O cara não passeia – viaja a trabalho!

Soube de fonte fidedigna (Mary Zaidan, a mulher dele) que Sérgio Vaz anda sem vontade de viajar.  Estranhei… quem não gosta de sair um pouco de casa e desfrutar as delícias de novos ares em plagas (perdão) distantes? Em dado momento percebi tudo. O que acontece com Sérgio Vaz é que ele não é um turista, um viajante, um itinerante – ele é um enviado especial. Vai a trabalho.

Em Blumenau, não comprou um chapeuzinho verde para adornar a cabeça, não foi com Mary ao pavilhão de eventos, ocupou uma mesa, pediu um canecão de cerveja e, de um gole só, tomou quase a metade. Em lugar disso, podemos encontrá-lo levantando detalhes da história e da cultura da cidade, minuciosamente. No Teatro Carlos Gomes: “Dei uma espiadinha nos banheiros do segundo andar. Tudo de mármore, tudo do melhor Primeiro Mundo”.  Nem o banheiro escapou.

Esteve em museus, igrejas, praças, loja de discos, caminhou por uma ponte histórica e pelas  margens do Itajaí-açu, o rio que corta a cidade. Registrou com olhar profissional o que os turistas mal notam. Tudo muito bem explicado no texto que faria, como esta referência ao “dr. Hermann Bruno Otto Blumenau (1819-1899), o filósofo, administrador e químico farmacêutico alemão que fundou a cidade”.

Numa pegada paulistana, levantou zelosamente as enchentes que o Itajaí-açu provocou – que afinal têm a ver com a criação da Oktoberfest. Sérgio e Mary estiveram, que ninguém é de ferro, na Vila Germânica, onde turistas lotam dezenas de bares e restaurantes. No bar que escolheram, havia uma dúzia de chopes diferentes, marcas locais, de pequenas cervejarias do Vale do Itajaí.

Na última noite jantaram num restaurante à beira do rio. Tomaram cerveja de “oito ou dez marcas diferentes”, todas da região. As cervejas e chopes estariam bem relatadas  na cobertura do enviado especial.

Imagino que ao chegar em casa, terminada a cobertura, digo, o passeio, Servaz suspire e pense que finalmente vai poder descansar das férias. Faltará redigir o texto, mas isso não o aborrece. Ele senta à frente do laptop e seus dedos vão funcionando sozinhos para produzir um material detalhado, agradável, de boa leitura, que ficaria muito bem na estante de uma biblioteca de Blumenau.

Fevereiro de 2020

 

Um comentário para “O cara não passeia – viaja a trabalho!”

  1. Acertou em cheio, Valdir. É exatamente isso. Veja também os textos de Montevidéu e de Porto Legre. O enviado Especial também fez jus ao título.

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