Os benefícios da calacice

Já houve um mundo perfeito, um tempo em que a palavra “senhor” não saíra ainda do dicionário. E era impossível, na Cinemateca de João Bénard, pensarmos neles sem lhes juntar a então respeitável qualificação: o senhor Alberto e o senhor Gil. Eram mais unha com carne do que Jack Lemmon e Walter Matthau. Lemmon e Matthau dançaram juntos a rumba, foram jornalistas siameses em The Front Page, mas “buddy, buddy” foram, nas suas excelsas vidas, o senhor Alberto e o senhor Gil. Continue lendo “Os benefícios da calacice”

Sem fantasia

Carnaval e política sempre se misturaram. Nos desfiles com enredo social e em sambas-denúncia, nos bonecos e máscaras, nas marchinhas e paródias sobre escândalos e contra os caciques do momento. Tudo com bom humor e alegria. A diferença de uns tempos para cá é que a alegoria, própria dos dias de Momo, tomou conta da política 365 dias por ano. Quase todos metidos nela parecem viver no país da fantasia. Continue lendo “Sem fantasia”

As balas perdidas encontram crianças aqui no Rio

Há quem diga que o carioca está desligado de seu sofrimento. Não está, não. Quem está desligado de nosso sofrimento é o Governo Federal que não assumiu ainda as rédeas desta cidade. O Rio não pode continuar nas mãos deste desgoverno que promete tanto e nada faz. Continue lendo “As balas perdidas encontram crianças aqui no Rio”

O xadrez de Alckmin

A vida do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não está nada fácil. Com 8% nas pesquisas, não oferece, por enquanto, expectativa de poder. Carrega ainda o ônus do desgaste do PSDB, também afetado pela crise ética. E tem o fantasma de Luciano Huck a atormentá-lo, para não falar em Rodrigo Maia. Continue lendo “O xadrez de Alckmin”

Vi-lhes a alma

Não podemos ser todos Sócrates, pensou David E. Kelley, o produtor de Big Little Lies, pequena mini-série ovo, com clara televisiva e gema cinematográfica protegidas por robusta casquinha social. Não vi melhor este ano. Continue lendo “Vi-lhes a alma”

Nas mãos do Supremo

Eles não disputam votos, não têm número de inscrição, muito menos retrato nas urnas. Com togas e linguajar nem sempre compreensível para a maioria dos mortais, os integrantes do STF serão protagonistas determinantes nas eleições deste ano. Vão definir não só o destino do ex-presidente Lula, condenado em segunda instância a mais de 12 anos de prisão, mas de outras dezenas de políticos que gozam de privilégio de foro, tema pronto para entrar na pauta da Corte. Continue lendo “Nas mãos do Supremo”

O show de Trump

Não se pode negar: os americanos são craques em montar shows. O roteiro (ficção e realidade), a cenografia, os atores, o som, fica tudo perfeito. Assim foi o show, anteontem, para a transmissão do conhecido State of The Union, discurso anual que os presidentes americanos fazem para o plenário de seu Congresso. O objetivo é nobre: o presidente comenta o que aconteceu no ano anterior e declara quais suas intenções para o ano que começa. Continue lendo “O show de Trump”

Sangue nos olhos

A sarna revolucionária pequeno-burguesa, a que se referia o líder comunista Luís Carlos Prestes, está de volta. Após a condenação do ex-presidente Lula, o PT ensaia uma estratégia de ruptura institucional. Quer o nome do caudilho na urna eletrônica na lei ou na marra. A opção pela via extra institucional visa ainda a emparedar o Judiciário para Lula não ser preso. Continue lendo “Sangue nos olhos”

Lula estará nas eleições

Mesmo que por unanimidade, uma pena proferida em segunda instância permite diversos movimentos dos defensores de réus que podem empenhar fortunas para tal. Portanto, a banca de Luiz Inácio Lula da Silva, composta por oito advogados, vai correr atrás e até poderá colher algum sucesso em cortes superiores. Mas nada, nem o melhor causídico do planeta, conseguirá inverter os fatos que enlodaram em definitivo a biografia do ex-presidente. Continue lendo “Lula estará nas eleições”

Queda que os eleitores têm para os tolos

Acabo de ver a lista, que já vai longa, dos prováveis candidatos à Presidência da República do Brasil. Fiquei assustada. Passamos por tudo que passamos nestes últimos 15 anos e continua tudo na mesma? Não aprendemos nada? Caramba! Assim não é possível… Continue lendo “Queda que os eleitores têm para os tolos”

Quem dá o que tem no bolso…

Ela tira os óculos, que não por acaso lhe ficam bem, solta o cabelo apanhado, vira-se em valsa lenta, boca semiaberta, num sorriso que a ponta da língua interrompe tocando no canto direito do lábio superior. Distraído a abrir uma garrafa de “pretty good rye”, Bogart, que já estava a fazer conversa com ela há dez minutos, levanta a cabeça e, como se acabasse de ver nascer Vénus, solta o mais vivaldiano “hello” da história do cinema. Continue lendo “Quem dá o que tem no bolso…”

O dia seguinte

Ânimos exaltados de um lado e de outro, desvarios verbais, ansiedade alucinada pró e anti Lula. Se a próxima quarta-feira, data em que o TRF4 vai decidir a apelação do ex contra a sentença do juiz Sérgio Moro, promete emoções para todos os gostos – confusão, lágrimas e regozijo -, o dia seguinte já está traçado. Continue lendo “O dia seguinte”