Más notícias do país de Dilma (105)

As atenções todas, nos sete últimos dias, ficaram voltadas para as manifestações nas ruas e para os shows midiáticos preparados pelos marqueteiros do Planalto para dar a impressão de que o governo federal estava respondendo aos protestos populares.

Nada mais natural. As manifestações, afinal, foram as mais impressionantes que o país já viu desde o Fora Collor, em 1992, e as Diretas-Já, em 1984. Provavelmente até mesmo mais impressionantes do que aquelas.

E os shows midiáticos foram muitos, com muito bumbo sendo tocado. Na sexta-feira anterior, 21 de junho, em cadeia nacional de rádio e TV, a presidente Dilma Rousseff leu o que estava escrito no teleprompeter durante dez minutos. E até que leu direitinho. Estão treinando a moça com competência.

Na segunda, 24, os marqueteiros da Presidência colocaram 27 governadores e 26 prefeitos de capitais como coadjuvantes de novo espetáculo, em que a presidente propôs vários “pactos” e uma Assembléia Constituinte. A rigor, todos aqueles 53 senhores não foram nem sequer coadjuvantes – foram extras, aquelas pessoas que só aparecem para fazer número, figuração, sem direito a uma linhazinha sequer.

Depois houve encontros de Dilma com os presidentes de Câmara, Senado e Judiciário.

E os parlamentares de Câmara e Senado protagonizaram também seus espetáculos, aprovando em sessões que atravessaram até mesmo – incrível! – o jogo do Brasil contra o Uruguai projetos que repousavam nas gavetas por duas longas décadas.

Suas excelências comprovaram que só funcionam, só executam suas comezinhas tarefas quando levam chutes violentos no traseiro. Não é que o homem da Fifa estava certo?

Muito espetáculo pirotécnico, muitos fogos de artifício.

Legal. Nada contra: fogos de artifício são belos espetáculos.

As “propostas” apresentadas pela presidente foram desconstruídas, uma a uma, nos artigos e editoriais publicados nos jornais ao longo da semana. Diversos deles estão aí abaixo.

O que eu gostaria de enfatizar é que, enquanto o país olhava para os fogos de artifício lançados em Brasília pelos marqueteiros hollywoodianos de Dilma Rousseff, para a celeridade do Congresso Nacional acordado de longa noite de hibernação, e para os incêndios provocados pelos vândalos em diversas capitais, as más notícias continuavam pipocando.

Assim:

A criação de emprego formal teve o pior mês de maio em 21 anos.

O déficit externo chegou a US$ 73 bilhões, ou 3,2% do PIB, o maior em 11 anos.

O BNDES perdeu R$ 17 bilhões em ativos.

Na América Latina, Brasil está agora entre os primeiros na inflação alta e é o penúltimo no crescimento baixo.

O crédito deve ter em 2013 a menor alta em dez anos.

O endividamento das famílias brasileiras bateu novo recorde.

Pagamos R$ 87,858 bilhões ao governo federal em impostos em maio, um recorde,

O Brasil tornou-se o país emergente com maior dívida.

A economia do governo para pagar juros recuou 29% no ano.

A OCDE anunciou que vê a economia do Brasil em ponto crítico.

Os embarques de produtos de ferro e aço para o exterior tiveram queda de 54% em relação a 2012.

A Petrobrás e Vale perderam R$ 100 bilhões em valor de mercado em 12 meses.

O índice de confiança da indústria cai ao menor nível em um ano.

Essas más notícias todas são explicadas ao final deste imenso, interminável texto, a 105ª compilação de notícias e análises que comprovam a incompetência do lulo-petismo como um todo e do governo Dilma Rousseff em especial. Foram publicadas entre os dias 21 e 27 de junho.

A compilação começa com a desconstrução dos shows criados pelos marqueteiros.

Os marqueteiros de Dilma são competentes. Mas são a única ilha de competência deste governo.

A reação do governo ao povo na ruas

* Dilma recorre a ferramentas enferrujadas para tratar de um fato novo

“A presidente Dilma Rousseff convocou uma grande reunião com governadores e prefeitos e propôs a discussão de ‘cinco pactos’ que poderiam ser vistos como itens de uma boa carta de intenções caso as soluções não estivessem nas mãos de um grupo que há dez anos ocupa o poder.

