Aqui temos três gloriosos lugares-comuns. Ou, como diziam uns e outros, nos antigamentes, três óbvios ululantes. Entrementes (olha a velharia…), diante de reações hostis a essas realidades bem poderíamos responder com um vá às favas! Continue lendo “Um texto, que bom! Ou não…”
Fatos da vida
Ah, as definições…
Quebrou a cara. Antes era o sujeito que tentava um negócio mas nada conseguia. Hoje, é o que anda pela rua com a cara enfiada no celular e não vê o poste.
Trama familiar
Não sei por que cargas d’água fui envolvido por insidiosa trama familiar. O alvo era um acessório de uso profissional que me era caro. A peça, é verdade, tinha lá um tempinho de uso, hã… duas décadas. Tratava-se de uma bolsa de lona verde, com duas divisões, e, costurados fora, dois bolsos. Como as que se vendem em lojas de artigos para caça e pesca. Continue lendo “Trama familiar”
Bossa nova e outras bossas
Ora, recentemente lembrei dos bons momentos da juventude. Estou falando de música… Foi quando pedi licença para Glenn Miller, e seu “Moonlight Serenade”, Ella Fitzgerald e outros prediletos, para me entregar ao samba.
Definições de trânsito
Faixa de pedestre – Bandagem aplicada nos prontos-socorros às fraturas dos pedestres que atravessaram a rua descansados, pela faixa de segurança, achando que ela é mesmo segura.
Era uma vez… E que vez!
Silvinha acorda, abre os olhos, fala – tudo ao mesmo tempo:
“Nossa… o laptop!” Pula da cama, escova dentes, troca a roupa, engole um Toddy, abre a porta da rua. A mãe: “Onde você pensa que vai?” “Encontrar com a Soninha, está com o meu laptop.” A mãe, cruzando os braços. “Você quer dizer, o laptop do seu pai.” “Sim, o nosso laptop.” Continue lendo “Era uma vez… E que vez!”
Um trem corta a noite
Érico tinha nas mãos uma pasta; na outra, um terno pendurado em um cabide. Entrou na Estação da Luz e olhou para a plataforma de embarque. Era cedo. O Santa Cruz não havia encostado. Só às onze e vinte da noite, pontualmente, o noturno partiria para o Rio de Janeiro, por trilhos que cortariam cidades adormecidas.
Zeladoria Gramatical em ação
O grito da sirene morre em uma freada brusca. A equipe desce do carro e invade o restaurante, com a autoridade da fiscalização. “Aqui está tudo correto, casa limpa, alimentos frescos, higiene absoluta” – defende-se o proprietário. “Sim”, diz o fiscal. “Mas o senhor está preso e vai direto para uma cela”.
Filosofia de botequim
Era um sujeito tão otimista, que comemorava o dia primeiro de ano… e todos os trezentos e sessenta e quatro seguintes.
Tempestade
Alarmada com um som de tempestade, Gláucia abre a janela da sala de casa, que dá para uma praça, e se choca com o que vê. Uma mulher, com uma criança, busca abrigo sob uma árvore, que não as protege de nada. Gláucia abre a porta da sala e começa a chamar por elas, mas à toa. Não conseguem ouvi-la. Corre para a cozinha, pega duas tampas de panela, volta à porta e bate uma na outra com toda força. O som atraí a mamãe. Ela vê a porta aberta, com a mulher que a chama. Pega a menina pela mão, e corre. Na porta da sala, vacila. “Vamos molhar tudo”. E é puxada para dentro.
Pirou!
Como sabemos, contramão é ir na direção contrária ao que vem à nossa frente. Mas… quem conhece a força de uma saudade? Retirem os mais jovens da sala. O idoso tem a declarar uma revolução. Está farto do laptop, de tantos recursos, corpos de letra, layouts… Continue lendo “Pirou!”
A rebelião dos jovens
Um ônibus atravessou sem pressa o fim de tarde que acometia um pequeno bairro de periferia, chamado Felicidade. Em frente à doceria, freou. Porta aberta, cuspiu um jovem agitado. Rosto afogueado. Da banqueta da doceria Beth viu o jeito do namorado e assustou-se. “Nossa…”
Cuidado! Estão te vigiando
Era um detetive frio, mas tinha um defeito. Não era calculista. Na verdade, tinha dois defeitos. Não era um detetive. Ou melhor, era um detetive de classificado de jornal, descredenciado e não regulamentado. Tinha uma vantagem: um corpo esguio – alto, ombros largos -, que compunha bem a figura de um detetive de cinema. Bastava enfiar a gabardina e baixar a aba do chapéu sobre os olhos. Continue lendo “Cuidado! Estão te vigiando”
A arte de mandar texto de fins de mundo
Nos dias de hoje, o noticiário vai rolando como o globo, flanando como folha, em muito bom estado. Tudo fácil, digitado no laptop. Na época em que havia notícias populares, batidas em folhas de papel, na máquina de escrever, é que era difícil. Continue lendo “A arte de mandar texto de fins de mundo”
Ao toque de um dedo
Parece que foi ontem… Estávamos na rua, e precisávamos telefonar. Onde? Ah, aí está uma padaria… “Dá licença de usar o telefone?” Em 1972 surge a novidade salvadora, o orelhão. Tinha fila até chegar a vez da gente? Tinha. Mas tudo muto bem!

