O que não está lá

“No engano por desinformação ativa, a ilusão é positiva. A discrepância entre realidade e aparência consiste em induzir um organismo a ver coisas, a formar imagens deturpadas ou a distrair-se momentaneamente. A perceber algo, em suma, que não está lá”. Continue lendo “O que não está lá”

A nova velha política

Política no Brasil sempre foi personalista e, não raro, os partidos políticos são satélites girando em torno de personas. O PTB de Getúlio Vargas, o PDT de Leonel Brizola, o PMDB de Ulysses Guimarães são alguns exemplos. Mas nesse quesito o Partido dos Trabalhadores é imbatível: sem Lula o PT não respira. O horário eleitoral dito gratuito no rádio e na TV é só mais uma prova disso. Continue lendo “A nova velha política”

Tragédia em agosto, incerteza em outubro

A manchete da The Economist de 16 de agosto foi simples: “Tragic August, uncertain October “.

Não é a primeira vez que o mês de agosto nos machuca, assim como não é a primeira vez que outubro se aproxima com sua carga de incertezas, medo e campanhas irritantes, “sempre mais do mesmo”. Continue lendo “Tragédia em agosto, incerteza em outubro”

Na democracia petista, a censura está de volta

O jornal baiano A Tarde resolveu nos levar de volta aos dias grotescos da CENSURA. Com uma diferença: se a censura, na época da ditadura militar, tinha caráter político-ideológico (por mais estúpido e cretino que fosse), a onda de censura agora promovida por A Tarde diz respeito unicamente a interesses financeiros da empresa. Continue lendo “Na democracia petista, a censura está de volta”

Enchente amazônica

“Pois transbordando de flores / a calma dos lagos zangou-se / a rosa dos ventos danou-se / o leito dos rios fartou-se / e inundou de água doce / a amargura do mar / numa enchente amazônica / numa explosão atlântica…”

Assim é o Brasil: há um Chico Buarque para cada situação. Continue lendo “Enchente amazônica”

E se…

E se…

Dizem que a morte é a única certeza da vida. E não há crença, ciência ou lógica capaz de explicar seu egoísmo em tragar talentos que fariam diferença entre os vivos. Poderosa, orquestra mudanças radicais e reina absoluta entre o condicional, os inevitáveis “se” que mudariam a história caso ela não tivesse se metido. Continue lendo “E se…”

‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’

We are such stuff as dreams are made on.
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, scene 1

Temos sofrido golpes fundos em nossa vida política, golpes terríveis, como o suicídio de Getúlio; os 20 anos de ditadura; a morte de Tancredo; o desastre que matou Ulysses Guimarães; as mortes de jovens lideranças, como Luís Eduardo Magalhães e Marcelo Déda. Continue lendo “‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’”

Sobre fraudes e farsas

Certeza da impunidade, ingenuidade, burrice. Por mais que se tente, não há explicação plausível para o fato de alguém, em um computador do Palácio do Planalto, incluir trechos mentirosos e aviltantes nos perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia. E será preciso mais do que emitir notas oficiais de repúdio e arranjar aloprados para que a Presidência da República consiga se safar. Continue lendo “Sobre fraudes e farsas”

Vai encarar o voto nulo?

Esta é a terceira eleição majoritária que acompanho aqui no Blog do Noblat (*). Nas vésperas da primeira que acompanhei, a de 2006, Verissimo encerrou uma crônica em O Globo com este delicioso comentário: “(…) não deixa de ser divertido – no nível da caricatura mais primária, da pantomima para criança – ver o desespero da nobreza inconformada com a evidência de que o barbudo mal nascido vai ficar, outra vez, com a princesa”. Continue lendo “Vai encarar o voto nulo?”

Os dialetos

Se os linguistas se dedicassem ao estudo da linguagem dos signos aplicada à política poderíamos descobrir resultados surpreendentes, como a insuspeitada distância que existe entre significado e significante nesse estranho dialeto politiquês Continue lendo “Os dialetos”

Xô!

Dilma Rousseff acertou no diagnóstico: o pessimismo está no ar.

Também pudera. Só hienas, acostumadas a rir de sua própria desgraça, alimentariam sentimento distinto diante da inflação alta que esburaca o bolso principalmente dos mais pobres, do crescimento pífio a sinalizar redução na oferta de emprego, de serviços públicos cada vez mais precários, da escalada da corrupção. Continue lendo “Xô!”