“O Senhor é uma Farsa”

A frase acima está bombando nas redes sociais desde a última segunda-feira quando Hadassa Gomes, uma estudante de 19 anos, foi enfrentar o presidente no cercadinho e, depois de citar um trecho da Bíblia que Bolsonaro andou recitando por aí – “conhecereis a verdade é a verdade vos libertará” -, completou: “A verdade é Jesus, a verdade é justiça, a verdade é honestidade. E sabendo disso dá pra considerar que o senhor é uma farsa, presidente”.

Na verdade acho que a moça quis dizer que ele é um falso, que nada do que prega ele emprega no seu dia-a-dia desde que assumiu o posto.

Que ele está muito longe da verdade quando tenta encobrir as falcatruas da sua família, movendo os pauzinhos na PF ou na PGR para que não investiguem sua turma.

Está muito longe da “honestidade” que levou muitos brasileiros a votarem nele acreditando que esse, sim, acabaria com a corrupção e com as jogadas políticas onde se vende até a mãe para conseguir seus intentos.

Mas ela não está de todo errada.

E nesta quinta ele provou que Hadassa e o dicionário têm razão. Tá escrito lá. Farsa: Pequena peça cômica popular de concentração simples, e de ação trivial ou burlesca, em que predominam gracejos, situações ridículas, etc. Narração que provoca o riso.

Pois Jair Bolsonaro é exatamente isso. No cercadinho, sempre no cercadinho, ele tenta fazer graça clicando no áudio do programa A Praça é Nossa onde um tal Paulinho Gogó conta a piada de um velho na Academia querendo saber que aparelho deveria usar para conquistar uma “gostosa” que estava lá. O instrutor lhe indica o caixa eletrônico que está no corredor.

Além de a piada ser de extremo mau gosto, dá vergonha ver um chefe de nação se prestando a gravar uma babaquice dessas para mostrar pro seu gado.

O bufão ria às largas enquanto o áudio rolava. Aí me lembrei de uma outra velha anedota já contada aqui em outras ocasiões. Vou só reproduzir a frase que faz dela uma piada e que faz dele o idiota que é: “Que vergonha do Varte”.

Mas o que se poderia esperar de uma pessoa que enterra a mãe e vai a uma casa lotérica em seguida, pra fazer proselitismo? Nem o mais populista dos populistas chegaria a tanto. No máximo um café na padaria com os presentes que acompanharam o féretro, em sinal de agradecimento.

Fica parecendo que essa perda foi muito menos importante do que a perda do seu guru, Olavo de Carvalho.

O negacionista que morreu de Covid lá nos Estados Unidos e que ajudou a enterrar muitos brasileiros que acreditaram na sua filosofia de meia tigela, foi prestar contas aos superiores (ainda não sabemos se foi pro andar de cima ou o de baixo)), neste 24 de janeiro.

Assim que foi divulgada a notícia começou uma enxurrada de memes e de comentários por parte dos que defendem a ciência e que se sentem indignados com os males que sua ignorância provocou em relação à única forma de enfrentarmos o vírus: a vacina.

Do outro lado, militontos começaram a pedir que a Igreja Católica canonize Olavo de Carvalho. Detalhe: esse movimento é liderado por um psicopata, digo, psiquiatra bolsonarista. Juro que ri quando li isso e ainda não parei. Seria o primeiro santo bocudo da paróquia.

Não sabemos se Bolsonaro concorda com a ideia da canonização, mas chega perto. Em mais um ato acintoso para com a maioria dos brasileiros, que viam Olavo de Carvalho como um insano oportunista, decretou luto oficial no dia da sua morte.

Poderia usar aqui uma das palavras do “vasto e singelo” repertório do filósofo de araque pra expressar o que sinto em relação a esse ato, só que escolhi não baixar o nível.

Mas confesso, estou em cócegas, me segurando! (Bom, vá! Um pequepêzinho não vai ferir ninguém.)

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 28/1/2022. 

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