“O que se viu foi a tentativa de tratar um problema novo à moda antiga, com a enferrujada ferramenta do gesto de impacto.

A presidente voltou a condenar a violência e prometeu mudanças. Teria dito o óbvio não fosse a esquisitice de ignorar que a preservação da responsabilidade fiscal e o controle da inflação são tarefas das quais seu governo se descuidou.

“Governo este que teria de ter cumprido a tarefa de conduzir um esforço nacional pela garantia de serviços decentes na saúde, educação e transportes coletivos. No lugar disso, o discurso antes de falarem as ruas era o de que estava tudo uma maravilha no país cujo sucesso o autorizava a dar lições de gestão mundo afora.

“Quanto à reforma política, foi a presidente Dilma Rousseff em pessoa quem avisou logo no início de seu mandato que deixaria de lado toda e qualquer reforma. Agora propõe um plebiscito que por ora tem jeito de factoide: assume o papel de protagonista do debate com vistas a deixar as questões de gestão governamental em segundo plano.

“Dilma suscitou mais dúvidas que ofereceu respostas. Muito provavelmente porque não houvesse mesmo nada de diferente a dizer, dado o susto que assolou a nação em geral e talvez de modo especial a presidente, que uma semana antes reagia a vaias com jeito de poucos amigos e atribuía as críticas à intolerância vazia dos militantes do mau agouro.

“O buraco, como se viu, é mais profundo e requer algo além de oratória veemente e atos que no passado impressionavam, mas hoje perderam a credibilidade.

“Notadamente devido à discrepância entre os fatos e suas versões. Tome-se como exemplo o PAC, a salvação da lavoura a respeito da qual não se tem boas notícias.

“O governo queimou capital de confiabilidade fiando-se na sustentação dos índices de popularidade. Agora vai precisar produzir resultados para recuperar o patrimônio.

“Dilma dá ênfase ao combate à corrupção, promete mais investimentos e eficiência. Não explicou como vai conjugar essa boa intenção com a companhia de figuras emblemáticas no quesito descompostura nem com o gigantismo da máquina, com a existência de 39 ministérios, muitos deles meras sinecuras para sustentar um modelo esfarrapado de coalizão.

“Pregar transparência tendo recentemente ordenado que os gastos com viagens presidenciais fossem considerados sigilosos não ajuda a tecer uma rede de confiabilidade na palavra presidencial.

“Na semana passada soou desafinada também a alegação de que não há dinheiro público nos estádios de futebol depois de o governo passar seis anos faturando politicamente a paternidade da Copa do Mundo.

“A inconsistência ronda a proposta dos pactos para melhoria dos serviços públicos. Quais os termos do ‘contrato’, quem abrirá mão do quê? O governo federal quer repartir os danos com governadores e prefeitos, pretendendo receber deles apoio político. Já os chefes de executivos estaduais e municipais querem da União mais dinheiro.

“Mas, se o Planalto avisa que não tem margem para repartir receitas, fica difícil vislumbrar condições objetivas em torno das quais seria construído um entendimento para atender a gama de demandas.

“Como não se enfrenta isso com passes de mágica e o palavrório cansou, convém aguardar para ver se o plano visa a aplacar os protestos ou se ficou bem entendido que as pessoas exigem que o poder público dê soluções concretas aos problemas.” (Dora Kramer, Estadão, 25/6/2013.)

* No discurso em cadeia nacional, Dilma não tocou em nenhuma das questões que permeiam a falta de confiança e a insatisfação da sociedade

“Tanto o governo federal como os estaduais apressam-se a atender a algumas das reivindicações apresentadas nas manifestações que acontecem há três semanas pelo Brasil. O risco é de que se limitem a resolver apenas os problemas imediatos e não os de fundo, que são as distorções da economia, como os gastos públicos desordenados e a inflação.

“Na semana passada, em ação coordenada pelo governo federal, governadores e prefeitos trataram de cancelar os reajustes da condução. Em São Paulo, por exemplo, o aumento de R$ 0,20 nas tarifas de ônibus e metrô foi sumariamente cancelado e não apenas adiado, como já tinha sido. E, ontem, o governador Geraldo Alckmin antecipou-se às manifestações e tratou de cancelar novo reajuste do pedágio.

