Se minha situação fosse de preso na penitenciária, teria uma pequena vantagem. A leitura de livros abate tempo de pena. Livros, tenho. Mas o tempo de reclusão está nas mãos de nossas autoridades da área de saúde. Bem, espicho o olho para os mirrados salvados da mudança de minha casa para um apartamento. Continue lendo “Anotações de um confinado, volume 2”
Lila Covas
Sobre a mesa de Dona Lila Covas havia algumas barrinhas de chocolate, quando ela me recebeu, no Palácio dos Bandeirantes. “São para minhas netas”, disse. Começamos a conversar sobre netas, porque contei que tinha duas. Logo ela pegou duas barrinhas e mandou para elas. A conversa, digo, entrevista, seguiu descontraída. Continue lendo “Lila Covas”
Anotações de um confinado, volume 1.
Aqui, dentro do meu quarto, estou protegido. O vírus me espreita lá fora, na rua. É um quarto pequeno, para solteiro. Nele estão um armário de roupas, a cama. Ao lado do armário, um bureau, que ganhei do meu pai quando tinha quatorze anos. Abre a parte de cima, para a gente poder escrever (na debaixo estão meus livros prediletos). Continue lendo “Anotações de um confinado, volume 1.”
Tanta história, só no Ponto Chic
Abril de 1969.
Um palhaço triste, como em um quadro. A mesa de um bar, um copo, lá fora a chuva. No Ponto Chic, um bar antigo do Largo do Paissandu, Antonio Francisco da Costa pensa em seu circo, que pegou fogo sexta-feira. Ele não está maquilado, nem com suas roupas folgadas e coloridas. Se estivesse, seria Rebiam, o alegre palhaço do Circo e Teatro Jóia, do Parque São Domingos. Mas ele está triste. Porque, além de palhaço, é o dono do circo. Continue lendo “Tanta história, só no Ponto Chic”
O furo da telefonista do jornal
Duas horas da madrugada. Os jornalistas que cobrem a guerra da Nicarágua vêem a porta de um salão se abrir, no Hotel Intercontinental, em Manágua, e já imaginam o que está para acontecer. Políticos que terminavam uma reunião anunciam que um deles é o novo presidente da República. O que interessava: Anastasio Somoza havia deixado o poder, depois de 42 anos de ditadura. Continue lendo “O furo da telefonista do jornal”
Só vai quem ainda não morreu
Morávamos quase na esquina de uma agradável avenida de Guarulhos, que corre ao lado do bosque municipal. Trânsito moderado, uma grande paz. Caminhava-se pela calçada, ao lado do bosque, ouvindo o trinar dos pássaros. A idade nos tirou de lá (casa tem escada), e colocou em um apartamento. Ainda bem! Continue lendo “Só vai quem ainda não morreu”
O cara não passeia – viaja a trabalho!
Soube de fonte fidedigna (Mary Zaidan, a mulher dele) que Sérgio Vaz anda sem vontade de viajar. Estranhei… quem não gosta de sair um pouco de casa e desfrutar as delícias de novos ares em plagas (perdão) distantes? Em dado momento percebi tudo. O que acontece com Sérgio Vaz é que ele não é um turista, um viajante, um itinerante – ele é um enviado especial. Vai a trabalho. Continue lendo “O cara não passeia – viaja a trabalho!”
Tempos modernos demais
Fui a um encontro de amigos, em um restaurante, e minha foto saiu na internet! Imagine se eu estivesse na lista vermelha da Interpol. “Tempos modernos”, disse meu filho Paulo. Pois eu preferia os do Charlie Chaplin! Continue lendo “Tempos modernos demais”
O Brasil aos olhos do repórter
Meus filhos resolveram que o pai deles vai ter reportagens suas publicadas em um e-book. Equipe de edição: Mônica, editora; Danilo, diagramador (é designer gráfico); e Paulo, apoio na preparação dos textos. Há apenas um detalhe. Mônica quer a notícia por trás da notícia. Como fiz para levantar os dados, o trabalho de campo… Muito interessante. Continue lendo “O Brasil aos olhos do repórter”
A escola de samba do capitão
Como quem pode, pode, ele tem todo direito de decidir criar uma escola de samba para desfilar na avenida. O carro principal teria a forma de um palanque, com um microfone que ele empunharia durante o desfile, não para cantar (embora, na empolgação pudesse fazê-lo), mas para falar. Continue lendo “A escola de samba do capitão”
E se não houvesse jornalista para ouvir o capitão?
Bolsonaro passa os olhos pelo clipping com notícias de jornais e encontra uma que o desagrada especialmente. “Esses jornalistas são uns ***”, xinga, enquanto dá um soco na mesa. Aquilo fica entalado na garganta, tem que despejar o quanto antes nos jornalistas que o esperam à saída do Palácio.
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A deliciosa tradição do capeletti
Nos meus treze, catorze anos, comprei madeira e construí um cavalete, com séria intenção de fazer desenhos a carvão. O cavalete sustentava uma prancha de uns setenta por sessenta centímetros, que recebia a folha de papel. Desenhos, mesmo, fiz poucos. Mas minha mãe, Elza, gostou muito da prancha. Continue lendo “A deliciosa tradição do capeletti”
Dos tempos de foca
Um textinho ameno, para vésperas de Natal. O personagem é este que vos escreve, em seus dias de foca da Folha. Continue lendo “Dos tempos de foca”
A Terra é plana
A pizza chegada pelo delivery, posta à minha frente, me trouxe uma lembrança de tirar o apetite. Um bando de camaradas que recebesse a mesma encomenda se alegraria por ter à mesa um alimento com o formato da Terra! Sim, os terraplanistas acham que redonda é bola de futebol. A Terra é plana como… uma pizza. Continue lendo “A Terra é plana”
Idéias brotam
Alucinação em uma noite abafada, a partir de um sofá. Happy hour tardia. Quantos e-books nos são oferecidos pelo celular, dia a dia, mês a mês? Se fosse água, inundaria a sala, o apartamento… o prédio. Continue lendo “Idéias brotam”



