Idéias brotam

Alucinação em uma noite abafada, a partir de um sofá. Happy hour tardia. Quantos e-books nos são oferecidos pelo celular, dia a dia, mês a mês? Se fosse água, inundaria a sala, o apartamento… o prédio.

O velho no sofá reclama para seu copo que não quer mais ler nada daquilo. Está farto! E chega à sublimação do narcisismo. Eis seu pensamento: “Vou escrever meus próprios livros, para finalmente ter o que ler e gostar”.

Erguendo a vista, dá com o relógio de pêndulo, em cima da cristaleira, na parede à frente.  O mostrador marca 11 horas. A cristaleira é peça muito antiga, mas o relógio não lhe faz jus. O pêndulo não se move por nenhum engenhoso mecanismo de corda. Mas por uma pilha.  Foi trazido de distante país que tem uma muralha comprida que não acaba mais.

O velho diz para seus botões (é do tempo em que se falava com botões): “Nesse caso, nada posso fazer de minha própria criação”. Então ouve a vozinha vinda de seu inconsciente: “Vá a um antiquário e compre um relógio autêntico, poxa.” Só faltou falar “e não me enche mais o saco!”

Ao lado da cristaleira, o tager, esse móvel gracioso, mostra balas. Se surgissem em um televisor em cima da peça, seria bala a não acabar mais, saídas dos revólveres dos filmes que entretêm as famílias. No caso do tager, não têm a menor graça. Servem apenas para chupar. Estão em uma baleira. Sobraram do Halloween, que este ano não teve grande procura.

 

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