A onda revisionista sobre o papel de Stalin adquiriu visibilidade no Brasil em setembro, a partir de uma entrevista de Caetano Veloso ao programa de Pedro Bial, quando o compositor disse não ser mais um “liberalóide”. O maior nome da tropicália mudou seu juízo de valor sobre o socialismo a partir da influência do youtuber e jovem marxista Jones Manuel. O professor da Universidade Federal de Pernambuco é o maior divulgador no Brasil da obra de Domenico Losurdo, filósofo italiano e principal teórico da “ressurreição” de Josef Stalin. Continue lendo “O ano em que Stalin ressuscitou”
Os brasileiros impediram o pior
Um ano tão grave e amargo como o de 2020 faz acelerar a contagem regressiva, aumentar a ansiedade e alimentar expectativas para o tempo vindouro. Mas a virada, mesmo com reza, fé e todas as mandingas, não é capaz de fazer milagres: 2021 começará com o mesmo presidente Jair Bolsonaro – bronco, negacionista, irresponsável -, com crises econômica e social ainda mais agudas, e sem vacina para fazer o país se reerguer. Continue lendo “Os brasileiros impediram o pior”
O inimigo comum
A história é cheia de exemplos nos quais adversários tidos como irreconciliáveis deixam suas diferenças de lado e se unem para combater o inimigo comum. O caso mais célebre foi a aliança entre Stalin e Churchill, na Segunda Guerra Mundial. No Brasil temos o exemplo da ampla frente democrática que levou à superação da ditadura militar e permitiu ao país ingressar no mais longo período de sua história sem interrupção da democracia. Continue lendo “O inimigo comum”
A mentira como método
Que o presidente Jair Bolsonaro é um mentiroso profissional ninguém mais discute. Não pairam dúvidas quanto ao valor de suas palavras, que, quando muito, beiram moedas de 3 centavos. Mas em sua live semanal, na última quinta-feira, ele surpreendeu até os aliados mais fiéis. Jogou no lixo a dignidade – se é que ela existe – do ministro Kassio Nunes Marques, indicado por ele para o STF, e desencadeou uma nova crise com a Câmara, à beira da sucessão de Rodrigo Maia. Continue lendo “A mentira como método”
A guerra de Bolsonaro contra a Coronavac
Poucos países do mundo têm condições de absorver a tecnologia da indústria farmacêutica e ter produção própria da vacina contra a Covid-19. A esmagadora maioria dependerá da importação para imunizar sua população. O Brasil faz parte do seleto grupo que conta com centros de excelência como a Fundação Fiocruz e o Instituto Butantã. O segundo está envolvido no desenvolvimento de uma vacina – a Coronavac – prestes a estar disponível para a aplicação. Continue lendo “A guerra de Bolsonaro contra a Coronavac”
Qual é a do Bolsonaro? Você sabe?
Não consigo compreender qual é a intenção do Bolsonaro. O que ele diz ao seu público chega a ser difícil de compreender. Não é que ele fale com a linguagem empolada e arcaica do Ernesto Araújo. Não, ele fala como um sujeito que nem sequer cursou o ginasial. O difícil está no miolo de suas palavras, que são absolutamente amalucadas. Continue lendo “Qual é a do Bolsonaro? Você sabe?”
