É para acalmar ou acelerar?

O general que ocupa o cargo oficial de babá de inteligência do presidente da República diz que anda tomando Lexotan na veia. É coisa comum, pensei. Drogas são usadas por forças armadas ao redor do mundo, seja para acalmar, seja para acelerar. A soldadesca nazista, por exemplo, era entupida de Pervitin para ficar 72 horas seguidas “acesa” e dar conta das ordens insanas do Chefe nas blietzkrieg da Segunda Guerra Mundial. Milhares de toneladas de comprimidos de Pervitin foram produzidas na Alemanha exclusivamente para as tropas. Continue lendo “É para acalmar ou acelerar?”

A social-democracia ressurgiu das cinzas

Portugal com a sua “geringonça”, a improvável coligação de governo entre os socialistas e mais três partidos de centro-esquerda que desde 2015 governou o país, era uma espécie de aldeia de Asterix no continente europeu, na qual a social-democracia resistia bravamente à onda nacional-populista que varreu a Europa. Ali os trabalhadores, que eram historicamente base de sustentação da centro-esquerda, passaram para a direita populista, votando em Mateo Salvini na Itália, Marine Le Pen na França, Boris Johnson na Inglaterra, Victor Orban na Hungria. Continue lendo “A social-democracia ressurgiu das cinzas”

Vigarista!

Ultimamente, quando olho para as caras de uma grande parte dos políticos desta gestão, essa palavra vem imediatamente à minha mente. Dada a frequência com que isso vem ocorrendo, até fui procurar no dicionário os sinônimos para tentar entender a associação que faço do vocábulo com alguns políticos e, pimba, matei a charada. Achei lá: “Vigarista: aquele que, através de um ato de má-fé, tenta ou consegue lesar ou ludibriar outrem, com o intuito de obter para si uma vantagem; embusteiro, trapaceiro, velhaco”. Continue lendo “Vigarista!”

O último prego

O Banco Central do Brasil cravou ontem o último prego no caixão do atual governo. Um prego de 9,5 cm de comprimento e grossa bitola. Não foi culpa da oposição, não foi culpa dos governadores, não foi culpa dos prefeitos. O único culpado é o próprio governo, que entre cortar despesas ou aumentar os juros para enfrentar a inflação, que ele mesmo encomendou e embalou, preferiu a segunda opção. A população e o setor produtivo pagam pela incompetência. Que é duplamente incompetente, porque a alta de juros não vai funcionar. Continue lendo “O último prego”

O Bolsonaro que vai às urnas

É visível a mudança de estratégia de Jair Bolsonaro. O candidato antissistema de 2018 repaginou-se. Não por boniteza, mas por precisão, como o sapo de Guimarães Rosa. Quando elegeu-se presidente, vestiu a fantasia de outsider, apesar de ser um político com 30 anos de mandato. À época, o eleitorado estava em busca de um candidato “diferente de tudo o que está aí”, capaz de empunhar a bandeira da anticorrupção e de ser alternativa ao desastre dos anos petistas de Dilma Rousseff. Continue lendo “O Bolsonaro que vai às urnas”

Sigilo fatal

As manobras contorcionistas para driblar a decisão do STF de tornar públicos os demandantes e os beneficiários das emendas do relator ao orçamento de 2020 e 2021 estão pondo a perder a aura que Rodrigo Pacheco tenta construir em torno de si. O bom moço, que se vende como pacificador de conflitos, meteu-se de corpo e alma no imbróglio, autorizando que se pense que ele tem muito a perder se os segredos vierem à tona. Continue lendo “Sigilo fatal”

O duelo Bolsonaro x Lula

Jair e Flávio Bolsonaro são seres insensíveis para quem disputar eleição não tem limite de nenhuma espécie. O torneiro mecânico Lula, muitos anos atrás, sofreu um acidente de trabalho e perdeu o dedo mínimo da mão esquerda. Em cima disso, ambos atacam o adversário como “ladrão de nove dedos.” Continue lendo “O duelo Bolsonaro x Lula”

Vento em popa

A mistureba de política com religião e vice-versa vai de vento em popa. Os aproveitadores, claro, aproveitam. Perdi a conta dos livros, teses e artigos que li sobre esse fenômeno nos últimos 30/40 anos. Ele coincide com a retirada de restrições à filiação política que havia antes da Constituição Federal de 1988. Continue lendo “Vento em popa”

Segredo mantido

Decisão judicial não se discute, cumpre-se. Isso vale para qualquer cidadão, sob pena de enquadramento em crime de desobediência, com penas de prisão e multa. Ou não, se a ordem prejudicar o arranjo político entre o Congresso e o governo Jair Bolsonaro. Esse foi o entendimento dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, ao mandar às favas a determinação do STF para que o Congresso desse publicidade às emendas secretas de 2020 e 2021. Bolsonaro também faz gato e sapato do Supremo, ao se negar a detalhar seus gastos. Continue lendo “Segredo mantido”

Palavras ao Vento!

Se as eleições fossem hoje e tivéssemos que escolher um candidato à Presidência da República pelo que andaram dizendo por aí, ia ser difícil lacrar um número nas urnas eletrônicas. Vamos conferir. Continue lendo “Palavras ao Vento!”

De queixo no chão

Tem gente que não sabe ficar de boca fechada. Parece, que se não falar, o monte de besteira que tem dentro da cabeça vai sair pelas orelhas. E os nossos ouvidos, pra variar, são os penicos. Colhi do noticiário nos últimos dias que o Enem está ficando cada vez mais parecido com a cara desse governo.  Até hoje não consegui ver, nem com aqueles potentes binóculos de marechal de campo, a cara desse governo. Continue lendo “De queixo no chão”

Lula, o camaleão

Uma leitura otimista sobre o recente périplo de Lula pela Europa, quando foi tratado como estadista pela mídia e governantes europeus, veria na sua viagem uma importante inflexão do presidenciável petista em direção ao centro. Com ela, o candidato estaria acenando com uma relação mais estreita para as democracias ocidentais, em especial com a social-democracia europeia, que está no poder em países importantes como a Alemanha e a Espanha. Continue lendo “Lula, o camaleão”