O Plano Cohen de Bolsonaro

Governantes de índole totalitária não mentem de maneira desavisada ou inocente. Há sempre um objetivo por trás de suas falácias. Em 1933 o Reichtag (parlamento alemão) foi incendiado por um jovem holandês. Adolf Hitler acusou os comunistas, que nada tinham a ver com a história, e aproveitou o episódio para adquirir poderes absolutos. Um ano depois Josef Stalin usou o assassinato de Serguei Kirov, também um ato isolado, para dar início ao Grande Terror e à farsa dos processos de Moscou. Continue lendo “O Plano Cohen de Bolsonaro”

Transformar o passado

Que os Bandeirantes não eram iluministas, todo mundo sabe. Nem eles nem o mundo de sua época. Afinal, os valores do iluminismo só iriam se afirmar mais de um século depois, com a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Não faz sentido, portanto, julgá-los com os valores de hoje, descontextualizado do momento histórico no qual operaram. E muito menos levá-los à fogueira da nova inquisição. Foi o que aconteceu com a estátua de Borba Gato, queimada por um grupo denominado “Revolução Periférica”. Continue lendo “Transformar o passado”

A urgente volta aos quartéis

Na maioria dos países de ordenamento democrático as Forças Armadas estão submetidas ao primado do poder civil. Seu controle externo é exercido pelo Congresso, a quem cabe a responsabilidade de lhes dar uma direção política. No Brasil, o Parlamento tem se furtado a exercer esse papel. A Emenda Constitucional de autoria da deputada Perpétua Almeida rompe com essa omissão ao normatizar a presença de militares da ativa em cargos governamentais. Continue lendo “A urgente volta aos quartéis”

Se acabó!

Desde 1959 Cuba exerce um fascínio para grande parte da esquerda latino-americana. A palavra de ordem “Pátria ou Morte, Venceremos!” conquistou corações e mentes pelos quatro cantos do continente. Nestes mesmos tempos havia escassez de alimentos, os cubanos não tinham acesso a bens de consumo modernos e, sobretudo, não havia liberdade na Ilha. Continue lendo “Se acabó!”

A revolução silenciosa de Paulo Renato

Há dez anos o Brasil perdia aquele que talvez tenha sido seu maior ministro da Educação de todos os tempos. À frente do MEC, Paulo Renato de Souza promoveu uma revolução silenciosa, definindo um novo marco institucional, com impacto direto em todos os níveis de ensino. A rigor, os pilares construídos nos oito anos de sua gestão estão aí até hoje, não obstante o país ter padecido nos anos seguintes da falta de continuidade de uma política que estava mudando a face da educação brasileira. Continue lendo “A revolução silenciosa de Paulo Renato”

Contra o ódio e o preconceito

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato a presidente da República, incomodou muita gente ao revelar sua orientação sexual no programa de entrevistas do Pedro Bial. À direita, os homofóbicos de sempre, como o presidente Jair Bolsonaro, explicitaram todo seu ódio e preconceito. Até aí, nenhuma novidade. A estranheza foi ver determinadas figuras da esquerda desqualificar e diminuir a contribuição do gesto governador à causa da diversidade. Continue lendo “Contra o ódio e o preconceito”

Bolsonaro espera um milagre

Encurralado por todos os lados, o presidente Jair Bolsonaro vive aquele momento de além de queda, coice. Sua aprovação vai ladeira abaixo, a imagem de conduzir um governo incorruptível foi trincada pelo escândalo da Covaxin, e a expectativa de poder escorrega entre os dedos. Continue lendo “Bolsonaro espera um milagre”

Uma batalha de gigantes

A China foi o sujeito nada oculto da recentíssima ofensiva diplomática de Joe Biden. Em poucos dias o presidente americano arrancou uma dura declaração do G-7 contra os chineses, levou a Otan a considerar o país de Xi Jinping como uma ameaça à segurança dos países do bloco e os Estados Unidos a se reaproximar de seus aliados históricos, como a Inglaterra. A concorrência chinesa o impulsionou a pôr um fim no   contencioso de 17 anos entre a americana Boeing e a inglesa Airbus. Até mesmo o encontro com Vladimir Putin teve o objetivo de baixar a temperatura com a Rússia para focar no adversário principal. Continue lendo “Uma batalha de gigantes”

A vez do populismo de esquerda

Nosso continente repete a tradição de se movimentar de forma pendular. Ora para a direita, ora para a esquerda. A mais recente guinada aconteceu no Peru, com a eleição por estreita margem de votos do ultra esquerdista Pedro Castillo. A mesma onda levou ao retorno dos peronistas ao poder, com a eleição de Alberto Fernandes na Argentina, e do MAS de Evo Morales na Bolívia. Continue lendo “A vez do populismo de esquerda”

Revolução global

Não é exagero definir como histórico o acordo dos países do G 7, grupo que reúne as economias mais desenvolvidas, para criar uma tributação global sobre multinacionais. É uma quebra do paradigma de um século. Até hoje as empresas internacionais são tributadas em seus lucros apenas no país sede. Com o pacto a ser estendido para o G 20, gigantes tecnológicas como Google, Apple, Amazon e Facebook serão tributadas em todos os países onde operam. Continue lendo “Revolução global”

Uma vida bem vivida

Difícil acreditar mas aconteceu. Um dia Fernando Henrique Cardoso esteve sob a suspeita de ser trotskista e foi obrigado a se explicar quando foi intimado a depor em 1975 na famigerada Operação Bandeirante-Oban, o truculento centro de investigações criado no II Exército em São Paulo. Continue lendo “Uma vida bem vivida”

Bolsonaro empareda Alto Comando do Exército

Ao subir e discursar num palanque, o general da ativa Eduardo Pazuello cometeu o mais grave ato de indisciplina militar desde a redemocratização do país.  Maior mesmo do que o caso general Hamilton Mourão em 2015, afastado do Comando Militar do Sul por causa de uma entrevista com críticas à então presidente Dilma Rousseff. Foi uma solução negociada para não sofrer um processo por indisciplina. Continue lendo “Bolsonaro empareda Alto Comando do Exército”

A boa política

A política tornou-se terreno árido no Brasil nos últimos anos. A intolerância, a radicalização, o “nós contra eles”, a corrupção, ditaram uma forma de fazer política que bloqueou o diálogo e a construção de consensos. Impediu os brasileiros de se unirem em torno de um projeto coletivo de país. As tendências rupturistas (de esquerda e de direita) bloquearam os dutos do entendimento. Elas negaram elementos fundamentais para podermos seguir adiante sem maiores sobressaltos: o respeito mútuo como base para o debate e a conciliação pautada pelo interesse público. Continue lendo “A boa política”

O exército não deve lealdade a Pazuello

O ex-ministro Eduardo Pazuello pode adotar duas estratégias na CPI da Covid. A primeira é fugir da raia, por meio de uma decisão judicial para sustar seu depoimento na próxima semana, com o pretexto de que não pode produzir provas contra si mesmo por ser alvo de investigação no Judiciário. Caso não logre êxito, sua linha de defesa será ligar sua imagem à das Forças Armadas, sob o argumento de que estava em missão agregada. No limite, poderá ir fardado à CPI, gerando enorme desconforto na cadeia de comando do Exército. Continue lendo “O exército não deve lealdade a Pazuello”

Bruno luta

Se os políticos se dividem em duas grandes categorias, os que vivem da política e os que vivem para a política, Mario Covas sempre esteve nesta segunda turma. Em sua trajetória – deputado federal, prefeito de São Paulo, senador e governador do Estado – encontram-se as virtudes exigidas de quem faz política por vocação. Continue lendo “Bruno luta”