulalá”

Insegurança jurídica

A família miliciana agradece, penhorada, a decisão do TSE de manter o voto de censura às revelações, não infundadas, sobre um plano para destituir Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil. O TSE não explicou nem identificou o que é ou quem é a tal família miliciana absolvida do suposto crime. O mistério, portanto, continua.  Continue lendo “Insegurança jurídica”

O livro voltou à moda

Um jogador de futebol acaba de transformar Tolstói em fenômeno de vendas no Brasil. Gustavo Scarpa, meio-campista do Atlético Mineiro, publicou no YouTube uma resenha de A Morte de Ivan Ilitch, escrita pelo autor russo no século XIX. O vídeo viralizou e o livro chegou ao primeiro lugar entre os mais vendidos da Amazon. Continue lendo “O livro voltou à moda”

Flávio e a milícia

Em um debate na quarta-feira, 23, Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, pôs o dedo na ferida: “o país corre o risco de colocar a milícia do Rio de Janeiro na Presidência da República”. O alerta provocou reações veementes de apoiadores de Flávio Bolsonaro, mas, curiosamente, não foi contestado pelos advogados da campanha do senador, que costumam litigar por pelo em ovo. Uma forma de evitar o tema na última semana antes do primeiro turno das eleições, visto que as ligações de Flávio com milicianos são incontestáveis. Continue lendo “Flávio e a milícia”

A nova classe média não é mais a mesma

A primeira década do século representou os anos dourados da Classe C, também chamada de Nova Classe Média. Nesse período, ela tornou-se majoritária, reunindo cerca de 50% da população. Mais brasileiros passaram a ter acesso a bens de consumo sofisticados, realizaram o sonho do carro zero, puderam, pela primeira vez, viajar de avião e chegaram ao ensino superior. Continue lendo “A nova classe média não é mais a mesma”

É para comparar

Possivelmente pela perigosa proximidade do adversário nas pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula anunciou reajuste no Bolsa Família a dias da eleição. Os riscos da medida, que além do desgaste de ser incontestavelmente eleitoreira tem chance razoável de não “chegar a tempo” ao eleitor, pode vir a ser compensada se jogar luzes sobre o benefício, marca de impacto de Lula, em vigor há 23 anos. A despeito das críticas, a equipe do presidente-candidato aposta que, assim, traz o debate para o seu campo, desnudando o seu opositor, que nada teria para mostrar, nem mesmo atividade legislativa nos seus mais de sete anos como senador e outros 16 como deputado fluminense. Continue lendo “É para comparar”

O Supremo precisa ser maior que seus ministros

O Supremo Tribunal Federal atravessa uma crise gravíssima. E a tumultuada sessão desta semana mostrou que ela está longe do fim. O embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça contaminou o plenário, expôs divergências entre os ministros e colocou em xeque a capacidade da Corte de administrar seus próprios conflitos. Continue lendo “O Supremo precisa ser maior que seus ministros”

Sigilo pró-Flávio

A quebra parcial de sigilo dos inquéritos sobre o Master quase não trouxe novidades. A maioria das diligências e dos envolvidos já era conhecida em vazamentos, tão corriqueiros que, na prática, inutilizam o segredo de investigações – não raro estabelecido e mantido em benefício dos suspeitos. Flávio Bolsonaro é prova disso. Continue lendo “Sigilo pró-Flávio”

O sufoco de Lula

O empate entre Lula e Flávio Bolsonaro na pesquisa Genial Quaest mostra uma mudança do quadro político, com o favoritismo de Lula cada vez mais ameaçado. A pesquisa BTG/Nexus confirma a alteração do cenário e é a primeira a apontar uma vantagem de Flávio no segundo turno, de um ponto. Continue lendo “O sufoco de Lula”

Togas nas urnas

Ministros do Supremo Tribunal Federal sempre foram personas políticas, mas suas interferências eram mais sutis, pouco ou quase nada percebidas pelo público. Tudo mudou a partir do julgamento do Mensalão, com a inesquecível capa preta do então ministro Joaquim Barbosa, cuja fama ele imaginou, sem sucesso, transformar em votos. O ativismo do STF ganhou tração, tornando-se mais vistoso com a Lava-Jato. E não mais refluiu. Hoje, a Corte Constitucional não só reflete, mas atiça a nefasta polarização política do país. Todas as partes no imbróglio mais recente entre entes supremos sabem disso. Continue lendo “Togas nas urnas”

A eleição da desesperança

A eleição presidencial adentrou na casa dos brasileiros com o início da campanha na televisão, na internet e nas rádios. As sabatinas da TV Globo serviram para apresentar aos brasileiros os presidenciáveis, embora a maioria deles seja figurinha carimbada de outros carnavais. Ou melhor, de outras campanhas. Se entrou nos lares do Brasil, a eleição não encantou. Ao contrário, predomina um clima de apatia, desencanto e exaustão. 

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