“Além disso, a presidente Dilma, governadores e prefeitos se dispuseram a dialogar com as lideranças dos movimentos para terem melhores condições de atender às reivindicações. Paralelamente a essas iniciativas, aumenta a pressão para resolver as principais questões políticas mostradas pela rua, como a falta de representação dos jovens e das novas classes médias nos fóruns de decisão política e econômica. Daí as inúmeras declarações de que deva ser necessário apressar a reforma política, pleito com que ainda no período Lula o governo já se havia comprometido, mas ao qual não deu seguimento.

“São providências necessárias e, até certo ponto, inadiáveis. Portanto, têm de ser levadas adiante. No entanto, infelizmente, não se vê a mesma disposição das autoridades em atender às mais importantes questões econômicas de fundo, que são as causas do descontentamento.

“No discurso de sexta-feira (21/6) em cadeia de rádio e TV, a presidente Dilma não se referiu a nenhuma das questões econômicas que permeiam a falta de confiança e a insatisfação da sociedade.

“É óbvio que os reajustes das tarifas de condução não são o problema principal. Ele está na inflação que impôs os reajustes. A inflação, por sua vez, voltou a disparar em consequência de outros desajustes, sobre os quais até mesmo o Banco Central tem se manifestado reiteradamente e que permanecem sem resposta.

“No pronunciamento de sexta-feira, a presidente Dilma não fez nenhuma referência, nem explícita nem implícita, às causas econômicas dos atuais distúrbios políticos e sociais. Isso não significa que as ignore. Mas, à falta desse foco, a sociedade corre o risco de que as doenças subjacentes permaneçam sem tratamento.

“A simples eliminação dos reajustes da condução e do pedágio, por exemplo, tende a aprofundar os atuais desequilíbrios orçamentários. As receitas serão mais baixas e as subvenções tendem a aumentar. Como o impacto sobre a atividade econômica tende a ser ainda mais acentuado pelo crescimento mais baixo, as receitas públicas sofrerão ainda mais. E, se a tudo isso se juntar a crescente deterioração da confiança no governo, então estamos diante de um quadro que exige bem mais atenção das autoridades do que a que vem sendo dispensada. Ontem (24/6), a presidente Dilma anunciou a amarração de um Pacto de Estabilidade Fiscal. Pode ser um bom recomeço, embora não se saiba ainda o que isso significa.” (Celso Ming, Estadão, 25/6/2013.)

* 27 governadores e 26 prefeitos de capital enfeitam as fotos de Dilma. Direito a falar, dar opinião, eles não tiveram     

“De público, governadores e prefeitos saíram da reunião com a presidente Dilma Rousseff (na segunda-feira, 24/6) elogiando as propostas apresentadas. Apesar de reivindicações como desonerações e subsídios para o transporte público terem sido remetidas para um grupo de trabalho, o discurso era de satisfação.

Reservadamente, a avaliação foi diferente. ‘A fotografia que a presidente Dilma levou só interessa a ela. Ficou com o bônus só para ela e distribuiu o bolo do ônus entre os 54 presentes’, reclamou um dos governadores. ‘Ela precisava dessa foto, e nós entendemos. Foi bom para ela. Mas tem que ver o que vai virar realidade’, pontuou um prefeito. (…)

“Quando o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PSB), reclamou da dificuldade de os municípios reduzirem as tarifas de ônibus, foi enquadrado com muita irritação por Dilma. ‘Olha aqui, meu filho! Eu conheço muito bem todos esses números!, interrompeu a presidente, de dedo em riste na direção do prefeito.

“No geral, os governadores e os prefeitos saíram decepcionados com o resultado concreto da reunião. Não gostaram do formato do encontro, em que Dilma apareceu ao vivo fazendo os anúncios, escondendo os demais presentes. Dizem que Dilma posou de estadista e ‘jogou a batata quente’ no colo de governadores e prefeitos, já que quase nada do que foi anunciado depende do governo federal.” (Fernanda Krakovics, André de Souza, Paulo Celso Pereira e Maria Lima, O Globo, 25/6/2013.)

