Falcatruas

Leio, como toda a torcida do Curíntia e do Framengo, que mais um figurão da extrema direita caiu nas malhas da Polícia Federal. Não é um aspone qualquer, mas um senador da República que, na sua parte mais podre, teima em ser republiqueta de bananas, onde tudo se resolve com um tapinha nas costas e uma graninha no bolso. Até que a PF e o Judiciário entram de sola para acabar com a farsa. Continue lendo “Falcatruas”

Tudo pelo eleitoral

A cem dias da eleição de 2022, o Datafolha apontava Lula à frente das intenções de voto com vantagem de 18 pontos e possibilidades reais de vitória ainda no primeiro turno. Diante desse cenário, Jair Bolsonaro recorreu ao peso da caneta presidencial para tentar reverter o quadro por meio da chamada PEC Kamikaze. A jóia da coroa de seu pacote de bondades foi a elevação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. Ampliou ainda o número de beneficiários, praticamente dobrou o valor do auxílio-gás, zerou impostos federais sobre combustíveis, criou benefícios para caminhoneiros e taxistas e estendeu o crédito consignado aos beneficiários do programa. Continue lendo “Tudo pelo eleitoral”

Pitonisa

Minha pitonisa de plantão me disse outra hora no ouvido que a derrubada do veto presidencial ao projeto dito da dosimetria não vai dar em nada. Se o Congresso bolsonarista humilhou Lula e deu gargalhadas, quem vai rir por último é o presidente. 

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Compadres

O mesmo Senado que aprovou Zanin reprova Messias. Eu pensava que biruta de aeroporto só desse em… aeroporto. Os compadres da extrema direita, Alcolumbre à frente, fizeram da sabatina uma palhaçada política de nível ginasiano, coisa de adolescentes hoje na quinta série.  Continue lendo “Compadres”

Jacobismo de toga

O Supremo Tribunal Federal ocupa, em qualquer democracia constitucional, uma posição de equilíbrio delicado: é, ao mesmo tempo, guardião da Constituição e árbitro final de conflitos institucionais. Dessa condição deriva não apenas o seu poder, mas também a sua responsabilidade de autocontenção. Quando a Corte ultrapassa esse limite e passa a agir como protagonista político, o risco não é apenas jurídico; é também institucional, podendo comprometer valores fundantes do Estado de Direito Democrático. É nesse contexto que ganha força a crítica ao que se convencionou chamar de “jacobinismo de toga”. Continue lendo “Jacobismo de toga”

Palanques incertos

O imbróglio da governança do Rio de Janeiro não mexeu com o favoritismo de Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara. De acordo com a Paraná Pesquisas, o ex-prefeito bate em 53% na preferência dos eleitores e pode até ser eleito no primeiro turno. Além de mais uma ducha de água fria no candidato do PL, deputado Douglas Ruas, com 13,2%, a sondagem, divulgada na sexta-feira, aponta a fragilidade de Flávio Bolsonaro em seu próprio Estado. Embora afirme contar com palanques em 20 estados, e apoio do Centrão em 18, há beiradas soltas nos três maiores colégios eleitorais. Continue lendo “Palanques incertos”

O tripé que ameaça a reeleição de Lula

A rodada de pesquisas de abril trouxe um conjunto consistente de sinais de alerta para a reeleição de Lula. O dado mais visível é a vantagem, ainda que estreita, de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. No levantamento Genial/Quaest, o senador aparece numericamente à frente, com dois pontos de diferença. Mais importante do que a fotografia do momento é a tendência: desde dezembro, a curva de Flávio é ascendente, enquanto a de Lula mostra estagnação. Continue lendo “O tripé que ameaça a reeleição de Lula”

Prometem o céu, entregam o inferno

Primeiro pré-candidato a presidente a lançar diretrizes de um programa de governo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) engordou a já conhecida tendência de soluções mágicas para problemas complexos, usual entre políticos à caça de votos. Com um agravante que também não é incomum: promessas de lotes no céu que não serão entregues. Boa parte delas é puro populismo e nem mesmo está na alçada do chefe do Executivo. Continue lendo “Prometem o céu, entregam o inferno”

