Aponte para cima

Certa vez eu estava andando pelo calçadão da minha cidade quando minha mulher avistou um doido a uns 100 metros de nós. Ela tem um faro apurado para descobrir doidos à distância. O homem seguia ora para frente, ora para trás, de um lado e outro, parando aqui e ali por nada. Ela me puxou pelo braço para nos afastarmos de uma possível trajetória de colisão. Mas não deu outra: quando ele estava a uns 50 metros, vinha direto em nossa direção. A uns 20 metros, ele começou a nos encarar. Continue lendo “Aponte para cima”

Inflação não é café pequeno

Para o atual inquilino do Palácio do Planalto, a inflação que a população está tomando no lombo, de 12,1% no acumulado em 12 meses, não é nada. Os efeitos não são mais que menores, diz, parecendo um lunático recém-chegado ao planeta. Deve ser porque a vida anda muito boa em palácio – seja no do Planalto, seja no da Alvorada. Continue lendo “Inflação não é café pequeno”

Peixe podre

A inflação está alta porque morreram somente 670 mil pessoas de Covid. Se morressem mais brasileiros e brasileiras não teríamos nem inflação nem a economia estagnada. Chocante? Quem me permite fazer essa conclusão tem ao redor de 30% das preferências do eleitorado para a eleição presidencial de outubro – e este volume de crentes é ainda mais chocante. Continue lendo “Peixe podre”

Um tiro no pé

Mais um tiro do capitão que sai pela culatra. O tal indulto, por motivos pessoais e políticos, é um fragrante de inconstitucionalidade que lhe vai render novas ações no STF e outros pedidos de impeachment na Câmara Federal, além dos 150 e tantos que já tem e o servil presidente da Casa está sentado em cima. Continue lendo “Um tiro no pé”

O ajuste de outubro

A eleição presidencial que se aproxima está cada vez mais parecida com a que aconteceu em 2018, mas agora com sinal trocado. Em vez do antipetismo, vamos ter o antibolsonarismo, com o petismo surfando sobre os fracassos retumbantes do atual governo em encontrar um rumo nas áreas mais sensíveis da vida brasileira. Continue lendo “O ajuste de outubro”

A riqueza e a pobreza

Semana passada eu estava rico, e feliz com minha riqueza. Esta semana tudo mudou. No começo do ano eu gastava na feira uns R$ 35 por semana. Fiquei fora dois meses e a conta explodiu. Pensei que minha mulher estava aproveitando para dar banquetes para as amigas e voltei cheio de má intenção. Ela me paga, pensei. Aí fui à feira com R$ 30 no bolso, só para provar que dava. Ela do meu lado. A gente estava na segunda barraca e os 30 já tinham ido embora. E ainda faltava comprar as batatas, o alface, o tomate. A minha sacola tinha umas cenouras, um brócolis, umas beterrabas e uma bandejinha de quiabos. A dela ainda estava vazia. Continue lendo “A riqueza e a pobreza”

Estou rico

Sim, estou rico. Tenho quatro cenouras no gavetão da minha geladeira. E tem mais. Uma berinjela e uma bandejinha de quiabos. Beleza, né? Mas já fui mais rico. Até ontem havia uma batata doce e até anteontem duas beterrabas. Comi-as ontem e anteontem. E até o fim da semana vou ficar um pouco menos rico, pois hoje programei para o almoço uma cenoura ralada e amanhã vai embora a metade dos quiabos. Continue lendo “Estou rico”

Os camarões e as eleições

O presidente da República engoliu nas férias um camarão sem mastigar e teve o intestino entupido. Eu e um cirurgião gastroenterologista muito meu amigo ficamos admirados, ele mais do que eu, com a explicação do cirurgião oficial do paciente. Como é que pode um camarão pistola passar inteiro pela goela do indigitado, atravessar incólume seu estômago e aninhar-se entre uma volta e outra do intestino, não se sabe se na parte de cima ou já lá embaixo? Não há registro nos anais (ops) da medicina de um caso tão extraordinário. Continue lendo “Os camarões e as eleições”

A Vida x A Morte

Parece que agora a coisa ficou assim, neste alvorecer de 2022: quem é tarado por vacina e pela vida vota em outubro a favor da democracia, quem é tarado pela morte e antivacina vota pelo Napoleão de hospício, contra a vida e a democracia. Eu sou tarado por vacina, tomei três doses e podem mandar a quarta e a quinta que aceito. Continue lendo “A Vida x A Morte”

O deserto nos contempla

Cometeram um assassinato em série hoje de manhã na minha rua. Uma quadrilha muito bem organizada e coordenada chegou logo cedo e fechou o trânsito com dois caminhões enormes e um bando de gente vestida de macacão e usando máscaras ou capuzes que cobriam todo o rosto, ficando só os olhos de fora. Ajustei meus óculos recém consertados e vi que alguns portavam máquinas mortíferas, dessas que se vêem em filmes de ficção, que disparam mil balas por segundo.   Continue lendo “O deserto nos contempla”

O sabotador

Talvez haja precedentes na História política da humanidade de um presidente que sabota seu próprio governo. Mas um que sabote a si mesmo eu aposto minha bola de cristal que não tem. Certo ou errado? Errado! Teve um sim, por aqui mesmo, no Brasil. O ano era 1961 e o nome dele era Jânio da Silva Quadros. Continue lendo “O sabotador”

Poço sem fundo

Em mais uma afronta à Constituição, o Congresso Nacional aprovou o orçamento do ano que vem com uma maçã podre colocada na última hora pelo governo federal que certamente vai contaminar o cesto inteiro. O aumento salarial discriminatório para a Polícia Federal já está produzindo um estrago de bom tamanho na Secretaria da Receita Federal, que terá seus recursos cortados para bancar o aumento dos policiais. Vem mais por aí, a lambança mal começou. Continue lendo “Poço sem fundo”

É para acalmar ou acelerar?

O general que ocupa o cargo oficial de babá de inteligência do presidente da República diz que anda tomando Lexotan na veia. É coisa comum, pensei. Drogas são usadas por forças armadas ao redor do mundo, seja para acalmar, seja para acelerar. A soldadesca nazista, por exemplo, era entupida de Pervitin para ficar 72 horas seguidas “acesa” e dar conta das ordens insanas do Chefe nas blietzkrieg da Segunda Guerra Mundial. Milhares de toneladas de comprimidos de Pervitin foram produzidas na Alemanha exclusivamente para as tropas. Continue lendo “É para acalmar ou acelerar?”

O último prego

O Banco Central do Brasil cravou ontem o último prego no caixão do atual governo. Um prego de 9,5 cm de comprimento e grossa bitola. Não foi culpa da oposição, não foi culpa dos governadores, não foi culpa dos prefeitos. O único culpado é o próprio governo, que entre cortar despesas ou aumentar os juros para enfrentar a inflação, que ele mesmo encomendou e embalou, preferiu a segunda opção. A população e o setor produtivo pagam pela incompetência. Que é duplamente incompetente, porque a alta de juros não vai funcionar. Continue lendo “O último prego”

Vento em popa

A mistureba de política com religião e vice-versa vai de vento em popa. Os aproveitadores, claro, aproveitam. Perdi a conta dos livros, teses e artigos que li sobre esse fenômeno nos últimos 30/40 anos. Ele coincide com a retirada de restrições à filiação política que havia antes da Constituição Federal de 1988. Continue lendo “Vento em popa”