Mario Covas, um gigante da política brasileira, dizia que a biografia era o melhor cartão de visitas de um homem público. Nas disputas eleitorais das quais participou, antes e depois da ditadura militar, convidava o eleitor a comparar o histórico de vida dos candidatos, evidenciando a coerência e o compromisso com a democracia. Acreditava que o cidadão preferia ouvir um não “verdadeiro” a promessas vazias. Tinha ojeriza à mentira. Eram outros tempos e a política de hoje não tem qualquer semelhança com aquela época. Biografias, então, contam-se nos dedos quem pode exibi-las. Continue lendo “Biografias”
Biografias
Dolly
“A magnífica estrela Dolly Parton morreu e isso é tão triste. Ela era uma mulher tão maravilhosa”, escreveu Sir James Paul McCartney. “Eu a encontrei pela primeira vez no Grand Ole Opry (o teatro de Nashville que é o maior templo da música country), onde ela cantava com o astro country Porter Wagoner e estava para começar sua carreira solo. Ela era tão alegre e cheia de vida que é difícil aceitar a notícia de que ela morreu. Suas composições, seu canto e sua filantropia eram incomparáveis no mundo da música country, e é difícil imaginar viver em um mundo sem Dolly.”
Sabatina
Como gosto de fazer umas continhas de vez em quando, calculei o acumulado do PIB brasileiro nos mandatos Lula, Dilma, Temer e Jair. Continha de porcentagem. Não sei se sabem fazer, mas é só reduzir à unidade o percentual de cada ano e ir multiplicando um pelo outro. Quando o PIB de um ano for negativo, divida em vez de multiplicar. Os contadores sabem fazer isso dormindo. Os economistas não chegam a tanto, razão pela qual meu professor de lógica matemática dizia que seriam os primeiros a ir para o paredão de fuzilamento num eventual governo dele. Continue lendo “Sabatina”
Coisos no ar
A Globo passou a semana entrevistando os candidatos à Presidência da República, aqueles da série A que estão que estão pleiteando o primeiro lugar junto com os cavalinhos do Fantástico, pondo em xeque suas declarações e suas intenções. Continue lendo “Coisos no ar”
Cheiro de recessão no ar
O slogan de Lula, “Brasil, pronto para mais”, está descolado da vida real. Enquanto sua campanha tenta vender otimismo, anunciando um novo ciclo de prosperidade em um eventual quarto mandato, sinais de desaceleração indicam que 2027 pode ser bem menos favorável do que sugere a propaganda eleitoral. Continue lendo “Cheiro de recessão no ar”
O filho do pai e o pai do filho
Investigar indícios de crimes contra a administração pública é obrigação do Estado, independentemente de quem seja o suspeito. Deveria ser assim para qualquer um – excelências eleitas ou nomeadas, autoridades de diferentes escalões, seus parentes e amigos. A regra, portanto, tem de valer para Fábio Luís, primogênito do presidente Lula, e também para o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex. Isso posto, seria conveniente calibrar a balança e esmiuçar com mais apuro os sacos de denúncias e vazamentos, que, em períodos eleitorais, costumam, propositalmente, misturar bugalhos aos alhos. Continue lendo “O filho do pai e o pai do filho”
O direito de ouvir o outro
Poucos anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a jornalista, autora e tradutora alemã Jella Lepman (1891-1970) mobilizou um grupo de pessoas ligadas à literatura infantil em torno de uma idéia: os livros poderiam aproximar povos separados pelo conflito e contribuir para a construção da paz. Dessa iniciativa nasceu, em 1953, o International Board on Books for Young People (IBBY). Continue lendo “O direito de ouvir o outro”
No meio de “Nathalie”, o iPod faleceu. Mas…
Meu iPod velho de guerra faleceu de repente, no meio de “Nathalie”, de Gilbert Bécaud. Tocou 1 minuto e 28 segundos da canção que sempre adoro ouvir – e faleceu. Continue lendo “No meio de “Nathalie”, o iPod faleceu. Mas…”
Com que roupa Lula vai às urnas?
Lula retirou do fundo do baú a fantasia do antissistema, que estava mofando desde que chegou ao poder, em 2002. A viagem no tempo está escancarada no programa de sua candidatura, registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Diz o documento, logo nas suas primeiras páginas: “Somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência”. Continue lendo “Com que roupa Lula vai às urnas?”
Um texto, que bom! Ou não…
Aqui temos três gloriosos lugares-comuns. Ou, como diziam uns e outros, nos antigamentes, três óbvios ululantes. Entrementes (olha a velharia…), diante de reações hostis a essas realidades bem poderíamos responder com um vá às favas! Continue lendo “Um texto, que bom! Ou não…”
Campanha não começa hoje
Atenção, senhoras e senhores: começa hoje a campanha eleitoral de 2026. É o que diz a legislação, como se o distinto público não estivesse, há meses, exposto a todo tipo de propaganda dos candidatos. Faz-se de conta que até agora ninguém viu ou ouviu as falas do presidente Lula nas inaugurações transformadas em comícios, as lives quase diárias de Flávio Bolsonaro e de Renan Santos, do Missão. Ou os debates televisivos ao vivo de candidatos aos governos estaduais. Continue lendo “Campanha não começa hoje”
Missão Impossível!
Confesso que até eu tô cansada de ver o nome de Flávio Bolsonaro aqui na minha coluna, mas, gente, o rapaz rola a bola a toda hora e aí fica meio difícil não querer chutar pro gol. Continue lendo “Missão Impossível!”
Bananão
Sabíamos criar fatos políticos quando eu e milhares de outros militávamos no movimento estudantil, lá se vão 60 anos. Mas nunca nos ocorreu mandar correspondência falsa de filiação em partido político, seja para comprometer um adversário, e muito menos para sabotar nossa própria candidatura. Éramos puros, e não éramos loucos. Continue lendo “Bananão”
O orteguismo matou a Revolução Sandinista
O anúncio de Daniel Ortega de que a Nicarágua não voltará a realizar eleições representa a certidão de óbito da Revolução Sandinista. A sentença de morte foi proclamada justamente quando a revolução completa 47 anos da vitória que derrubou a dinastia Somoza. O movimento que nasceu prometendo democracia e justiça social encerra sua trajetória abolindo o direito que lhe conferiu legitimidade: o voto. Continue lendo “O orteguismo matou a Revolução Sandinista”
Fatos da vida
Ah, as definições…
Quebrou a cara. Antes era o sujeito que tentava um negócio mas nada conseguia. Hoje, é o que anda pela rua com a cara enfiada no celular e não vê o poste.

