Pode ser idade, fadiga, irritação com o que estão fazendo com o País. Seja o que for, acho que não justifica minha mania: brigar com objetos. De tal forma me acomete o mal que chego a achar que há uma conspiração dos inanimados contra mim. Continue lendo “Mania de brigar com objetos”
Doentes pobres podem morrer pela pátria
A trupe de saltimbancos de Brasília conta com o sacrifício dos doentes pobres para salvar o País. Decidiu acabar com a maior parte dos medicamentos da Farmácia Popular, vendidos com 90% de desconto. Continue lendo “Doentes pobres podem morrer pela pátria”
Waze pessoal e intransferível
Usar o waze no carro, sem levar o celular, é possível? No meu caso sim. Levo a co-piloto. Continue lendo “Waze pessoal e intransferível”
Tomando todas
Nada como chegar à velhice para experimentar novas emoções. Não vou mais a bar, são raros os encontros com os amigos, mas estou tomando todas. Continue lendo “Tomando todas”
Jornalista dos tempos jurássicos cria novo aplicativo
Confesso que sou da época da máquina de escrever, do telex e da telefoto (leitor jovem, vá ao Google). Não considero aqueles tempos jurássicos, como o brilhante editor Carlinhos, num vacilo, titulou matéria que fiz no Diário do Comércio; eram tempos heróicos. Continue lendo “Jornalista dos tempos jurássicos cria novo aplicativo”
Tá difícil fazer um texto lírico
Fim de tarde, uma professorinha na flor de seus vinte anos caminha por uma alameda florida para encontrar-se com seu amor… FUÓÓM, buzina do Chacrinha no ouvido. Continue lendo “Tá difícil fazer um texto lírico”
Quando os Repórteres Usavam Revólveres (6, e último)
Fúlvio, o escrivão, compreendeu a situação dos rapazes da sala de imprensa. Pediu dez minutos para tentar saber o que estava havendo. “Com cuidado, vocês sabem. Oficialmente não poderia fazer isso.”
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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (5)
Uma dúvida acometeu Rago no exato instante em que dava mais um gole, pequeno gole, de espera, em seu copo de conhaque. Castilho o passara para trás?
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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (4)
Os tacos do piso que cobriam as salas, na Delegacia de Homicídios, estalavam à medida que se andava neles. Muitos estavam soltos. Na sala de Maurício Castilho, o barulhinho irritante não cessava. O delegado andava de um lado para o outro.
Quando os Repórteres Usavam Revólveres (3)
O que acontece na sala de imprensa? A barulheira das máquinas de escrever cessou. Foi-se o burburinho das conversas cruzadas sobre as cabeças. Os olhares desfocam as laudas; transferem-se para a porta. Aqui, emoldurada pelos batentes, está uma deusa.
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O capitalismo não respeita nem a mãe
Neste Mês das Mães, dê para a sua uma tampa de privada. A Folha de sexta-feira, 22, trazia sobrecapa com propaganda de uma loja de materiais para construção. Destaque: “Mês das Mães. Ofertas incríveis para surpreender sua mãe”. E vinham os materiais à venda, com fotos. Continue lendo “O capitalismo não respeita nem a mãe”
Quando os Repórteres Usavam Revólveres (2)
Um filete de sangue escorreu sob a porta de um apartamento, num prédio muito falado no bas-fonds. O risco vermelho avançou cinco centímetros pelo corredor do terceiro andar. Era um sinal tão pequeno que demorou muito para ser notado.
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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (1)
Rago está muito à vontade, neste fim de noite. As pernas cruzadas em cima da mesa. O corpo, jogado de tal forma para trás que a cadeira, sob impacto, apoia-se em dois pés. A única luz acesa coa claridade para um jornal, que tem à frente dos olhos. Manchete velha: SANGUE NA BOCA DO LIXO. A esta hora havia sangue novo em outra parte da cidade. Sabia muito bem disso. Continue lendo “Quando os Repórteres Usavam Revólveres (1)”
Curtas – curta!
Saudades do tempo em que governar era abrir estradas. Hoje, governar é distribuir cargos. (Se esta é uma observação batida, favor teclar del.) Continue lendo “Curtas – curta!”
Matar ou Morrer, Sem Lei e Sem Alma
(Som de banjo.) Kid Cunha, o perigoso, o tiro mais rápido do Centro Oeste, não faz perguntas. Atira. Abateu o homem que ousou cruzar seu caminho, um imprudente china chamado Glia, com tiros que ricochetearam por todos os lados. Uma bala nada perdida feriu de morte a dona do saloon, e provocou baixas nos frequentadores mais próximos, os que mamavam no balcão. Continue lendo “Matar ou Morrer, Sem Lei e Sem Alma”