* Reunião de Dilma com governadores e prefeitos amplia mal-estar; “Ela entregou-se ao marketing; agora é se segurar na cadeira, porque vai sacudir!”, disse um governador

“Se a intenção da presidente Dilma Rousseff era realmente atrair os governadores e prefeitos para um pacto em torno de medidas polêmicas e difíceis para contornar a crise das ruas, o que conseguiu foi agudizar um enorme mal-estar entre a maioria dos 54 presentes. Muito além do mérito da polêmica proposta de Constituinte específica para a reforma política, para os mandatários convidados o que mais incomodou foi o formato e o estilo da presidente durante a reunião no Palácio do Planalto segunda-feira à tarde. De acordo com relato dos presentes, depois de ler o seu discurso, transmitido pela TV oficial, a presidente passou as horas seguintes mastigando chicletes para disfarçar a tensão, reclamou de dor nas costas em alguns momentos, ouviu muito, mas não acolheu sugestões e nem respondeu a ninguém, à exceção de algumas interpelações duras, feitas, por exemplo, para rebater as reclamações do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e de Fortaleza, Roberto Cláudio(PSB).

“Pouco antes de se dirigir para o salão de reuniões, a presidente juntou em seu gabinete para uma conversa prévia os governadores Tarso Genro (PT-RS), Jaques Wagner (PT-BA), Eduardo Campos (PSB-PE), Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Antônio Anastasia (PSDB-MG) e o vice-presidente Michel Temer. Ao lado do ministro Aloizio Mercadante (Educação), e com seu socorro em alguns momentos, fez uma apresentação prévia dos cinco pactos, lidos mais tarde em discurso.

“O primeiro a manifestar surpresa com as medidas, até então desconhecidas de todos, foi Michel Temer, que tentou fazer naquele momento, pouco antes da grande reunião, um arrazoado da dificuldade de implementar a idéia polêmica de convocar uma Constituinte exclusiva para elaborar uma reforma política, especialmente num momento delicado como esse. Dilma se fez de surda. Eduardo Campos tentou convencê-la a incluir o pacto federativo, uma saída para que os governadores pudessem colaborar com a implementação das outras medidas. Tudo em vão.

“Outro ignorado foi o companheiro Tarso Genro, que sugeriu incluir, na proposta da reforma política, possibilidade de candidaturas avulsas, sem partido, uma resposta à rejeição das ruas às legendas. Sem resposta. Nem uma vírgula do texto lido por Dilma foi mudada. ‘A presidente não teve paciência de discutir nada. Depois que apresentou seu pacote e fez o retrato que queria, se pudesse terminava a reunião. Com Gleisi mascou chiclete acintosamente de boca aberta o tempo todo e reclamou de dor na coluna’,  relatou ainda na segunda-feira à noite um dos presentes.

“Já na reunião maior, depois de ler seu discurso e da exposição de dois ministros sobre as medidas anunciadas, governadores das cinco regiões foram escolhidos para falar. Os relatos do encontro inédito da presidente com 27 governadores e 26 prefeitos de capital mostram que o clima era gelado entre todos durante toda a reunião. Nem mesmo os governadores petistas pediram a palavra para dar uma demonstração de apoio, ou para se solidarizar com Dilma. Sempre falastrão nas reuniões com Dilma, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), desta vez deu um gelo na presidente. Entrou mudo e saiu calado.

“O mais longo discurso foi feito pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Ele alertou a todos que era preciso entender o momento de mudanças políticas para dar os próximos passos. Na conversa prévia com Dilma, ele já havia alertado que a presidente precisava reconhecer algum erro de seu governo, para ter sucesso na interlocução e nas respostas às ruas. ‘Todos nós erramos. E depois desse movimento, as mudanças vão mandar um monte de político para a fila do INSS’, disse Campos em seu discurso no Planalto.

“Na reunião com a presidente Dilma Rousseff, alguns prefeitos e governadores tentaram colocar suas dificuldades locais, irritando a presidente, que reclamou, por exemplo, que a desoneração do PIS/Cofins não estaria chegando aos preços das passagens. Quando Haddad tentou colocar sua posição contrária ao passe livre para estudantes, foi duramente interpelado por ela. ‘Quanto é mesmo essa conta, Haddad?’, indagou Dilma. ‘Chega a R$1,2 bilhão’, ele respondeu. ‘Mas já não era R$ 1,2 bilhão antes da desoneração, Haddad?’, reagiu Dilma, causando constrangimento do prefeito petista. ‘Era R$ 1,5 bilhão e caiu para R$1,2 bilhão’, continuou ele, já sem ambiente.

