É para acalmar ou acelerar?

O general que ocupa o cargo oficial de babá de inteligência do presidente da República diz que anda tomando Lexotan na veia. É coisa comum, pensei. Drogas são usadas por forças armadas ao redor do mundo, seja para acalmar, seja para acelerar. A soldadesca nazista, por exemplo, era entupida de Pervitin para ficar 72 horas seguidas “acesa” e dar conta das ordens insanas do Chefe nas blietzkrieg da Segunda Guerra Mundial. Milhares de toneladas de comprimidos de Pervitin foram produzidas na Alemanha exclusivamente para as tropas.

Mas o Lexotan é um calmante. Por que será que a babá anda tomando essas coisas?

É que o menino anda impossível desde que começaram as pesquisas eleitorais com o nome de seu antípoda disparado na frente. Na última pesquisa do Ibope, agora Ipec, ele ganha de capote no primeiro turno. Não é a primeira pesquisa que mostra isso. E periga o menino ficar em terceiro, com a ascensão de outro arqui-inimigo que só agora entrou na parada.

Mas não é só por isso, não. Como se fosse pouco, nos últimos dias o STF vem aplicando sovas seguidas no menino. A babá acha que ele não vai aguentar – e, nervosa, saca o Lexotan da mochila. Mas, vejam só. Ela explicou que está tomando calmante na veia para não deixar o Recruta Zero cometer algum desatino contra o STF. Como assim? É que ela também quer tocar fogo no STF, que é golpista, tá na cara, se não por que é que livrou o ex da cadeia e dos processos, que caducaram?! Mas, pensa a babá, toda embananada, que a iniciativa não pode ser nem dela nem do menino, no que está muito certa, porque se os dois sacarem o lança-chamas do armário vão acabar depostos e na cadeia. A babá quer que outros o façam. Outros quem, cara pálida?

Bolsonaristas, ora essa – ministros, deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores, youtubers etc, todos aqueles que foram eleitos na tratorada de 2018. Só que a babá olha para um lado e para o outro e se pergunta: cadê a tropa? Ministros estão quietinhos, depois que foram defenestrados o da Educação e o do Meio Ambiente, que eram amigos do peito. E, principalmente, depois que o Centrão, que ele rimou com “se gritar pega ladrão não sobra um, meu irmão”, tomou as rédeas do governo.

Periga o general ter que dobrar a dose, porque nem deputado, nem senador, nem governador, nem prefeito, nem vereador está tomando as dores do menino e partindo para o tudo ou nada. Pelo contrário, tá todo mundo com as barbas de molho na bacia da barbearia. E mesmo os youtubers d’outrora andam macambúzios e sorumbáticos, depois que o STF fechou a torneira das verbas publicitárias que recebiam para atentar contra a democracia e as urnas eletrônicas. Andam se queixando pelos cantos de abandono e desamparo, como a bela e ex-virulenta musa dos 300 de Brasília, que vivia acampada na Esplanada e, recentemente, após puxar sentida cadeia, tornou-se a primeira das hostes a dedurar os delírios golpistas da babá do menino.  Foi ele, foi ele sim, que mandou passar fogo neles, sim… E aí choveram foguetes juninos em cima do STF. Foi o que ela contou à imprensa, em outras palavras.

A solidão é o preço da incompetência. Sujeito que não acerta uma acaba sozinho. Agora, de novo, o Recruta Zero está querendo dar aumento para a polícia. E mandou seu suposto Posto Ipiranga fazer as contas. Não pode, ó meu, é inconstitucional! Presidente não pode dar aumento pra ninguém. Quem dá aumento é o Congresso, no contexto de um orçamento que contenha a fonte de recursos necessária e que inclua todo o funcionalismo, sem favorecimento a essa ou àquela categoria. Mas o menino não entende essas coisas e fica mandando ministro perder tempo com isso.

Agora, voltando para a vaca fria, ou quente, conforme o que vejo na minha bola de cristal, o mais impressionante na pesquisa do Ipec não é a votação ascendente do ex, mas a espiral descendente do atual inquilino do Alvorada nos últimos meses. Sua desaprovação já é de 68% na forma de governar; 55% acham seu governo ruim ou péssimo; 70% não confiam nele. A polarização da eleição presidencial passada voltará na do ano que vem com sinal trocado. E o atual inquilino pode ficar na poeira. O atual terceiro, na pesquisa do Ipec, surpreende por já aparecer com 6%, liderando o pelotão da terceira via. Quando o Podemos se unir ao DEM que vai se fundir com o PSL para formar o União Brasil, esse percentual vai crescer, comendo votos do segundo.

Resta saber quem vai comer votos do primeiro. Neste momento, minha bola de cristal não vê ninguém. E o Lexotan periga logo mais estar em falta nas prateleiras das farmácias.

(PS – Estas linhas já estavam escritas quando estourou a operação da Polícia Federal contra os irmãos Ciro e Cid Gomes. Se foi eleitoreira, o tiro vai sair pela culatra. Pois que se Ciro perder votos, eles vão para Lula e um tanto, talvez, para Moro.)

 Nelson Merlin é jornalista aposentado, desocupado e adivinho. 

16/12/2021

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