Cheiro de recessão no ar
O slogan de Lula, “Brasil, pronto para mais”, está descolado da vida real. Enquanto sua campanha tenta vender otimismo, anunciando um novo ciclo de prosperidade em um eventual quarto mandato, sinais de desaceleração indicam que 2027 pode ser bem menos favorável do que sugere a propaganda eleitoral. Continue lendo “Cheiro de recessão no ar”
O direito de ouvir o outro
Poucos anos após o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a jornalista, autora e tradutora alemã Jella Lepman (1891-1970) mobilizou um grupo de pessoas ligadas à literatura infantil em torno de uma idéia: os livros poderiam aproximar povos separados pelo conflito e contribuir para a construção da paz. Dessa iniciativa nasceu, em 1953, o International Board on Books for Young People (IBBY). Continue lendo “O direito de ouvir o outro”
Com que roupa Lula vai às urnas?
Lula retirou do fundo do baú a fantasia do antissistema, que estava mofando desde que chegou ao poder, em 2002. A viagem no tempo está escancarada no programa de sua candidatura, registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Diz o documento, logo nas suas primeiras páginas: “Somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência”. Continue lendo “Com que roupa Lula vai às urnas?”
O orteguismo matou a Revolução Sandinista
O anúncio de Daniel Ortega de que a Nicarágua não voltará a realizar eleições representa a certidão de óbito da Revolução Sandinista. A sentença de morte foi proclamada justamente quando a revolução completa 47 anos da vitória que derrubou a dinastia Somoza. O movimento que nasceu prometendo democracia e justiça social encerra sua trajetória abolindo o direito que lhe conferiu legitimidade: o voto. Continue lendo “O orteguismo matou a Revolução Sandinista”
Olhe para o mapa
No momento em que Javier Milei volta a tensionar as relações entre Brasil e Argentina, convém recordar um episódio frequentemente atribuído ao general João Figueiredo. Durante a Guerra das Malvinas, ao ser questionado por um diplomata americano sobre a razão de o Brasil demonstrar maior compreensão em relação à posição argentina, o então presidente teria caminhado até um mapa da América do Sul e respondido: “Olhe para o mapa. Veja com quem o Brasil tem mais de mil quilômetros de fronteira. A Inglaterra fica do outro lado do oceano; a Argentina continuará aqui amanhã, no ano que vem e daqui a cem anos.” Continue lendo “Olhe para o mapa”
A Copa merece escolas abertas
O Brasil tem bons motivos para celebrar a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027. Será a primeira edição do torneio disputada na América do Sul, reunirá 32 seleções e colocará o país no centro de um movimento de valorização do futebol praticado por mulheres. O evento ocorrerá de 24 de junho a 25 de julho, em oito cidades brasileiras. Continue lendo “A Copa merece escolas abertas”
O jogo que interessa ao Brasil
A narrativa política sobre o tarifaço de Donald Trump não pode estar acima dos interesses nacionais. Só será possível preservá-los se houver uma leitura realista tanto da correlação de forças entre o Brasil e os Estados Unidos quanto do significado dos movimentos do presidente americano, que acaba de também tributar o Canadá com uma tarifa de 50% sobre parte de suas exportações. Continue lendo “O jogo que interessa ao Brasil”
O Brasil além dos candidatos
O Brasil caminha para sua terceira eleição presidencial consecutiva marcada mais pela rejeição do que pela esperança. Em vez de discutir projetos nacionais, o debate público continua dominado por nomes, temperamentos e biografias. Ao final, muitos eleitores sentem-se condenados a escolher apenas o mal menor. Continue lendo “O Brasil além dos candidatos”
A conta chega depois
Às vésperas do período eleitoral, Lula chegou a inaugurar um túnel de irrigação sem uma gota d’água. A pressa tinha uma explicação. Pela legislação eleitoral — que o presidente classificou como uma “papagaiada desgraçada” —, candidatos à reeleição ficam impedidos de participar de inaugurações e lançamentos de obras, a publicidade institucional é suspensa e novos programas não podem ser anunciados. Continue lendo “A conta chega depois”
O que não pode ser concedido
O Brasil vive uma nova fase de concessões de espaços públicos. Depois de rodovias, aeroportos, portos e saneamento, estados e municípios passaram a recorrer cada vez mais à iniciativa privada para administrar parques, praças e equipamentos urbanos. A participação privada pode ampliar investimentos, melhorar a manutenção, elevar a qualidade dos serviços e aliviar o orçamento público. O desafio começa quando administrar infraestrutura passa a ser confundido com administrar lugares que carregam memória, identidade e formas próprias de convivência. Continue lendo “O que não pode ser concedido”
O candidato que ninguém está vendo
O caso Master deixou de ser apenas um escândalo financeiro. Ao atingir Jaques Wagner, um dos políticos mais influentes e mais próximos do presidente Lula, a investigação alcançou o coração do poder. Mais importante, porém, do que a eventual responsabilidade deste ou daquele personagem, é o efeito político produzido pelo episódio. Continue lendo “O candidato que ninguém está vendo”
O Caso Master e o velho roteiro brasileiro
Quanto mais as investigações avançam e figuras de proa da República são arrastadas para o epicentro do Caso Master, maiores são os temores da sociedade de que um dos maiores escândalos financeiros da história brasileira reproduza a tradição da impunidade de nosso país. Continue lendo “O Caso Master e o velho roteiro brasileiro”
O eleitor encurralado
Há um fenômeno novo nas eleições de 2026. Uma fatia expressiva do eleitorado — os independentes, que representam cerca de 32% do total — manifesta forte desejo de renovação, de superação da polarização e de surgimento de uma liderança capaz de oferecer uma alternativa aos dois polos que dominam a disputa nacional. Mas não encontra no mercado eleitoral uma candidatura que expresse essa expectativa. Sem alternativa, esses eleitores sentem-se encurralados pelos dois campos e desconfortáveis diante da perspectiva de escolher novamente o “menos pior”. Continue lendo “O eleitor encurralado”
Soberania ou segurança, um falso dilema
A crise da segurança pública transformou-se numa das principais questões políticas da América Latina. México, Colômbia, Equador, Venezuela, Honduras e El Salvador convivem há anos com organizações criminosas que desafiam a autoridade do Estado, controlam territórios, corrompem instituições e impõem regras próprias a milhões de cidadãos. Não por acaso, diversos desses grupos foram enquadrados como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump. Continue lendo “Soberania ou segurança, um falso dilema”

