Audiência em baixa, riscos em alta

Nem o ar de profeta (de araque) – “…nos próximos dias vai acontecer algo que vai salvar o Brasil” -, ensaiado para os cativos do cercadinho do Alvorada, nem a mais recente bateria de “denúncias” de que o Exército teria encontrado “dezenas de vulnerabilidades” nas urnas eletrônicas funcionaram. Ambos movimentos do presidente Jair Bolsonaro tiveram repercussão baixíssima. Por um lado, é salutar que não se faça grande eco às suas sandices. Por outro, é um perigo. Deixa-se o monstro à solta para continuar a mentir, difamar as instituições e minar a democracia. Metodicamente. Continue lendo “Audiência em baixa, riscos em alta”

Cadê a Boa Notícia?

A semana foi bem pesada em matéria de notícias ruins.

Na quarta-feira, mais de 300 deputados votaram a favor do Pacote do Veneno – é como tá sendo chamado o projeto que muda as regras do uso de substâncias que combatem as pragas das lavouras. Mudaram nome de agrotóxico para pesticida, para minimizar o impacto, e mandaram bala. Continue lendo “Cadê a Boa Notícia?”

Degradação acelerada

Já era visível a olhos nus a brutal explosão de moradores de rua nos grandes centros urbanos. Bastava olhar para as barracas instaladas nas praças e calçadas das cidades ou ler os cartazes de papelão – verdadeiros outdoors da fome – expostos nas mãos de pessoas em condições de vulnerabilidade, postadas nos semáforos das avenidas. Ou observar as filas de famílias recebendo “quentinhas”, pratos de comida embalados num pedaço de papel alumínio, distribuídas nas ruas por entidades sociais. Continue lendo “Degradação acelerada”

Federação, o jeitinho da vez

O Supremo Tribunal Federal deve decidir nesta semana o futuro das federações partidárias, novidade introduzida pelo Parlamento para driblar a cláusula de barreira – que impõe critérios de representatividade mínima aos partidos políticos – e o fim das coligações proporcionais. Ainda que contenha méritos, a nova regra, judicializada antes da estreia, resulta do improviso e açodamento do Congresso, que altera a legislação eleitoral com mais frequência do que o eleitor troca de roupa.  Continue lendo “Federação, o jeitinho da vez”

Sem liberdade não há educação

Na semana que marca o início do ano letivo no Brasil, a Procuradoria-Geral da República denunciou ao Supremo Tribunal Federal o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pelo crime de homofobia. Em entrevista ao Estadão, o ministro declarou que a homossexualidade não é normal e a atribuiu a “famílias desajustadas”. Na mesma linha agrediu o magistério ao afirmar: “ser hoje professor é ter quase uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”. Não satisfeito, foi além e negou qualquer colaboração do MEC com o redes de ensino no enfrentamento dos reflexos da pandemia. Continue lendo “Sem liberdade não há educação”

Dias piores virão

Depois de três anos sob a presidência de Jair Bolsonaro, há apenas uma certeza: tudo sempre pode piorar. Agora, não apenas ele, que abriu a campanha pela reeleição no dia da posse, mas também seus auxiliares aumentam o tom das imbecilidades. Buscam consolidar candidaturas regionais patrocinando um campeonato de sandices que seria até risível, não fosse nefasto, abominável, acintoso. Continue lendo “Dias piores virão”

“O Senhor é uma Farsa”

A frase acima está bombando nas redes sociais desde a última segunda-feira quando Hadassa Gomes, uma estudante de 19 anos, foi enfrentar o presidente no cercadinho e, depois de citar um trecho da Bíblia que Bolsonaro andou recitando por aí – “conhecereis a verdade é a verdade vos libertará” -, completou: “A verdade é Jesus, a verdade é justiça, a verdade é honestidade. E sabendo disso dá pra considerar que o senhor é uma farsa, presidente”. Continue lendo ““O Senhor é uma Farsa””

Chico Buarque cancela a arte – e a História

Durante um bom tempo da minha juventude e do início da maturidade, ali entre os 16 e os 40, meus maiores ídolos musicais foram Bob Dylan e Chico Buarque de Hollanda. Não que não sejam mais meus ídolos, agora na velhice; de forma alguma. Continuam sendo, sim, e não deixarão de ser nunca – mas é que, depois de velho, deixei de colocá-los assim numa posição mais alta, e os botei junto com os outros tantos. Continue lendo “Chico Buarque cancela a arte – e a História”

As crianças contra o dragão da maldade

Exatamente no momento em que o desgoverno do Capitão das Trevas fez o que talvez seja o mais patético de todos os seus gestos a favor do coronavírus – a divulgação da “nota técnica” dizendo que o kit covid é eficaz e a vacina, não –, milhares e milhares e milhares de crianças saíam alegrinhas dos postos de vacinação Brasil afora, e os pais, orgulhosos, aliviados, felizes, publicavam suas fotos nas redes sociais.

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Os camarões e as eleições

O presidente da República engoliu nas férias um camarão sem mastigar e teve o intestino entupido. Eu e um cirurgião gastroenterologista muito meu amigo ficamos admirados, ele mais do que eu, com a explicação do cirurgião oficial do paciente. Como é que pode um camarão pistola passar inteiro pela goela do indigitado, atravessar incólume seu estômago e aninhar-se entre uma volta e outra do intestino, não se sabe se na parte de cima ou já lá embaixo? Não há registro nos anais (ops) da medicina de um caso tão extraordinário. Continue lendo “Os camarões e as eleições”

O elefante na sala

Eles são um terço dos brasileiros e representam o maior fenômeno de massas dos últimos quarenta anos. Resultado do êxodo rural e do processo de transformação do Brasil de uma sociedade agrária para essencialmente urbana, os evangélicos são, na sua grande maioria, pretos ou pardos e pobres. Vivem nas periferias dos grandes centros, onde o Estado é ausente, em situação de vulnerabilidade e incertezas. Continue lendo “O elefante na sala”

Ano Novo, Bolsonaro velho

A defesa da não obrigatoriedade de vacinação das crianças para a matrícula escolar reúne todos os ingredientes para virar a nova polêmica a ser insuflada pelo presidente Jair Bolsonaro, cujo estoque de conflitos anda repetitivo, insuficiente para mobilizar até o seu público mais fiel. Continue lendo “Ano Novo, Bolsonaro velho”

A Vida x A Morte

Parece que agora a coisa ficou assim, neste alvorecer de 2022: quem é tarado por vacina e pela vida vota em outubro a favor da democracia, quem é tarado pela morte e antivacina vota pelo Napoleão de hospício, contra a vida e a democracia. Eu sou tarado por vacina, tomei três doses e podem mandar a quarta e a quinta que aceito. Continue lendo “A Vida x A Morte”