Biografias

Mario Covas, um gigante da política brasileira, dizia que a biografia era o melhor cartão de visitas de um homem público. Nas disputas eleitorais das quais participou, antes e depois da ditadura militar, convidava o eleitor a comparar o histórico de vida dos candidatos, evidenciando a coerência e o compromisso com a democracia. Acreditava que o cidadão preferia ouvir um não “verdadeiro” a promessas vazias. Tinha ojeriza à mentira. Eram outros tempos e a política de hoje não tem qualquer semelhança com aquela época. Biografias, então, contam-se nos dedos quem pode exibi-las. Continue lendo “Biografias”

Cheiro de recessão no ar

O slogan de Lula, “Brasil, pronto para mais”, está descolado da vida real. Enquanto sua campanha tenta vender otimismo, anunciando um novo ciclo de prosperidade em um eventual quarto mandato, sinais de desaceleração indicam que 2027 pode ser bem menos favorável do que sugere a propaganda eleitoral. Continue lendo “Cheiro de recessão no ar”

O filho do pai e o pai do filho

Investigar indícios de crimes contra a administração pública é obrigação do Estado, independentemente de quem seja o suspeito. Deveria ser assim para qualquer um – excelências eleitas ou nomeadas, autoridades de diferentes escalões, seus parentes e amigos. A regra, portanto, tem de valer para Fábio Luís, primogênito do presidente Lula, e também para o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex. Isso posto, seria conveniente calibrar a balança e esmiuçar com mais apuro os sacos de denúncias e vazamentos, que, em períodos eleitorais, costumam, propositalmente, misturar bugalhos aos alhos. Continue lendo “O filho do pai e o pai do filho”

O direito de ouvir o outro

Poucos anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a jornalista, autora e tradutora alemã Jella Lepman (1891-1970) mobilizou um grupo de pessoas ligadas à literatura infantil em torno de uma idéia: os livros poderiam aproximar povos separados pelo conflito e contribuir para a construção da paz. Dessa iniciativa nasceu, em 1953, o International Board on Books for Young People (IBBY). Continue lendo “O direito de ouvir o outro”

Com que roupa Lula vai às urnas?

Lula retirou do fundo do baú a fantasia do antissistema, que estava mofando desde que chegou ao poder, em 2002. A viagem no tempo está escancarada no programa de sua candidatura, registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Diz o documento, logo nas suas primeiras páginas: “Somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência”. Continue lendo “Com que roupa Lula vai às urnas?”

Campanha não começa hoje

Atenção, senhoras e senhores: começa hoje a campanha eleitoral de 2026. É o que diz a legislação, como se o distinto público não estivesse, há meses, exposto a todo tipo de propaganda dos candidatos. Faz-se de conta que até agora ninguém viu ou ouviu as falas do presidente Lula nas inaugurações transformadas em comícios, as lives quase diárias de Flávio Bolsonaro e de Renan Santos, do Missão. Ou os debates televisivos ao vivo de candidatos aos governos estaduais. Continue lendo “Campanha não começa hoje”

Bananão

Sabíamos criar fatos políticos quando eu e milhares de outros militávamos no movimento estudantil, lá se vão 60 anos. Mas nunca nos ocorreu mandar correspondência falsa de filiação em partido político, seja para comprometer um adversário, e muito menos para sabotar nossa própria candidatura. Éramos puros, e não éramos loucos.  Continue lendo “Bananão”

O orteguismo matou a Revolução Sandinista

O anúncio de Daniel Ortega de que a Nicarágua não voltará a realizar eleições representa a certidão de óbito da Revolução Sandinista. A sentença de morte foi proclamada justamente quando a revolução completa 47 anos da vitória que derrubou a dinastia Somoza. O movimento que nasceu prometendo democracia e justiça social encerra sua trajetória abolindo o direito que lhe conferiu legitimidade: o voto. Continue lendo “O orteguismo matou a Revolução Sandinista”

Elas decidem a eleição

Mulheres. Maior contingente do eleitorado – 52,8% -, são elas que decidem a eleição. Excelente para o presidente Lula, que deve a elas a melhoria dos índices de aprovação de seu governo, e péssimo para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rejeitado por 54% delas de acordo com a última rodada da Genial/Quaest. Um cenário que dificilmente será revertido. Continue lendo “Elas decidem a eleição”

Olhe para o mapa

No momento em que Javier Milei volta a tensionar as relações entre Brasil e Argentina, convém recordar um episódio frequentemente atribuído ao general João Figueiredo. Durante a Guerra das Malvinas, ao ser questionado por um diplomata americano sobre a razão de o Brasil demonstrar maior compreensão em relação à posição argentina, o então presidente teria caminhado até um mapa da América do Sul e respondido: “Olhe para o mapa. Veja com quem o Brasil tem mais de mil quilômetros de fronteira. A Inglaterra fica do outro lado do oceano; a Argentina continuará aqui amanhã, no ano que vem e daqui a cem anos.” Continue lendo “Olhe para o mapa”

O Brasil e o mundo rejeitam Trump

Donald Trump é o ocupante da Casa Branca menos confiável na História. Tem avaliação negativa de 76% dos 42 mil entrevistados em 36 países pelo Pew Research Center, instituição independente norte-americana, referência global em dados demográficos e tendências de políticas públicas/sociais. No Brasil, a aprovação das práticas trumpistas é baixíssima, com 81% rejeitando as tarifas (não só contra o Brasil), 76% contrários à guerra no Irã e só 33% apoiando a captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Números impactantes que tiveram pouca repercussão por aqui, mesmo com Trump sendo um dos principais eixos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Continue lendo “O Brasil e o mundo rejeitam Trump”

A Copa merece escolas abertas

O Brasil tem bons motivos para celebrar a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027. Será a primeira edição do torneio disputada na América do Sul, reunirá 32 seleções e colocará o país no centro de um movimento de valorização do futebol praticado por mulheres. O evento ocorrerá de 24 de junho a 25 de julho, em oito cidades brasileiras. Continue lendo “A Copa merece escolas abertas”

Carnificina

É chocante e preocupante que, depois de tantos escândalos e falcatruas protagonizados por si e sua famiglia, um inexpressivo e insosso ladrão de galinhas — no dizer de Ciro Gomes que a própria madrasta reprisou —, filho mais velho do ora presidiário ex-presidente da República — golpista, ladrão de jóias, falsificador de carteira de vacinação, peculatário, misógino e genocida —, tenha um terço das intenções de voto do eleitorado brasileiro no primeiro turno e chegue perto da metade no segundo.  Continue lendo “Carnificina”

Pés de barro

Micheque estava com medo. 

 Não sabia se podia levar uma saraivada de ovos “amigos” na rua ou coisa pior. Provou o veneno que a gangue que escolheu para também chamar de sua expele contra desafetos ou quem simplesmente a desafia.  Continue lendo “Pés de barro”

O jogo que interessa ao Brasil

A narrativa política sobre o tarifaço de Donald Trump não pode estar acima dos interesses nacionais. Só será possível preservá-los se houver uma leitura realista tanto da correlação de forças entre o Brasil e os Estados Unidos quanto do significado dos movimentos do presidente americano, que acaba de também tributar o Canadá com uma tarifa de 50% sobre parte de suas exportações. Continue lendo “O jogo que interessa ao Brasil”