Riocentro às avessas

Quiseram repetir o Riocentro e se deram mal. Em 30 de abril de 1981 a bomba explodiu no colo de um dos dois militares à paisana que estavam dentro de um Puma estacionado em frente ao centro de convenções no Rio de Janeiro. O que estava manuseando a bomba morreu despedaçado na hora e o outro, que estava na direção, foi levado em estado gravíssimo para o hospital. Continue lendo “Riocentro às avessas”

Vocacionados para a política

Em janeiro de 1919 Max Weber, um dos três autores fundamentais da sociologia, ao lado de Émile Durkheim e Karl Marx, proferiu para estudantes da Universidade de Munique a conferência intitulada “A política como vocação”. Um ano depois seu texto foi publicado, tornando-se um marco do pensamento sociológico moderno. Weber classificou os políticos em dois tipos: os que viviam da política e os que viviam para a política. Continue lendo “Vocacionados para a política”

Com o pé esquerdo

Boa parte das pessoas se sente envergonhada ou no mínimo constrangida quando não faz o que diz, descumprindo promessas ou compromissos firmados. Na política, a regra é o inverso. Contam-se nos dedos aqueles que honram a palavra empenhada – mão que não inclui nem o presidente da República que sai nem o que entra na próxima semana. Jair Bolsonaro encerra seu período no sentido avesso ao prometido, estimulando ações golpistas e sem impor a propagandeada agenda liberal, e Luiz Inácio Lula da Silva provoca desconfianças antes mesmo de assumir. Continue lendo “Com o pé esquerdo”

Estertores

Com o abandono do emprego no Palácio do Planalto, a recaída da depressão pós-parto das urnas eletrônicas e a total falta de coragem de dizer à sua manada que deixe os quartéis em paz, porque não vai ter golpe, o presidente ora em processo de despejo demonstra de forma dramática o que espera para o pós-Réveillon. Continue lendo “Estertores”

Camilo ministro

Governadora do Ceará em fim de mandato, Izolda Cela tinha todas as credenciais para ser ministra de Educação. Seu nome está ligado às reformas educacionais do Ceará, responsáveis por levar o ensino fundamental do Estado a dar um salto no ranking nacional. Hoje 87 das 100 escolas do ensino fundamental com melhor desempenho são cearenses. Continue lendo “Camilo ministro”

Fétidos poderes

As relações entre os poderes Executivo e Legislativo costumam ser pouco ou quase nada republicanas. Não raro, mal cheirosas. Por aqui, o toma lá dá cá começou ainda no Império e funciona a todo vapor desde a Velha República. O tempo passou, o mundo mudou, e as moedas continuam as mesmas: farta distribuição de cargos e de dinheiro público. É esse binômio podre e o poder que ele confere aos seus operadores que estão por trás de toda a celeuma envolvendo o acintoso orçamento secreto, a PEC da Transição, as mudanças na Lei das Estatais e a formação do novo governo. Continue lendo “Fétidos poderes”

Estado terminal

É chocante o relato feito pelo vice-presidente eleito Geraldo Alkmin sobre o estado de coisas encontrado por ele e a equipe do governo de transição, após um mês de busca de informações e documentos da gestão que dá seus últimos suspiros no Planalto Central. Alkmin foi governador de São Paulo por três mandatos não consecutivos, fora o período em que passou de vice a titular com a doença e morte de Mario Covas no início de 2001. Fala com conhecimento de causa, a experiência e seriedade que o tornaram um fenômeno político e administrativo sem paralelo desde a chegada dos portugueses a estas terras. Continue lendo “Estado terminal”

Uma voz sem moderação

O Brasil saiu das urnas dividido ao meio. A solenidade de diplomação de Lula e de Geraldo Alckmin era uma oportunidade para o novo presidente acenar para a pacificação nacional. O discurso escrito que tinha em suas mãos parecia ir nessa direção. Mas Lula resolveu ignorar a peça escrita por várias mãos e partiu do improviso. Sua oratória inflamada pode ter agradado ao seu eleitorado cativo, mas só serviu para perpetuar a polarização que vem fazendo da política brasileira um verdadeiro campo de guerra. Continue lendo “Uma voz sem moderação”

Mula sem cabeça

Desde que o tagarela perdeu a língua, as hostes estão mais perdidas que gado sem cachorro. Os quartéis não lhes dão ouvidos, os alienígenas não comparecem e o capitão entra mudo e sai calado dos parcos eventos militares que ele se digna, digamos, a prestigiar. Nessa altura do campeonato, a pouco mais de 15 dias da entrega da rapadura, não sei se os prestigiados continuarão interessados em ser desprestigiados por aquele que se converteu, por sua livre escolha, em fósforo riscado. Continue lendo “Mula sem cabeça”

O odioso preço da governabilidade

Na próxima quarta-feira o STF volta a se debruçar sobre as emendas do relator, vulgo orçamento secreto. Abjeto, imoral e inconstitucional, o arranjo que permite distribuir bilhões dos impostos dos cidadãos sob o cobertor do anonimato é tratado com impressionante normalidade no meio político. Por criadores e beneficiários – o presidente Jair Bolsonaro e os parlamentares do Centrão sob o comando do presidente da Câmara Arthur Lira -, e pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. No caso de Lula, a promessa feita na campanha de detonar o mecanismo morreu na praia da governabilidade, em nome da qual o país, há décadas, institucionaliza absurdos. Continue lendo “O odioso preço da governabilidade”

O prazer de remar contra a maré

Fiquei profundamente, apatetadamente triste com a eliminação do Brasil na Copa do Mundo do Catar. Ao mesmo tempo, vi que estava tendo reações completamente diferentes das de boa parte das pessoas. E, diacho: não acho ruim essa coisa de remar contra a maré, não. De forma alguma. Continue lendo “O prazer de remar contra a maré”