A Vida x A Morte

Parece que agora a coisa ficou assim, neste alvorecer de 2022: quem é tarado por vacina e pela vida vota em outubro a favor da democracia, quem é tarado pela morte e antivacina vota pelo Napoleão de hospício, contra a vida e a democracia. Eu sou tarado por vacina, tomei três doses e podem mandar a quarta e a quinta que aceito.

Também já tenho meu candidato: primeiro, qualquer um que seja contra o tarado antivax; segundo, entre esses aquele que tiver o melhor programa de governo para dar rumo a uma nação desnorteada, não só na Economia mas em todas as outras frentes de governo.

A polarização de 2022 é entre a vida e a morte. Ninguém tem o direito de contaminar os outros. Então, se uns não querem a vacina que fiquem dentro de casa e não saiam para nada. São a favor da doença e da morte, então que se isolem. A sociedade quer a saúde e a vida. Não existe o direito de matar. O que existe é o direito de viver, e viver inofensivamente.

No começo da pandemia, quando não havia vacina, o isolamento era em defesa da vida. Hoje, com vacina, o isolamento deve ser para que os que não se vacinam não contaminem os outros. Por isso não podem entrar em restaurantes, bares, lojas, cinemas, museus etc, e não deveriam ser admitidos no transporte público. Em vários países, como Portugal, se forem pegos andando nas ruas pagam multa e os reincidentes são presos. Quebec, no Canadá, vai mais longe: os não vacinados vão pagar um imposto de saúde pública, não terão tratamento médico grátis e, certamente o pior de todos os castigos, não poderão comprar bebida alcoólica e maconha nas lojas autorizadas! Resultado: filas já dão voltas nas calçadas dos postos de vacinação.

Noventa por cento das mortes por covid nos hospitais estão ocorrendo entre os não vacinados. As vacinas funcionam, e os antivax não se conformam. Preferem se matar. Não quero dizer com isso que todos os que morrem são antivax, mas uma parte considerável é e seus familiares estão pagando o preço, já que os mortos não se importaram.

Em breve teremos de fazer escolhas cruciais. A minoria antivax que não morrer nos hospitais ou em casa terá de ficar em isolamento até comprovar que se curou. Para isso terá de ter um comprovante do diagnóstico e um comprovante da cura. Não vão escapar disto, que vão chamar de ditadura, mas não é. Terão de prestar contas de sua doença e seu descaso à sociedade, que quer a vida e a segurança e não a contaminação e a morte.

Os vacinados já fazem isso, exibindo seus comprovantes de vacinas nos locais que exigem a apresentação. Só teremos isolamento para todos, como no início da pandemia, se as mutações do vírus escaparem das vacinas existentes. Até agora, todas as vacinas têm mostrado eficiência para todas as variantes, inclusive a Ômicron. De modo que somente os párias terão de se isolar.

O vírus não é uma brincadeira para polemizar nas redes sociais. O vírus é letal (não importa se menos) e a nova variante é 30 vezes mais transmissível que a anterior. Exige o máximo cuidado por parte da população. No nosso país o cuidado deve ser ainda maior do que em todos os outros, pois aqui temos um presidente e um ministro da Saúde que boicotam as vacinas. Não há similares no mundo. O da Áustria é um exemplar da extrema direita até pouco atrás louvado pelos antivax do Palácio do Planalto. Quando impôs a obrigação da vacina em seu país, as vozes dos que aqui o defendiam se calaram. Como se calam agora que o presidente da Anvisa chamou o presidente da republiqueta bolsonarista para o ringue.

Não é possível debater com essa turma. Desde já me pronuncio contra debates eleitorais com a presença do Napoleão de hospício. Não creio em democracias que se curvam a tarados pela morte, a Neros e Hitlers reencarnados por um erro na seleção reencarnatória. Temos ao menos 20% da população que vota neles. É muita gente. E para essa gente as democracias não devem servir pratos doces, mas o gosto amargo da exclusão.

Nelson Merlin é jornalista aposentado, desocupado e sem mais paciência .

13/1/2022

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