Ninistros do Supremo Tribunal Federal sempre foram personas políticas, mas suas interferências eram mais sutis, pouco ou quase nada percebidas pelo público. Tudo mudou a partir do julgamento do Mensalão, com a inesquecível capa preta do então ministro Joaquim Barbosa, cuja fama ele imaginou, sem sucesso, transformar em votos. O ativismo do STF ganhou tração, tornando-se mais vistoso com a Lava-Jato. E não mais refluiu. Hoje, a Corte Constitucional não só reflete, mas atiça a nefasta polarização política do país. Todas as partes no imbróglio mais recente entre entes supremos sabem disso. Continue lendo “Togas nas urnas”
A eleição da desesperança
Biografias
Mario Covas, um gigante da política brasileira, dizia que a biografia era o melhor cartão de visitas de um homem público. Nas disputas eleitorais das quais participou, antes e depois da ditadura militar, convidava o eleitor a comparar o histórico de vida dos candidatos, evidenciando a coerência e o compromisso com a democracia. Acreditava que o cidadão preferia ouvir um não “verdadeiro” a promessas vazias. Tinha ojeriza à mentira. Eram outros tempos e a política de hoje não tem qualquer semelhança com aquela época. Biografias, então, contam-se nos dedos quem pode exibi-las. Continue lendo “Biografias”
Sabatina
Como gosto de fazer umas continhas de vez em quando, calculei o acumulado do PIB brasileiro nos mandatos Lula, Dilma, Temer e Jair. Continha de porcentagem. Não sei se sabem fazer, mas é só reduzir à unidade o percentual de cada ano e ir multiplicando um pelo outro. Quando o PIB de um ano for negativo, divida em vez de multiplicar. Os contadores sabem fazer isso dormindo. Os economistas não chegam a tanto, razão pela qual meu professor de lógica matemática dizia que seriam os primeiros a ir para o paredão de fuzilamento num eventual governo dele. Continue lendo “Sabatina”
Coisos no ar
A Globo passou a semana entrevistando os candidatos à Presidência da República, aqueles da série A que estão que estão pleiteando o primeiro lugar junto com os cavalinhos do Fantástico, pondo em xeque suas declarações e suas intenções. Continue lendo “Coisos no ar”
Cheiro de recessão no ar
O slogan de Lula, “Brasil, pronto para mais”, está descolado da vida real. Enquanto sua campanha tenta vender otimismo, anunciando um novo ciclo de prosperidade em um eventual quarto mandato, sinais de desaceleração indicam que 2027 pode ser bem menos favorável do que sugere a propaganda eleitoral. Continue lendo “Cheiro de recessão no ar”
O filho do pai e o pai do filho
Investigar indícios de crimes contra a administração pública é obrigação do Estado, independentemente de quem seja o suspeito. Deveria ser assim para qualquer um – excelências eleitas ou nomeadas, autoridades de diferentes escalões, seus parentes e amigos. A regra, portanto, tem de valer para Fábio Luís, primogênito do presidente Lula, e também para o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex. Isso posto, seria conveniente calibrar a balança e esmiuçar com mais apuro os sacos de denúncias e vazamentos, que, em períodos eleitorais, costumam, propositalmente, misturar bugalhos aos alhos. Continue lendo “O filho do pai e o pai do filho”
Com que roupa Lula vai às urnas?
Lula retirou do fundo do baú a fantasia do antissistema, que estava mofando desde que chegou ao poder, em 2002. A viagem no tempo está escancarada no programa de sua candidatura, registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Diz o documento, logo nas suas primeiras páginas: “Somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência”. Continue lendo “Com que roupa Lula vai às urnas?”
Campanha não começa hoje
Atenção, senhoras e senhores: começa hoje a campanha eleitoral de 2026. É o que diz a legislação, como se o distinto público não estivesse, há meses, exposto a todo tipo de propaganda dos candidatos. Faz-se de conta que até agora ninguém viu ou ouviu as falas do presidente Lula nas inaugurações transformadas em comícios, as lives quase diárias de Flávio Bolsonaro e de Renan Santos, do Missão. Ou os debates televisivos ao vivo de candidatos aos governos estaduais. Continue lendo “Campanha não começa hoje”
Missão Impossível!
Confesso que até eu tô cansada de ver o nome de Flávio Bolsonaro aqui na minha coluna, mas, gente, o rapaz rola a bola a toda hora e aí fica meio difícil não querer chutar pro gol. Continue lendo “Missão Impossível!”
Bananão
Sabíamos criar fatos políticos quando eu e milhares de outros militávamos no movimento estudantil, lá se vão 60 anos. Mas nunca nos ocorreu mandar correspondência falsa de filiação em partido político, seja para comprometer um adversário, e muito menos para sabotar nossa própria candidatura. Éramos puros, e não éramos loucos. Continue lendo “Bananão”
O orteguismo matou a Revolução Sandinista
O anúncio de Daniel Ortega de que a Nicarágua não voltará a realizar eleições representa a certidão de óbito da Revolução Sandinista. A sentença de morte foi proclamada justamente quando a revolução completa 47 anos da vitória que derrubou a dinastia Somoza. O movimento que nasceu prometendo democracia e justiça social encerra sua trajetória abolindo o direito que lhe conferiu legitimidade: o voto. Continue lendo “O orteguismo matou a Revolução Sandinista”
Elas decidem a eleição
Mulheres. Maior contingente do eleitorado – 52,8% -, são elas que decidem a eleição. Excelente para o presidente Lula, que deve a elas a melhoria dos índices de aprovação de seu governo, e péssimo para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rejeitado por 54% delas de acordo com a última rodada da Genial/Quaest. Um cenário que dificilmente será revertido. Continue lendo “Elas decidem a eleição”
Olhe para o mapa
No momento em que Javier Milei volta a tensionar as relações entre Brasil e Argentina, convém recordar um episódio frequentemente atribuído ao general João Figueiredo. Durante a Guerra das Malvinas, ao ser questionado por um diplomata americano sobre a razão de o Brasil demonstrar maior compreensão em relação à posição argentina, o então presidente teria caminhado até um mapa da América do Sul e respondido: “Olhe para o mapa. Veja com quem o Brasil tem mais de mil quilômetros de fronteira. A Inglaterra fica do outro lado do oceano; a Argentina continuará aqui amanhã, no ano que vem e daqui a cem anos.” Continue lendo “Olhe para o mapa”