“A irritação de Dilma foi maior com o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PSB), quando ele disse que não tinha como não reajustar as tarifas na capital cearense, que estava com aumentos represados há muito tempo. ‘Eu fiz as continhas! Isso eu sei! Eu fiz a de-so-ne-ra-ção!! Isso é meu, e quero ver a redução de 7%. Você tem que me dar isso!’, esbravejou Dilma, com o dedo em riste na direção do prefeito.

“No fim da reunião, poucos governadores quiseram dar entrevistas. O entendimento era que Dilma havia armado uma arapuca para dividir o desgaste com todos, e aparecer como a única que está encaminhando soluções. ‘A origem de toda essa insatisfação nas ruas é o desdém de Dilma com a política. Ela entregou-se ao marketing. Agora é se segurar na cadeira, porque vai sacudir!’, avaliou um dos governadores presentes, prevendo muita turbulência à frente, sobretudo em relação à disputa de 2014, já que todos os palanques que pareciam consolidados agora estão desarrumados.” (Maria Lima, O Globo, 26/6/2013.)

* Eis o que Dilma tem a oferecer: “pactos”, uma nova comissão, uma escalafobética proposta de Constituinte

“Na sequência do pronunciamento feito em rede nacional na sexta-feira, a presidente Dilma deu ontem outro passo no enfrentamento da crise, ao se reunir com governadores e prefeitos e propor ‘pactos’ em resposta às ruas.

“Agiu no timing correto, a fim de não correr o risco de novamente o Planalto passar a idéia de um governo aturdido, nas cordas. Além disso, por ter, na sexta à noite, aberto corretamente espaço para o diálogo — símbolo da disposição de receber propostas da população foi conceder ontem mesmo audiência a representantes do MPL —, era natural esperar toda sorte de demandas vindas de governadores, prefeitos e políticos em geral.

“Talvez por isso, e por precaução, o primeiro pacto proposto por Dilma foi o da responsabilidade fiscal. No fim de semana já surgiram demandas por mais gastos, indícios de que as manifestações começavam a ser usadas como gazua para abrir de vez os cofres públicos, sob pretexto de melhorar os transportes públicos. E, pior, num momento em que a inflação ultrapassa, mais uma vez, o limite superior da meta (6,5%). Seria aumentar ainda mais a temperatura inflacionária.

“Em contrapartida, Dilma acolheu antigo projeto das alas mais à esquerda do PT e converteu em um dos pactos um plebiscito para a convocação de uma Constituinte exclusiva, apenas para tratar da reforma política.

“A idéia é de inspiração chavista, pois foi Hugo Chávez quem se utilizou da artimanha de aprovar uma Constituinte, eleger sua maioria e, assim, fazer as reformas que necessitava para instalar o ‘socialismo do século XXI’.

“Em meados de 2006, em audiência, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) levaram a proposta ao então presidente Lula, que a aceitou. Mas teve de recuar diante da enxurrada de críticas. Aproveitam-se, agora, os ataques a partidos e políticos feitos nas manifestações de rua, para se retirar da gaveta este projeto de alto risco.

“O problema é que, ao se permitir, via Constituinte, que a legislação que rege a atuação dos políticos e dos partidos possa ser alterada por maioria simples, se abre espaço para mudanças indevidas das regras do jogo democrático. Por exemplo, via aprovação de mecanismos de ‘democracia direta’ que tornem o regime prisioneiro de grupos organizados da sociedade.

“Sequer é certa a constitucionalidade da Constituinte exclusiva. Pois há juristas que consideram apenas ser possível alterar a Carta por meio do que estabelece o artigo 60 dela mesma: votações em dois turnos, em cada Casa, com aprovação por três quintos dos votos (60%).

“Afinal, Constituinte só se convoca em rupturas institucionais, para se formalizar um novo pacto político. Tem sido assim na História brasileira.

“A presidente Dilma propõe, ainda, grande esforço conjunto para melhorar a mobilidade urbana. Acenou com R$ 50 bilhões para isso. Seria um grande avanço se anunciasse já a desistência do delirante projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo, e desviasse as dezenas de bilhões previstos para o megalômano empreendimento a projetos de transporte sobre trilhos nas grandes regiões metropolitanas.

