‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’

We are such stuff as dreams are made on.
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, scene 1

Temos sofrido golpes fundos em nossa vida política, golpes terríveis, como o suicídio de Getúlio; os 20 anos de ditadura; a morte de Tancredo; o desastre que matou Ulysses Guimarães; as mortes de jovens lideranças, como Luís Eduardo Magalhães e Marcelo Déda.

Fora fatos nefastos, como a poupança collorida, mensalão, Pasadena, ‘banco’ Youssef, o rosário é longo…

Será que os deuses não acham que isso basta? Tínhamos que perder um dos raros políticos que poderia vir a ser um norte para o Brasil?

Eduardo Henrique Accioly Campos, 49 anos, pai de cinco filhos, feliz no casamento com sua namoradinha de infância, filho e irmão muito amado, forte, inteligente, correto, perde a vida justo quando lutava pelos seus sonhos de um Brasil melhor.

No mesmo acidente morreram mais seis brasileiros: assessores de Eduardo, jornalistas e pilotos. Todos jovens. Um deles seria pai novamente em outubro.

Foi um golpe profundo na cidade do Recife, no estado de Pernambuco e no Nordeste do Brasil. E, portanto, no Brasil.

O momento é de luto e não de luta. A frase foi dita pelo senador Cristovam Buarque em entrevista a Alexandre Garcia, quando o jornalista lhe perguntou o que achava que iria acontecer agora tanto no PSB quanto na campanha.

Tem toda a razão o senador. É momento de luto, de dor, de voltar nossos pensamentos e orações para as famílias de Eduardo Campos e seus companheiros de viagem.

Mas, infelizmente, a roda da vida não pára e é necessário, chorando embora, refletir e decidir.

Nós, eleitores, não devemos esquecer o que Eduardo disse em suas entrevistas do dia 12 de agosto ao Jornal Nacional e à Globo News: Porque esse governo é o único governo que vai entregar o Brasil pior do que recebeu. Nós vamos estar pior na economia, pior na questão da violência, pior na logística, pior na relação externa com o resto do mundo.

Foi na véspera de morrer, nessas entrevistas, que Eduardo começou verdadeiramente sua campanha, com um discurso que há muito esperávamos da oposição: dizer o que precisa ser dito e não tatear o terreno, com medo de desagradar os poderosos.

Marina Silva, muito abatida, pouco falou anteontem. Mas o que disse levou-me a rever meu receio quanto a ela e a torcer para que o PSB se una em torno de seu nome: Foram dez meses de intensa convivência em que começamos a fiar juntos a esperança de um mundo melhor e mais justo, destacou a candidata ao se referir a Eduardo.

Fiar juntos.

Para o povo não desistir do Brasil, conforme apelo de Eduardo, é preciso que os sonhos tecidos por Eduardo e Marina para um mundo melhor e mais justo se tornem realidade a partir de outubro.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 15/8/2014. 

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