O PT pró-Bolsonaro
Depois de incinerar os valores éticos que dizia encarnar, azeitar parcerias com o diabo, dilacerar o Estado e dinamitar a própria esquerda que se arvorou em liderar, o Partido dos Trabalhadores ensaia mais uma crueldade. Fiel da balança na eleição para presidente da Câmara dos Deputados, o PT pode coroar a primeira vitória política do presidente Jair Bolsonaro no Parlamento. Continue lendo “O PT pró-Bolsonaro”
A volta dos tucanos
O PSDB está de alma lavada com a vitória de Bruno Covas em São Paulo, depois de ter sido derrotado nas urnas em 2018, quando teve apenas 4,7% dos votos no pleito presidencial. Agora volta a se posicionar no tabuleiro, iniciando um movimento de deixar para trás os dias em que se confundiu com o antipetismo raivoso e mergulhou nas águas da antipolítica. Nascido como um partido de centro-esquerda, guinou perigosamente para a direita a partir de 2014 a ponto de, quatro anos depois, deixar se confundir com o bolsonarismo. Continue lendo “A volta dos tucanos”
Rachadinha não é crimezinho
A primeira obrigação é dar nome aos bois: rachadinha é um apelido simpático para desvio de dinheiro público, peculato no juridiquês. Em geral, a apropriação indébita de proventos de funcionários – fantasmas ou não – também está intimamente ligada à lavagem de dinheiro, esquema que o delinquente forçosamente cria para encobrir a origem da bufunfa garfada. Não raro, associa-se à organização criminosa devido à necessidade de estruturar e comandar redes azeitadas de coleta e de ocultação do delito. Continue lendo “Rachadinha não é crimezinho”
A carta-rolha do PT
Maior perdedor ao lado de Jair Bolsonaro, o Partido dos Trabalhadores sai do segundo turno das eleições municipais em meio a um transtorno semelhante ao do antigo PCB, quando veio à luz o famoso Relatório Khrushchov sobre os crimes de Stálin. À época, comunistas não se entendiam e cada cabeça era uma sentença. A crise de identidade foi de tal ordem que, em reunião da direção do Partidão, Carlos Marighella caiu em choro compulsivo, sem conseguir articular coisa com coisa.
Os Bolsonaros
È uma família estranha essa que ocupa o Planalto Central. Tiveram a sorte de receber o governo do Brasil, ocuparam todos os espaços disponíveis, mas abriram mão do dever de governar o país. Não sei se é por preguiça – governar um país deve ser uma trabalheira de louco – ou se é apenas porque ao pegar o leme perceberam que este é um gigante adormecido que lhes é mais útil quietinho em seu canto. Continue lendo “Os Bolsonaros”
2022 é só em 2022
O PT do ex Lula e o presidente Jair Bolsonaro perderam feio. O centro avançou, a abstenção bateu recordes. Mas, para além do óbvio, será necessário ultrapassar a fase das análises apressadas, algumas absolutamente irresponsáveis, para entender as motivações do eleitor e suas variáveis. Continue lendo “2022 é só em 2022”
Barrados no baile
Menos de uma semana depois dos resultados da estreia do fim das coligações para a eleição de vereadores, pequenos partidos, apoiados por grandes siglas interesseiras, iniciaram um movimento para banir a proibição. Querem restabelecer as antigas regras para driblar as cláusulas de barreira, ter acesso ao Fundo Partidário e direito a horário de rádio e televisão mesmo sem o desempenho mínimo definido, por emenda constitucional, em 2017. Mas nem falam em aprimorar o combalido sistema eleitoral do país, que continua sem oferecer opções de aproximação entre o eleitor e o eleito. Continue lendo “Barrados no baile”
O poder civil e a questão militar
Encontra-se no escaninho do Congresso a Política (PND) e a Estratégia (END) Nacionais de Defesa, documentos fundamentais para o planejamento e execução das atividades voltadas à defesa do País, desde o recrutamento aos acordos internacionais. Infelizmente deverá fazer caminho semelhante ao de sua versão anterior, de 2016, que só foi aprovada depois de dois anos, sem qualquer debate na Casa e sem a realização de audiências públicas, já no apagar das luzes do governo Michel Temer. Continue lendo “O poder civil e a questão militar”
Um país à deriva
Não temos um governo que nos governe ou que ao menos saiba o que é governar um país. Que pelo menos saiba quem escolher para administrar esta ou aquela pasta. Pior: o governo Bolsonaro escolhe o que há de pior, por simplesmente não conhecer o melhor. Continue lendo “Um país à deriva”
