Sigilo pró-Flávio

A quebra parcial de sigilo dos inquéritos sobre o Master quase não trouxe novidades. A maioria das diligências e dos envolvidos já era conhecida em vazamentos, tão corriqueiros que, na prática, inutilizam o segredo de investigações – não raro estabelecido e mantido em benefício dos suspeitos. Flávio Bolsonaro é prova disso. Continue lendo “Sigilo pró-Flávio”

Togas nas urnas

Ministros do Supremo Tribunal Federal sempre foram personas políticas, mas suas interferências eram mais sutis, pouco ou quase nada percebidas pelo público. Tudo mudou a partir do julgamento do Mensalão, com a inesquecível capa preta do então ministro Joaquim Barbosa, cuja fama ele imaginou, sem sucesso, transformar em votos. O ativismo do STF ganhou tração, tornando-se mais vistoso com a Lava-Jato. E não mais refluiu. Hoje, a Corte Constitucional não só reflete, mas atiça a nefasta polarização política do país. Todas as partes no imbróglio mais recente entre entes supremos sabem disso. Continue lendo “Togas nas urnas”

Biografias

Mario Covas, um gigante da política brasileira, dizia que a biografia era o melhor cartão de visitas de um homem público. Nas disputas eleitorais das quais participou, antes e depois da ditadura militar, convidava o eleitor a comparar o histórico de vida dos candidatos, evidenciando a coerência e o compromisso com a democracia. Acreditava que o cidadão preferia ouvir um não “verdadeiro” a promessas vazias. Tinha ojeriza à mentira. Eram outros tempos e a política de hoje não tem qualquer semelhança com aquela época. Biografias, então, contam-se nos dedos quem pode exibi-las. Continue lendo “Biografias”

O filho do pai e o pai do filho

Investigar indícios de crimes contra a administração pública é obrigação do Estado, independentemente de quem seja o suspeito. Deveria ser assim para qualquer um – excelências eleitas ou nomeadas, autoridades de diferentes escalões, seus parentes e amigos. A regra, portanto, tem de valer para Fábio Luís, primogênito do presidente Lula, e também para o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex. Isso posto, seria conveniente calibrar a balança e esmiuçar com mais apuro os sacos de denúncias e vazamentos, que, em períodos eleitorais, costumam, propositalmente, misturar bugalhos aos alhos. Continue lendo “O filho do pai e o pai do filho”

Campanha não começa hoje

Atenção, senhoras e senhores: começa hoje a campanha eleitoral de 2026. É o que diz a legislação, como se o distinto público não estivesse, há meses, exposto a todo tipo de propaganda dos candidatos. Faz-se de conta que até agora ninguém viu ou ouviu as falas do presidente Lula nas inaugurações transformadas em comícios, as lives quase diárias de Flávio Bolsonaro e de Renan Santos, do Missão. Ou os debates televisivos ao vivo de candidatos aos governos estaduais. Continue lendo “Campanha não começa hoje”

Elas decidem a eleição

Mulheres. Maior contingente do eleitorado – 52,8% -, são elas que decidem a eleição. Excelente para o presidente Lula, que deve a elas a melhoria dos índices de aprovação de seu governo, e péssimo para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rejeitado por 54% delas de acordo com a última rodada da Genial/Quaest. Um cenário que dificilmente será revertido. Continue lendo “Elas decidem a eleição”

O Brasil e o mundo rejeitam Trump

Donald Trump é o ocupante da Casa Branca menos confiável na História. Tem avaliação negativa de 76% dos 42 mil entrevistados em 36 países pelo Pew Research Center, instituição independente norte-americana, referência global em dados demográficos e tendências de políticas públicas/sociais. No Brasil, a aprovação das práticas trumpistas é baixíssima, com 81% rejeitando as tarifas (não só contra o Brasil), 76% contrários à guerra no Irã e só 33% apoiando a captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Números impactantes que tiveram pouca repercussão por aqui, mesmo com Trump sendo um dos principais eixos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Continue lendo “O Brasil e o mundo rejeitam Trump”

Trump quer o Brasil

Donald Trump quer, sim, as terras raras do Brasil. Quer regalias para as suas bigtechs e seu etanol, quer o fim do Pix, cujo pecado é ser gratuito. Mas a nova taxação de 25% a produtos brasileiros não se limita a quereres pontuais. Trump quer o Brasil. Quer porque quer esta terra rebelde que não se curvou à sua “química”, insistindo em impedir que ele se torne dono das Américas, plano que imaginava próximo. Continue lendo “Trump quer o Brasil”

E agora, Valdemar?

