Bolsonaro e o bilionário

O glamour da riqueza sempre encanta, e o homem mais rico do mundo, mesmo sem ter lá muito glamour, deixou a plateia quinto-mundista embasbacada. Na visita da sexta-feira, a encenação foi completa: hotel de luxo, gente elegante, elogios exacerbados do presidente Jair Bolsonaro, que titulou Elon Musk como “mito da liberdade”, e promessas do mega-empresário de inundar o céu brasileiro com satélites de sua Starlink. Não há dúvida de que o encontro foi um golaço para a campanha de Bolsonaro, mas não se pode descartar a hipótese de o regabofe com o bilionário ter o efeito contrário no país da inflação e da miséria. Continue lendo “Bolsonaro e o bilionário”

Aponte para cima

Certa vez eu estava andando pelo calçadão da minha cidade quando minha mulher avistou um doido a uns 100 metros de nós. Ela tem um faro apurado para descobrir doidos à distância. O homem seguia ora para frente, ora para trás, de um lado e outro, parando aqui e ali por nada. Ela me puxou pelo braço para nos afastarmos de uma possível trajetória de colisão. Mas não deu outra: quando ele estava a uns 50 metros, vinha direto em nossa direção. A uns 20 metros, ele começou a nos encarar. Continue lendo “Aponte para cima”

Harakiri tucano

É impossível reconhecer no PSDB de hoje o mesmo partido que promoveu a estabilidade da economia e a responsabilidade fiscal, fez uma revolução gerenciada na educação, saneou o sistema financeiro e avançou em áreas sociais estratégicas, como a saúde. Um partido de quadros como José Serra, Paulo Renato Souza, Franco Montoro, Alberto Goldman, Arnaldo Madeira entre tantos outros em São Paulo e no Brasil. Continue lendo “Harakiri tucano”

O Estado de Bolsonaro

Desde 19 de março de 2019, quando mandou o Ibama exonerar José Augusto Morelli, que 7 anos antes o multara por pesca ilegal em Angra dos Reis, o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que governaria só para si e os seus. De lá para cá, o uso escancarado do Estado e os desmandos para proteção pessoal, de sua prole e de alguns agregados do peito só cresceram. Continue lendo “O Estado de Bolsonaro”

Inflação não é café pequeno

Para o atual inquilino do Palácio do Planalto, a inflação que a população está tomando no lombo, de 12,1% no acumulado em 12 meses, não é nada. Os efeitos não são mais que menores, diz, parecendo um lunático recém-chegado ao planeta. Deve ser porque a vida anda muito boa em palácio – seja no do Planalto, seja no da Alvorada. Continue lendo “Inflação não é café pequeno”

Estado de golpe

Jair Bolsonaro está vencendo. Tem tido êxito espetacular no seu esforço para estimular desobediência à Justiça, desacreditar o processo eleitoral, desconstruir as instituições e a democracia. Mais do que um golpe pré-contratado para outubro na hipótese de derrota nas urnas, o presidente estabeleceu o “estado de golpe”, cuja vigência acua os demais poderes, atemorizando os que deveriam pôr um ponto final nessa trama de horror. Continue lendo “Estado de golpe”

O silêncio das ruas

As ruas emudeceram neste 1º de maio. Para um país acostumado a ver manifestações multitudinárias, tanto os atos dos bolsonaristas como os dos petistas foram um rotundo fracasso. Os primeiros estiveram bem distantes da manifestação de setembro do ano passado, quando Bolsonaro mobilizou um mar de gente para sua pregação golpista. No outro espectro, os das centrais e do PT nem de longe lembraram outras jornadas do Dia Internacional dos Trabalhadores. Continue lendo “O silêncio das ruas”

Um tiro no pé

Mais um tiro do capitão que sai pela culatra. O tal indulto, por motivos pessoais e políticos, é um fragrante de inconstitucionalidade que lhe vai render novas ações no STF e outros pedidos de impeachment na Câmara Federal, além dos 150 e tantos que já tem e o servil presidente da Casa está sentado em cima. Continue lendo “Um tiro no pé”

Água na fervura

Nas últimas horas o Supremo Tribunal Federal optou por restabelecer pontes com o Congresso Nacional e o Poder Executivo. A inflexão ajudará a diminuir a temperatura de uma crise institucional com potencial de esgarçar o arcabouço estabelecido pela Constituição de 1988. O Supremo não pode ser parte da crise, até porque é de sua competência a palavra final em matéria constitucional. Não desempenhará seu papel de guardião da Constituição se, em vez de contribuir para a harmonia entre os poderes da República, alimentar o conflito e a discórdia. Continue lendo “Água na fervura”

O ajuste de outubro

A eleição presidencial que se aproxima está cada vez mais parecida com a que aconteceu em 2018, mas agora com sinal trocado. Em vez do antipetismo, vamos ter o antibolsonarismo, com o petismo surfando sobre os fracassos retumbantes do atual governo em encontrar um rumo nas áreas mais sensíveis da vida brasileira. Continue lendo “O ajuste de outubro”

O inadiável acerto com a história

As revelações dos áudios das sessões do Superior Tribunal Militar eliminam qualquer dúvida quanto à utilização da tortura como política de estado durante o regime militar inaugurado em 1964.  Nesse sentido, representam um marco. Já não se trata mais de denúncias feitas por vítimas ou por relatórios como o da Comissão da Verdade e do “Tortura Nunca Mais”, sempre negadas pelas Forças Armadas. Agora sabe-se que generais, almirantes e brigadeiros membros do STM debateram formalmente a prática sistemática da tortura nos porões da repressão. Continue lendo “O inadiável acerto com a história”

Por cima da lei

Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a torrar dinheiro dos impostos dos brasileiros para mais uma motociata, a 13ª em menos de um ano. Indiscutíveis atividades de campanha eleitoral, sem vínculo com qualquer ação de governo que justifique os gastos – segundo a Folha de S.Paulo, os passeios anteriores somaram R$ 5 milhões -, ele continua a fazê-las. Impunemente.

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A riqueza e a pobreza

Semana passada eu estava rico, e feliz com minha riqueza. Esta semana tudo mudou. No começo do ano eu gastava na feira uns R$ 35 por semana. Fiquei fora dois meses e a conta explodiu. Pensei que minha mulher estava aproveitando para dar banquetes para as amigas e voltei cheio de má intenção. Ela me paga, pensei. Aí fui à feira com R$ 30 no bolso, só para provar que dava. Ela do meu lado. A gente estava na segunda barraca e os 30 já tinham ido embora. E ainda faltava comprar as batatas, o alface, o tomate. A minha sacola tinha umas cenouras, um brócolis, umas beterrabas e uma bandejinha de quiabos. A dela ainda estava vazia. Continue lendo “A riqueza e a pobreza”