“Dispensa-se, ainda, a criação de um Conselho de Transporte Público, exemplo concreto da antiga mania nacional de, para cada problema, instituir-se uma comissão.

“É louvável a preocupação da presidente em dar respostas às manifestações. Na Saúde e na Educação, talvez não enfrente muitas resistências, a não ser da corporação dos médicos, contrários à vinda de profissionais do exterior. Mas, no combate à corrupção, enquadrar o crime no rol dos delitos hediondos, como deseja a presidente, não atacará o foco do problema, que é o fato de parte do Ministério ter sido constituída na base do fisiológico toma lá da cá. Mas reconhece-se a dificuldade de ela enveredar por este caminho.” (Editorial, O Globo, 25/6/2013.)

* “O Estado não pode ser voluntarista – e quando assim se comporta proporciona um espetáculo de oportunismo, se não de hipocrisia”

“A rua não só tem o direito de apontar o dedo para os governantes, como é bom que o faça: mil vezes melhor uma sociedade estridente do que uma sociedade apática – se essas forem as únicas alternativas. Mas a rua não tem a obrigação de oferecer aos poderes do Estado, mastigadas, as soluções para as mazelas que justificadamente denuncia. Quando essas se empilham e perduram, apesar das promessas que se ouvem a cada ciclo eleitoral e das reiteradas juras das autoridades de que se esfalfam para cumpri-las, é da ordem natural das coisas que a rua, esgotada a sua paciência e tendo redescoberto o seu poder de pressão, queira para já as mudanças que façam do Brasil, em síntese, um país sem corrupção e com serviços públicos equiparáveis em qualidade ao volume de impostos que se pagam por eles. Afinal, se duas semanas de manifestações levaram à anulação do aumento dos preços das passagens em dezenas de cidades e obrigaram a presidente Dilma Rousseff a legitimar a rua como interlocutora do governo – ‘eu estou ouvindo vocês’, assegurou -, muitos hão de se sentir estimulados a adotar a palavra de ordem do Maio de 1968, na França: ‘Sejam realistas, exijam o impossível’.

“Só que o Estado não pode ser voluntarista – e quando assim se comporta proporciona um espetáculo de oportunismo, se não de hipocrisia, que não engana a ninguém.

“Em seguida ao pronunciamento de Dilma, na sexta-feira (21/6), Executivo e Congresso deram início a uma sôfrega carreira para se mostrar, cada qual, mais pronto do que o outro para mostrar o serviço cobrado pelas multidões. Corrupção? Não seja por isso, retruca o Planalto, e de bate-pronto decide mobilizar o Legislativo para acelerar a tramitação de três projetos presumivelmente saneadores: o que estabelece punição de até 20% sobre o faturamento bruto de empresas corruptoras ou fraudadoras de licitações; o que prevê cadeia para funcionários que não consigam justificar a engorda de seu patrimônio; e o que regulamenta a atividade de lobby com a administração federal. Além disso, o governo vai tirar da gaveta dois projetos: o que estende para os ocupantes de cargos de confiança as regras aplicadas aos políticos pela Lei da Ficha Limpa e o que triplica para 12 meses o período de quarentena de ex-altos funcionários e restringe os seus negócios futuros.

“Não consta, porém, que a presidente pretenda reaver do PR e do PDT os cargos que lhes devolveu no Ministério depois da decantada faxina de 2011, para tê-los consigo na mega-aliança reeleitoral de 2014 – que não exclui nem o PTB de Roberto Jefferson, delator do mensalão e condenado a 7 anos no respectivo processo. De toda maneira, além das culpas que cabem aos governos pelos descalabros malhados na rua, mais graves são os problemas estruturais do Estado, o qual não deixa de refletir as insuficiências da organização social brasileira. Pior é a febre reformista que parece se alastrar no Parlamento, onde houve até quem, fazendo um desafinado coro com a rua, sugerisse a auto-dissolução dos partidos – como se os seus sucessores formassem uma federação de querubins. Compreende-se que uma parcela da brava gente das passeatas imite os argentinos que entraram em 2002, quando o país naufragava, gritando ‘que se vayan todos’. Mas a execração da política tem tudo para se degradar, onde quer que seja, em populismo autoritário. (Na Argentina, a era Kirchner começou em 2003 e, no que depender da presidenta, continuará pelo menos até 2015.)