Valdemar Costa Neto, dono do PL, tinha metas auspiciosas para 2026: disputar a eleição presidencial com o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), chapa que considerava imbatível, e eleger uma bancada recorde de 120 deputados federais e 30 senadores. O roteiro começou a ruir a partir da opção dinástica do chefe do clã pelo primogênito. Teve de engolir a candidatura de Flávio, ficando sem um puxador de votos no Rio de Janeiro. Já não tinha concorrente de peso ao Senado em São Paulo desde que o deputado cassado Eduardo preferiu o Tio Sam ao Brasil, com custo para lá de nocivo para a legenda. Não bastasse, perdeu Michelle, sua maior aposta, que pode até se eleger, mas deixou de ser cria sua. Continue lendo “E agora, Valdemar?”

Flávio só marca gol contra

Principal adversário de si, Flávio Bolsonaro não para de aprontar. Só tem marcado gol contra – e apanha forte dos seus. De sua madrasta Michelle, de seus aliados e, mais frequentemente, de seus próprios atos, não raro desastrosos. Um rol sem fim que inclui desde as mentiras ditas antes de ser flagrado em bate-papos com Daniel Vorcaro sobre a quitação de parcelas dos R$ 134 milhões supostamente para custear o filme sobre o papai Jair às cartas remetidas ao governo dos Estados Unidos. E muito mais. Um dia após outro crava saraivadas de tiros nos pés.  Continue lendo “Flávio só marca gol contra”

Vorcaro volta a assombrar Flávio

As desavenças familiares no clã Bolsonaro, agudizadas pelo vídeo avassalador de Michelle expondo a série de destratos do primogênito do ex a ela, são duríssimas para a campanha de Flávio, mas tidas, politicamente, como contornáveis. O fantasma que promete voltar a assombrar o senador nesta semana é outro: Daniel Vorcaro. Continue lendo “Vorcaro volta a assombrar Flávio”

A arma de Bolsonaro

Nenhum país admite que um condenado tenha uma arma em sua cela. Muito menos equipe de segurança pessoal paga pelo Estado. Mas por aqui, terra habituada a normalizar absurdos, o ex Jair Bolsonaro não só tinha uma pistola 9mm no ambiente prisional como destacou um sargento do Exército para mandar consertá-la – sabe-se lá para que. Tudo no caso da arma flagrada com o segurança do ex é inverossímil e só ganha materialidade por envolver os Bolsonaro, protagonistas reincidentes de histórias surreais. Continue lendo “A arma de Bolsonaro”

Tem caroço nesse angu

Daniel Vorcaro é mesmo um fenômeno. Tudo nele e no seu entorno é inusual. Sua fortuna espetacular construída em tempo recorde, a intrincada manipulação de fundos de mentirinha, sua poderosa rede de influência comprada por fartura de dólares, mimos e luxos. Não seria diferente com as investigações dos seus delitos, tampouco com a sua delação. E as duas frentes parecem estar, propositadamente, emperradas. Continue lendo “Tem caroço nesse angu”

Grande dia?

Em julho do ano passado, o deputado autoexilado Eduardo Bolsonaro aplaudiu o tarifaço de 50% contra o Brasil. Considerou “legítima” a ação de Donald Trump a que o parlamentar, cassado meses depois, chamou de “tarifa Moraes”. No Brasil, seu irmão Flávio vacilou entre críticas e apoio. Defendeu que as sanções de Trump em favor de seu pai deveriam ser “individuais”. Em seguida, se arrependeu e apagou o dito. A ordem era arrotar vitória e consolidar a ideia de que os Bolsonaro tinham influência sobre Trump. Quase um ano depois, o senador, pré-candidato à Presidência, saúda como “grande dia” a ação do governo Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O que pode se configurar como mais uma vitória de pirro. Continue lendo “Grande dia?”

Morro abaixo

Algo está pra lá de torto em um país que afrouxa a cobrança de multas dos partidos políticos e dos candidatos, autorizando recursos dos fundos partidário e eleitoral para condenados. Que autoriza o uso de robôs na comunicação online dos postulantes a cargos públicos, inviabilizando qualquer tipo de controle; que libera doações até de cestas básicas nas vésperas das eleições e ainda suspende a proibição de repasses de recursos para cidades inadimplentes. Tudo isso em uma única semana. Embora a natural falta de escrúpulos de boa parte dos políticos não surpreenda, ela escancara a profunda erosão moral em que o Brasil se encontra. Continue lendo “Morro abaixo”