Tragédia em agosto, incerteza em outubro

A manchete da The Economist de 16 de agosto foi simples: “Tragic August, uncertain October “.

Não é a primeira vez que o mês de agosto nos machuca, assim como não é a primeira vez que outubro se aproxima com sua carga de incertezas, medo e campanhas irritantes, “sempre mais do mesmo”.

Os golpes foram sempre profundos, mas nenhum nos levou um político tão jovem, um futuro brilhante pela frente e a cabeça e o coração voltados para o Brasil. Eduardo Campos é insubstituível.

Não compreendi ainda muito bem qual o caminho que Marina Silva, a candidata a vice de Eduardo, pretende trilhar. Ao mesmo tempo em que nos afiança que não deixará de honrar as bandeiras fiadas por ela e Eduardo, tem se deixado levar mais pela Rede, partido que ainda não é, que pelo PSB, partido sem o qual ela não seria candidata.

Mas depois de dois dias de debates acirrados, com algumas consequências amargas e ainda imprevisíveis, leio que Luiza Erundina, política muito próxima de Marina, será a nova coordenadora de sua campanha, e isso renovou minha esperança. A ver…

A campanha de Marina ainda não começou, por óbvio. Dedico-me então às campanhas de Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Dona Dilma diz logo a que vem: tenta a quarta reeleição de Lula. É essa a minha conclusão ao ver que ela não fala do que fez em seu governo, mas do que Lula fez nos dois governos dele.

São obras iniciadas nos governos Lula e inacabadas até hoje. O Pai do PAC deixou tudo gestado, como compete aos pais, mas a Mãe do PAC não soube levar as gestações a bom termo. Falar na Integração do São Francisco (a palavra agora é integrar, transpor já era…) me deixou envergonhada pela presidente…

Mais valia ser sincera e falar do sucesso que foi o Porto de Mariel em Cuba.

Já Aécio Neves, no programa de ontem, apresentou-se de maneira simples e objetiva. Falou que escolheu parceiros de escol para reerguer Minas Gerais, que encontrou despedaçada, e lembrou que, por ser impossível resolver tudo em tão pouco tempo, escolheu se dedicar à Educação. Sábia escolha: essa é a chave de tudo. Fala bem, o que é bom para nossos ouvidos tão maltratados ultimamente.

E fez uma bela rima para definir seu governo: decência e eficiência.

Li críticas ao fato de ele não mostrar FHC. E precisa? O governo em MG foi dele e não de Fernando Henrique. Está aí a grande diferença entre ele e dona Dilma.

Mas eu queria que os candidatos nos dissessem com quem pretendem governar. Quais serão as cabeças que governarão com eles.

Para votar com fé, é preciso que o brasileiro acredite em quem vai segurar o leme nos próximos quatro anos.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 22/8/2014. 

Um comentário para “Tragédia em agosto, incerteza em outubro”

  1. Um país socialmente justo, economicamente próspero, culturalmente
    diverso, ambientalmente equilibrado e politicamente democrático será nossa
    melhor contribuição ao mundo e à humanidade.

    Eduardo e Marina

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