Obrigado, Hungria

Assim que as urnas confirmaram a vitória do partido oposicionista Tisza, seu líder e próximo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, correu ao Facebook e postou: “Obrigado, Hungria”. O agradecimento não é apenas dele. O resultado eleitoral foi também um sinal político relevante para a Europa e para a Otan. A derrota do “iliberal” Viktor Orbán, eurocético de raiz e ícone da extrema-direita global, representa igualmente um revés para Vladimir Putin, que perde um aliado importante no interior da União Européia. Continue lendo “Obrigado, Hungria”

Promessas

Com certeza a Hungria não conta nada na ordem das coisas, mas a extrema direita estava no poder por lá há 16 anos e prometia mais 16. Orbán era um ícone do extremismo fascista, adulado por Trump, Putin e outros, como o clã miliciano-rachadista que sonha com novo estelionato eleitoral para este ano no Brasil.  Continue lendo “Promessas”

Sem anistia. Sem dosimetria

É cedo para dizer se o veto do presidente Lula ao PL da dosimetria será ou não derrubado pelo Congresso no dia 30, data marcada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP) para apreciação da matéria. O certo é que daqui até lá o perdão a golpistas, debate que emperrou o país no segundo semestre de 2025, volta à cena. Agora, acrescido pela métrica eleitoral. O time de Flávio Bolsonaro está animado – se o veto cair, a pena de 27 anos e 3 meses do ex pode ser reduzida para pouco mais de 2 anos. Mas a maioria dos brasileiros endossa o veto ao PL. A dosimetria é rejeitada por 63,3% da população, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg. Continue lendo “Sem anistia. Sem dosimetria”

As duas faces de Flávio

Havia lógica, e até alguma sofisticação política, na estratégia de Flávio Bolsonaro de se apresentar como a face mais moderada do bolsonarismo. Num país que permanece dividido praticamente ao meio, como reiteram sucessivas pesquisas de opinião, o centro de gravidade da disputa eleitoral deslocou-se para os eleitores independentes. Esse contingente, menos ideológico e mais pragmático, tornou-se o fiel da balança. Não se trata de um público entusiasmado, mas de um eleitorado que decide com base em percepções de estabilidade, previsibilidade e rejeição ao radicalismo. Em 2018, migrou para Bolsonaro; em 2022, para Lula. Agora, observa atentamente os dois principais contendores. Continue lendo “As duas faces de Flávio”

O Brasil falha onde tudo começa

É na infância que se descobrem histórias, personagens e ideias que ampliam o olhar sobre o mundo. Antes mesmo de compreender plenamente a linguagem, a criança intui que ali existe algo maior: uma possibilidade de imaginar, explorar e dar sentido ao que a cerca, muitas vezes por meio das imagens, que inauguram esse encontro com a mesma potência das palavras. A literatura infantil não é apenas uma etapa na formação do leitor. Ela constitui uma base essencial da formação cultural, cognitiva e criativa. Continue lendo “O Brasil falha onde tudo começa”

Bigtechs ganham, democracia perde

No dia 5 de dezembro, quando foi ungido pelo pai, Flávio Bolsonaro fixou o anúncio de sua candidatura no alto de seu perfil no X. De lá para cá, sua campanha está correndo solta nas redes sociais. O presidente Lula não fica para trás. Em público, fala à vontade sobre sua disposição de disputar o quarto mandato, com replique das mensagens. Assim como os demais atos de campanha, a propaganda eleitoral na internet só é oficialmente autorizada a partir de 16 de agosto. Mas os pré-candidatos em todo o país pouco se importam com a lei. Sem fiscalização, fazem lives e impulsionam conteúdos. Uma festa com fartos lucros para os bilionários das bigtechs. Continue lendo “Bigtechs ganham, democracia perde”

O voto passa pelo bolso

Lula e sua equipe queimam a pestana para entender por que o bom desempenho dos indicadores da economia, com inflação sob controle e emprego em alta, não se traduz na aprovação do governo. Tampouco produziu, até aqui, uma situação confortável para a disputa presidencial. Ao contrário, a curva de desaprovação cresce e o favoritismo se estreita, indicando um cenário mais competitivo do que o esperado. Continue lendo “O voto passa pelo bolso”