Daqui a pouco ninguém mais terá a caligrafia de nossas mães. Aquelas letras claras e bem elaboradas contornando nossa admiração de filhos. Como desenhar as palavras como elas?, esse era o desafio. Na escola bem que tentávamos, diante do carinho e da paciência das professoras do primário. Continue lendo “Boa letra”
O lugar de ser inútil
Fernando Pessoa disse que “o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.” Manoel de Barros diz que o poeta é um vidente, vê coisas que não existem. Poeta é o sujeito que inventa. Continue lendo “O lugar de ser inútil”
A lição do juiz poeta
Na tevê, o jornalista quer saber de Carlos Ayres Britto, ex-ministro e presidente do STF, qual a sua opinião sobre o propagado conflito entre o Congresso e o Supremo. Com sua tranquila serenidade, que os brasileiros atentos já se acostumaram a admirar, ele joga toalha fria nos que apostam em confronto. Continue lendo “A lição do juiz poeta”
Zeladoria Gramatical
O grito da sirene morre em uma freada brusca. A equipe desce do carro e invade o restaurante, com a autoridade da fiscalização. “Aqui está tudo certo, casa limpa, alimentos frescos, higiene absoluta” – defende-se o dono. “Sim”, diz o fiscal. “Mas o senhor está preso e vamos enforcá-lo.” Continue lendo “Zeladoria Gramatical”
Quase não houve show
Eu tinha um show com o Geraldo Vianna e o Trio Amaranto, no Sesc Palladium, às 8 da noite do último domingo. Depois de uma tarde calma e alegre com filhos e netos, saí de casa com uma hora e meia de antecedência. Com o trânsito normal não demoraria 15 minutos para chegar ao destino. Continue lendo “Quase não houve show”
Construir, destruir
Semear, plantar, colher. Muita gente no mundo se esmera em construir, para si ou para outros. Formar uma família é um prazer e quase um dever para os que amam a vida e querem que ela prossiga de um jeito amoroso, pacífico e sempre renovador. Se existem tristezas em nossa existência, que ao menos não sejamos responsáveis por elas. Continue lendo “Construir, destruir”
O trem dos poetas
Poetas do mundo latino viajavam, de trem, da Cidade do México para Guadalajara. Eu estava no meio dessa festa. Trem, poesia e cerveja são combinação excelente. Pela primeira vez eu passara meu aniversário longe de casa, a bordo de um avião, no rumo da terra dos astecas. Continue lendo “O trem dos poetas”
O dia do leão
São as águas de abril prorrogando o verão ou adiando o céu azul de minha cidade? Não sou meteorologista, mas o fato é que a chuva, que andava por outras bandas, resolveu bater em nossas casas. Melhor que fosse no norte de Minas ou no nordeste, onde a seca está brava.
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Três livros
Não alcanço as palavras justas para dizer de minha admiração pela Vera Brant, minha prima querida. Sua casa é paraíso da inteligência, sensibilidade e amizade. Recebi pelo correio seu mais recente presente, um livro com sua correspondência com Alice Brant, pseudônimo de Helena Morley, autora da obra-prima Minha vida de menina. Continue lendo “Três livros”
O amor cresce e se estabelece
Os meninos crescem e o amor segue seus passos. A cada dia uma novidade. Aquele finge que não sabe falar, mas entende tudo e, por conforto, prefere esperar que os adultos lhes mostrem os objetos. Continue lendo “O amor cresce e se estabelece”
Os faraós do nosso tempo
O caminho que leva ao cemitério de Diamantina se chama avenida da Saudade. Ali eu assisti ao maior funeral dos meus tempos de menino, o do padre diretor do Seminário. Continue lendo “Os faraós do nosso tempo”
A ausência
Eu me lembro da primeira vez que o vi. Pequeno, pretinho, no colo dos meus filhos, que tinham ido nos buscar no aeroporto da Pampulha. Vínhamos de uma viagem para fora do Brasil e trazíamos forte, ainda, a dor da perda do Otto, basset-round que nos dera tanta alegria. Continue lendo “A ausência”
Francisco
Sentimento, todos sabemos, não se impõe. Fé, menos ainda. Ou temos ou não temos. Continue lendo “Francisco”
A importância do cachorro na cidade vertical
Não se trata de uma tese, daquelas acadêmicas. Caso contrário, haveria uma preposição no título da coluna (“Da importância do cachorro na cidade vertical”), as palavras e locuções “contudo”, “todavia”, “com efeito” seriam grafadas várias vezes. Haveria, claro, pelo menos cinco citações, três de autores estrangeiros, talvez até no original. Continue lendo “A importância do cachorro na cidade vertical”
Três estações
Sonhei que estava indo para Maracangalha, com o chapéu de palha, o linforme branco e a Nália de Dorival Caymmi. Acordei em Lisboa, com as meninas do Amaranto, flores amarelas do nosso sol, cantando coisas belas sobre o rio, o mar e a terra que amamos, regidos pelo talento de Geraldo Vianna. Fazia frio ou calor lá fora? Continue lendo “Três estações”
