Atalhos e trilhas

Uma vez, em uma escola, uma garota – treze, quatorze anos –, saia curta, cabelos compridos, olhos atentos, jeito de quem sabia das coisas, quis saber se eu me considerava diferente dos outros mortais.

— Outros mortais? Continue lendo “Atalhos e trilhas”

Os cem anos de meu pai

Ele queria estar aqui hoje. Cercado pelos que amou. Chegou mesmo a nos pedir que o ajudássemos a chegar vivo ao dia 16 de maio de 2011. A única contribuição que poderíamos lhe dar era nossa demonstração constante de afeto e companheirismo. Era um desejo puro repleto de alegria de viver. Continue lendo “Os cem anos de meu pai”

Sonho meu

Não o da bela canção de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, mas aquele ou aqueles que nos chegam em uma madrugada fresca de outono, sem muita lógica, sem avisar. Uma cena que invade nosso sono noturno e traz lembranças de pessoas e coisas passadas, arquivadas no fundo do baú da memória. Continue lendo “Sonho meu”

Lindberg e a camisinha

Com tudo o que fez como líder estudantil, Lindberg Farias pode ter passado por porra-louca. Agora está no outro lado, o da camisinha. Todos viram como o hoje senador petista ampliou o projeto de sua colega Maria do Carmo Alves, do falecido DEM, para salvar o País da aids. Continue lendo “Lindberg e a camisinha”

Nos tempos da Luluzinha

Toda quarta-feira o menino descia de sua casa, lá no alto, ao lado da Grupiara, em direção ao centro, onde se localizava a maioria do comércio. A Grupiara é um monte, em frente à praça de esportes, onde se colhiam os mal cheirosos frutos de jatobá que caíam de árvores enormes. Continue lendo “Nos tempos da Luluzinha”

Na Igreja do Carmo

Chegar a Diamantina é sempre um prazer. Muitas recordações de festa e amizade, lembranças que vão até a comemoração de meus cinco anos, data em que bebi, pela primeira vez, um guaraná quase gelado, resultado das pedras de chuva que caíram no quintal e foram recolhidas em uma bacia. Geladeira era algo, para mim, inexistente. Continue lendo “Na Igreja do Carmo”

Felicidade suprema

Tenho pensado em meus amigos de origem japonesa.

Alguns, de longa, longa data, como Jiro Takahashi, autor do mais belo depoimento que já ouvi sobre o ofício de editor. Anos oitenta, Bienal Nestlé de Literatura, coordenação de Ricardo e Iraty Ramos, amigos de adolescência e de sobrenome, sem parentesco algum. Continue lendo “Felicidade suprema”