Do bico de pena ao voto eletrônico

O Brasil percorreu uma longa trajetória até contar com um sistema de votação que hoje é referência mundial e plenamente confiável. Com o advento da República, ficou para trás o voto censitário do Império. Até então só tinha direito ao voto quem comprovasse determinada condição financeira. A Constituição de 1891 assegurou o voto universal masculino, estendido a maiores de 21 anos, excluindo-se analfabetos e mulheres, ou seja, a maioria dos brasileiros. Continue lendo “Do bico de pena ao voto eletrônico”

O dedo de Lira

Obsessão deletéria do presidente Jair Bolsonaro para semear dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, justificar e incitar os seus fiéis diante de sua provável derrota em 2022, o voto impresso teve seu pré-sepultamento anunciado na sexta-feira pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Por sua vez, no Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tratou de jogar uma pá de cal em outra bizarrice: as danosas mudanças no sistema eleitoral. Duas excelentes notícias resultantes de cálculo político após forte pressão. Continue lendo “O dedo de Lira”

O Plano Cohen de Bolsonaro

Governantes de índole totalitária não mentem de maneira desavisada ou inocente. Há sempre um objetivo por trás de suas falácias. Em 1933 o Reichtag (parlamento alemão) foi incendiado por um jovem holandês. Adolf Hitler acusou os comunistas, que nada tinham a ver com a história, e aproveitou o episódio para adquirir poderes absolutos. Um ano depois Josef Stalin usou o assassinato de Serguei Kirov, também um ato isolado, para dar início ao Grande Terror e à farsa dos processos de Moscou. Continue lendo “O Plano Cohen de Bolsonaro”

Redes não bastam

A já sabida inexistência de provas de fraude nas urnas eletrônicas, a repetição da falácia de que o STF o impediu de agir contra a pandemia e outras tantas mentiras ditas seguiram o padrão de sempre. O que surpreendeu na live de quinta-feira de Jair Bolsonaro foi a alteração do figurino, desta vez incluindo 25 jornalistas que, mesmo impedidos de perguntar, ou seja, de exercer seu dever de ofício, deram publicidade à patética narrativa do presidente. A novidade expôs o esgotamento do modelo da transmissão semanal de suas baboseiras ao público cativo das redes sociais. Continue lendo “Redes não bastam”

Transformar o passado

Que os Bandeirantes não eram iluministas, todo mundo sabe. Nem eles nem o mundo de sua época. Afinal, os valores do iluminismo só iriam se afirmar mais de um século depois, com a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Não faz sentido, portanto, julgá-los com os valores de hoje, descontextualizado do momento histórico no qual operaram. E muito menos levá-los à fogueira da nova inquisição. Foi o que aconteceu com a estátua de Borba Gato, queimada por um grupo denominado “Revolução Periférica”. Continue lendo “Transformar o passado”

A urgente volta aos quartéis

Na maioria dos países de ordenamento democrático as Forças Armadas estão submetidas ao primado do poder civil. Seu controle externo é exercido pelo Congresso, a quem cabe a responsabilidade de lhes dar uma direção política. No Brasil, o Parlamento tem se furtado a exercer esse papel. A Emenda Constitucional de autoria da deputada Perpétua Almeida rompe com essa omissão ao normatizar a presença de militares da ativa em cargos governamentais. Continue lendo “A urgente volta aos quartéis”

Além da corrupção, o roubo oficial

Pode ser pixulé, propina, comissionamento ou até recursos não contabilizados, como dizia Delúbio Soares, tesoureiro do PT pego pelo mensalão. O apelido não importa. As tenebrosas transações do Ministério da Saúde para compra de vacinas superfaturadas têm um só nome: corrupção. A ela somam-se criativas fórmulas de ladroagem, o roubo oficial, prática cada vez mais corriqueira no governo do presidente Jair Bolsonaro. Continue lendo “Além da corrupção, o roubo oficial”

Se acabó!

Desde 1959 Cuba exerce um fascínio para grande parte da esquerda latino-americana. A palavra de ordem “Pátria ou Morte, Venceremos!” conquistou corações e mentes pelos quatro cantos do continente. Nestes mesmos tempos havia escassez de alimentos, os cubanos não tinham acesso a bens de consumo modernos e, sobretudo, não havia liberdade na Ilha. Continue lendo “Se acabó!”

A revolução silenciosa de Paulo Renato

Há dez anos o Brasil perdia aquele que talvez tenha sido seu maior ministro da Educação de todos os tempos. À frente do MEC, Paulo Renato de Souza promoveu uma revolução silenciosa, definindo um novo marco institucional, com impacto direto em todos os níveis de ensino. A rigor, os pilares construídos nos oito anos de sua gestão estão aí até hoje, não obstante o país ter padecido nos anos seguintes da falta de continuidade de uma política que estava mudando a face da educação brasileira. Continue lendo “A revolução silenciosa de Paulo Renato”

A novidade

Fora os índices de rejeição, que fulminam pretensões eleitorais, pesquisas de intenção de voto costumam ser analisadas de acordo com o gosto do freguês. Embora o favoritismo de Lula tenha se desenhado diante de um Jair Bolsonaro cada vez mais minguado, seria recomendável alguma cautela dos que já dão o jogo como encerrado. Até porque novidades surgem. Continue lendo “A novidade”

Orgulhosos? Do quê?

Até hoje se discute se a orientação sexual do ser humano é ou não uma questão que nasce com ele ou se é um traço comportamental que a pessoa, por escolha, segue. Sou de opinião de que esse é um traço da natureza biológica. Continue lendo “Orgulhosos? Do quê?”

Contra o ódio e o preconceito

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato a presidente da República, incomodou muita gente ao revelar sua orientação sexual no programa de entrevistas do Pedro Bial. À direita, os homofóbicos de sempre, como o presidente Jair Bolsonaro, explicitaram todo seu ódio e preconceito. Até aí, nenhuma novidade. A estranheza foi ver determinadas figuras da esquerda desqualificar e diminuir a contribuição do gesto governador à causa da diversidade. Continue lendo “Contra o ódio e o preconceito”

Mais um crime de Bolsonaro

Jair Bolsonaro prevaricou. Sabia das irregularidades envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo menos desde o dia 20 de março, talvez antes. Mas só depois de um vexaminoso puxão de orelha da ministra do STF Rosa Weber, a Procuradoria-Geral da República se coçou e pediu a abertura de inquérito contra o presidente. Preferia não fazê-lo, repetindo a omissão deliberada que tem caracterizado sua atuação desde que Augusto Aras chegou por lá. Continue lendo “Mais um crime de Bolsonaro”

Bolsonaro espera um milagre

Encurralado por todos os lados, o presidente Jair Bolsonaro vive aquele momento de além de queda, coice. Sua aprovação vai ladeira abaixo, a imagem de conduzir um governo incorruptível foi trincada pelo escândalo da Covaxin, e a expectativa de poder escorrega entre os dedos. Continue lendo “Bolsonaro espera um milagre”