A história se repete

Inescapável comparar os anos 1930 descritos na série Hitler: começo, meio e fim, disponível no Netflix, com os dias atuais. Depois de quase cem anos da ascensão de Hitler ao poder, o mundo vive uma nova recessão democrática, impulsionada pelos mesmos elementos do passado: ultranacionalismo, xenofobia, racismo, intolerância, ódio e lideranças ultrapopulistas e salvacionistas. A Europa, berço do iluminismo, se vê sufocada pelo avanço da extrema direita, como aconteceu na eleição deste final de semana para o Parlamento Europeu. Continue lendo “A história se repete”

PECs e Micos!

Os assuntos mais falados da semana foram – ainda – a PEC das praias, comandada pelo corretor de imóveis Flávio Bolsonaro e o projeto das Blusinhas, como ficou conhecida a taxação sobre os importados. E, por azar do destino, o mico do vereador César Maia, que viralizou nas redes com o vídeo em que ele aparece legislando sentado no vaso sanitário. Continue lendo “PECs e Micos!”

Governo puro-sangue

Na retórica, o governo Lula se define como de uma frente democrática, uma vez que na composição de seus ministérios participam partidos de centro-direita. Na prática, a teoria é outra e o terceiro mandato de Lula é mais petista do que o Lula I e o Lula II. Não só pela ocupação do Partido dos Trabalhadores nos ministérios mais estratégicos, como também nas políticas em diversas áreas. Continue lendo “Governo puro-sangue”

Aquela noite, no bar

Certa noite, dirigindo o carro pela Avenida Antártica, este que vos escreve passou pelo Bar do Alemão e quase caiu duro. O ponto habitual do pessoal do Jornal da Tarde para uma bebidinha depois do trabalho estava com as portas baixadas! Em frente, na calçada, havia uma seleta de notívagos. Continue lendo “Aquela noite, no bar”

Lula, o mito

As derrotas acachapantes de Lula no Congresso Nacional na última terça-feira têm sido atribuídas a falhas dos articuladores do governo, sejam eles ministros ou líderes formais na Câmara e no Senado. A justificativa simplista isenta o presidente, que vem tropeçando feio no fazer política, arte na qual é tido como craque – talvez apenas um mito ancorado na verve que tinha para encantar as massas. Neste terceiro mandato, ele assegurou reiteradas vezes que entraria em campo. E nada. Confirma assim o histórico de que sua interlocução política sempre se deu por terceiros. Mais: se colhe acerto, ele se adorna com os louros. Quando não, outros pagam a conta. Continue lendo “Lula, o mito”

Ninguém segura o apagador de provas

“Os três principais jornais brasileiros, O Globo, Estadão e Folha, criticaram as recentes decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli, que, de canetada em canetada, vem anulando condenações por corrupção sentenciadas pela Lava-Jato e outras operações. Continue lendo “Ninguém segura o apagador de provas”

Desculpe, a corrupção venceu

Se a história é construída por vencedores (frase atribuída a George Orwell) e, portanto, pode ter nova leitura com o passar do tempo, a velocidade pela qual derrotados querem fazer triunfar suas narrativas, não raro a contragosto dos fatos, é perigosa. Por vezes, a tentativa de revirar a história ao avesso é tão agressiva que colide com a defesa do próprio protagonista. É o típico caso da Odebrecht, hoje Novonor. Continue lendo “Desculpe, a corrupção venceu”

Ratos

Os ratos estão sempre em atividade. Tanto os de quatro quanto os de duas pernas. Esses de duas estão deitando e rolando sobre a calamidade que pôs cerca de 90% do território do Rio Grande do Sul embaixo d’água. A atividade deles consiste em espalhar nas redes sociais que só eles prestam e os governos não servem para nada, só para atrapalhar.  Continue lendo “Ratos”

Instrumentalização da tragédia

Está previsto um retorno de Lula ao Rio Grande do Sul no decorrer desta semana. A se confirmar, será uma oportunidade para desfazer a impressão deixada na sua última visita de que está partidarizando a tragédia dos gaúchos. A suspeita não surgiu do nada. Na semana passada, o presidente transformou o ato de anúncios de medidas adotadas pelo seu governo, em um comício político. No calor do palanque, não deixou por menos ao dizer que pretende disputar mais dez eleições. Continue lendo “Instrumentalização da tragédia”