Catando livro velho para ler, dei com O Melhor do Mau Humor, “antologia de citações venenosas”, do Ruy Castro, de 1989. Achei que, mesmo para quem já leu, valia a pena recordar algumas pérolas. Aí vão.
Fatos reais no país surreal
Cena de trânsito. Entrei na travessa, vi a van escolar chegando. A motorista poderia ter dado um tempo para eu passar. Mas, não. Veio pra cima. Continue lendo “Fatos reais no país surreal”
Disponibilizaram um equipamento. Peremptoriamente
Se, além da minha mulher, alguém achar que me tornei um velho implicante, posso, com certas ressalvas, dar razão. Um velho implicante jornalista, pior ainda. Mas veja este release que recebi (entre dezenas de outros que chegam por e-mail). Continue lendo “Disponibilizaram um equipamento. Peremptoriamente”
Velhos lobos do mar
Até hoje não sei bem como vim parar no Refúgio dos Velhos Camaradas. Buscava apenas um lugar para descansar minha velhice longe das tormentas da cidade. O lugar pareceu simpático; acho que o nome me atraiu. Apenas dois prédios, um voltado para o outro. Continue lendo “Velhos lobos do mar”
Self-service vipíssimo
No self-service de Dalgas Frisch, bem-te-vi come arroz cozido na hora, com sal a gosto. Tico-tico prefere alpiste, e dispensa o pão (que afinal é comida de pardal). E sabiá fica no arroz, mas não rejeita uma boa fruta. Continue lendo “Self-service vipíssimo”
Assim na padaria como no céu
O peito de peru na chapa ganhou os ares! Ainda deve haver padarias de bairro em que o freguês, com dinheiro curto, achega-se ao balcão e pede o sanduíche. O balconista repete a ordem ao chapeiro, vibrante: “Sai um peito de peru na chapa”. Continue lendo “Assim na padaria como no céu”
Volume morto
Em benefício do fígado e do bolso, a lei seca baixou aqui em casa nas segundas e terças. No resto da semana, tomamos os drinques regimentais, em um happy hour tardio. Continue lendo “Volume morto”
O mistério do sofá
Nem Freud explica o sofá. É verdade que o negócio dele era divã. Mas a moderna psicanálise poderia pelo menos nos dizer por que mulheres gostam tanto de sofá. Continue lendo “O mistério do sofá”
O céu é dos drones
Há alguma coisa no ar além dos aviões de carreira. Sim, são muitas e se chamam drones. Voam para executar missões de guerra, ou entregar pizza, com a vantagem de que o piloto fica em terra. Continue lendo “O céu é dos drones”
Família de mudança implora para que levem
Família de mudança vende. Vende, cede, doa, dá, implora para que levem. Só com a casa vendida, e um apartamento em vista, nos demos conta do volume de tranqueiras que havíamos acumulado durante décadas, amorosamente, para enfeitar o nosso lar… Continue lendo “Família de mudança implora para que levem”
O abelhudo
Era tão abelhudo que aparecia como papagaio de pirata em selfies. Pessoa sem tato. Recentemente, começou a falar, entre um grupo de amigos, sobre a seca no reservatório da Cantareira. A eles se junta, em dado momento, um senhor muito idoso. E o sujeito ficou falando em volume morto na frente do velhinho. Continue lendo “O abelhudo”
Regras para tornar civilizado o esporte bretão
Ah, se eu tivesse um cargo de mando nas decisões do futebol. Acabaria com a grosseria e a deslealdade criminosas que se vê nos campos, e está aí o Neymar como prova do que há. Continue lendo “Regras para tornar civilizado o esporte bretão”
Comidinhas caseiras
Em pleno transe da Copa, vem um sujeito (este seu criado) falar em… comidinhas caseiras. Assunto descansado, mas como absorvê-lo na atmosfera de conflito e luta que está no ar? Continue lendo “Comidinhas caseiras”
Boas piadas no país da Copa
Anunciamos a chegada do vôo 746 vindo de Recife. A aeronave já está posicionada no finger 4 do terminal 2. Informamos que o sistema automático de processamento depositará as bagagens no receptor 16, em dez minutos. Continue lendo “Boas piadas no país da Copa”
Gabo
O caixão com o corpo do Gabriel García Márquez teve que ser levado na mão, por trezentos metros. Vencida mais ou menos a metade, um homem que segurava uma das seis alças (parece que era o Vargas Llosa) sentiu-se mal e teve que desistir. Continue lendo “Gabo”
