Ora, um rosto jovem onde só havia profissionais tarimbados? O lugar era a Sala de Imprensa da Central de Polícia, no centro da cidade, em São Paulo. Boa escola para quem ingressara havia pouco no jornalismo. E assim que o recém-chegado começou a botar as asinhas de fora, como se dizia, redigindo textos mais longos, os colegas se espantaram. Continue lendo “Aconteceu na sala de imprensa”
O frio… sem cuidado vira uma fria
R. de reportagem
Naqueles velhos tempos, tudo era singelo no exercício do jornalismo. Máquina de escrever, laudas de papel… O que fez, por exemplo, este enviado especial da Folha de S. Paulo a Corumbá, para cobrir o confinamento do ex-presidente Jânio Quadros, em 1968? Ora, no quarto de hotel datilografei meu texto. Depois liguei de um telefone da portaria o número da assim chamada “cabine”, no jornal. Continue lendo “R. de reportagem”
Um texto, que bom! Ou não…
Aqui temos três gloriosos lugares-comuns. Ou, como diziam uns e outros, nos antigamentes, três óbvios ululantes. Entrementes (olha a velharia…), diante de reações hostis a essas realidades bem poderíamos responder com um vá às favas! Continue lendo “Um texto, que bom! Ou não…”
Fatos da vida
Ah, as definições…
Quebrou a cara. Antes era o sujeito que tentava um negócio mas nada conseguia. Hoje, é o que anda pela rua com a cara enfiada no celular e não vê o poste.
Trama familiar
Não sei por que cargas d’água fui envolvido por insidiosa trama familiar. O alvo era um acessório de uso profissional que me era caro. A peça, é verdade, tinha lá um tempinho de uso, hã… duas décadas. Tratava-se de uma bolsa de lona verde, com duas divisões, e, costurados fora, dois bolsos. Como as que se vendem em lojas de artigos para caça e pesca. Continue lendo “Trama familiar”
Bossa nova e outras bossas
Ora, recentemente lembrei dos bons momentos da juventude. Estou falando de música… Foi quando pedi licença para Glenn Miller, e seu “Moonlight Serenade”, Ella Fitzgerald e outros prediletos, para me entregar ao samba.
Definições de trânsito
Faixa de pedestre – Bandagem aplicada nos prontos-socorros às fraturas dos pedestres que atravessaram a rua descansados, pela faixa de segurança, achando que ela é mesmo segura.
Era uma vez… E que vez!
Silvinha acorda, abre os olhos, fala – tudo ao mesmo tempo:
“Nossa… o laptop!” Pula da cama, escova dentes, troca a roupa, engole um Toddy, abre a porta da rua. A mãe: “Onde você pensa que vai?” “Encontrar com a Soninha, está com o meu laptop.” A mãe, cruzando os braços. “Você quer dizer, o laptop do seu pai.” “Sim, o nosso laptop.” Continue lendo “Era uma vez… E que vez!”
Um trem corta a noite
Érico tinha nas mãos uma pasta; na outra, um terno pendurado em um cabide. Entrou na Estação da Luz e olhou para a plataforma de embarque. Era cedo. O Santa Cruz não havia encostado. Só às onze e vinte da noite, pontualmente, o noturno partiria para o Rio de Janeiro, por trilhos que cortariam cidades adormecidas.
Zeladoria Gramatical em ação
O grito da sirene morre em uma freada brusca. A equipe desce do carro e invade o restaurante, com a autoridade da fiscalização. “Aqui está tudo correto, casa limpa, alimentos frescos, higiene absoluta” – defende-se o proprietário. “Sim”, diz o fiscal. “Mas o senhor está preso e vai direto para uma cela”.
Filosofia de botequim
Era um sujeito tão otimista, que comemorava o dia primeiro de ano… e todos os trezentos e sessenta e quatro seguintes.
Tempestade
Alarmada com um som de tempestade, Gláucia abre a janela da sala de casa, que dá para uma praça, e se choca com o que vê. Uma mulher, com uma criança, busca abrigo sob uma árvore, que não as protege de nada. Gláucia abre a porta da sala e começa a chamar por elas, mas à toa. Não conseguem ouvi-la. Corre para a cozinha, pega duas tampas de panela, volta à porta e bate uma na outra com toda força. O som atraí a mamãe. Ela vê a porta aberta, com a mulher que a chama. Pega a menina pela mão, e corre. Na porta da sala, vacila. “Vamos molhar tudo”. E é puxada para dentro.
Pirou!
Como sabemos, contramão é ir na direção contrária ao que vem à nossa frente. Mas… quem conhece a força de uma saudade? Retirem os mais jovens da sala. O idoso tem a declarar uma revolução. Está farto do laptop, de tantos recursos, corpos de letra, layouts… Continue lendo “Pirou!”
A rebelião dos jovens
Um ônibus atravessou sem pressa o fim de tarde que acometia um pequeno bairro de periferia, chamado Felicidade. Em frente à doceria, freou. Porta aberta, cuspiu um jovem agitado. Rosto afogueado. Da banqueta da doceria Beth viu o jeito do namorado e assustou-se. “Nossa…”