“A rua também pode achar que a reforma política é a panacéia para a corrupção, e o desdém dos eleitos pelos eleitores. Não é. Pode tornar o sistema mais representativo ou mais produtivo e, no melhor dos mundos, mais atento à vontade geral, e não apenas aos seus patrocinadores, clientelas e grupos de pressão. No Congresso, os messiânicos da reforma parecem ignorar que, em última análise, não é mudando as regras do ofício que os políticos se tornarão automaticamente avessos à corrupção, abandonando práticas entranhadas. Os parlamentares redentores não se contentam com pouco: querem uma Constituinte exclusiva para fazer, além da reforma política, a tributária, a administrativa e a da Previdência – tudo em um ano.” (Editorial, Estadão, 25/6/2013.)

* Até mesmo os garotinhos constataram, confirmaram: “A Presidência é completamente despreparada”

“Custa crer que a presidente Dilma Rousseff tenha falado sério quando propôs um ‘plebiscito popular’ – existe outro? – para a convocação de uma Assembleia Constituinte, sem a participação dos atuais legisladores, com a incumbência exclusiva de fazer a reforma política. Essa foi a principal enormidade que apresentou na reunião de emergência da segunda-feira com os 27 governadores e 26 prefeitos de capitais, convocada para a presidente mostrar serviço à rua. Ela também pediu pactos nacionais para, entre outras coisas, tipificar a ‘corrupção dolosa’ – existe outra? – como crime hediondo e pela responsabilidade fiscal para conter a inflação. Eis um faz de conta: ninguém contribuiu tanto para desmoralizar esse princípio do que o atual governo com a ‘contabilidade criativa’ a que recorre para tapar os seus desmandos fiscais.

“A idéia da Constituinte exclusiva – que teria sido soprada para a presidente pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Ceará, Cid Gomes – foi defendida pelo então presidente Lula na campanha reeleitoral de 2006, para exorcizar o mensalão denunciado no ano anterior. É um delírio político e jurídico. Chegue como chegar a respectiva proposta ao Legislativo, são remotas as chances de ser aprovada. É mais fácil Dilma se transformar da noite para o dia numa chefe de governo afável, pronta a ouvir e a respeitar os seus subordinados do que os congressistas entregarem de mão beijada a terceiras pessoas a atribuição, esta sim de sua alçada exclusiva, de aprovar mudanças na legislação eleitoral e partidária. E, raciocinando por absurdo, se o fizerem, a lei que vier a ser sancionada pela presidente deverá ser abatida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Plebiscitos e referendos o Congresso tem a prerrogativa de convocar – desde que os seus propósitos não colidam com a Constituição. O conceito de Constituinte exclusiva simplesmente inexiste na Carta de 1988. Uma assembleia do gênero não poderia ter o seu âmbito circunscrito de antemão. Nomeado por Dilma, o novo ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que toma posse hoje, escreveu em 2010 que ‘ninguém pode convocar um Poder Constituinte e estabelecer previamente a (sua) agenda’. De resto, ‘não há absolutamente nada’ na Constituição que impeça a reforma política. No mínimo, portanto, a Constituinte dilmista é uma falsa solução para um problema verdadeiro – a crônica relutância dos políticos em mexer nas regras sob as quais fizeram carreira.

“O debate sobre o assunto data de 1993. Mas só na legislatura iniciada 10 anos depois a questão avançou. Uma comissão especial aprovou, com o endosso do PT, a proposta de seu relator, deputado Ronaldo Caiado, do então PFL, pelo financiamento público exclusivo das campanhas e o voto em listas fechadas para deputados e vereadores. A proposta, afinal, não vingou. Hoje, o que se tem é o projeto do deputado Henrique Fontana, do PT gaúcho. O texto conserva o financiamento público e o voto em lista, porém ‘flexível’ em vez de fechada. O que tem de melhor é a extinção das coligações partidárias em eleições proporcionais, o que permite aos partidos nanicos vender aos maiores o seu tempo no horário de propaganda em troca de vagas na chapa comum. O ponto é que a reforma política não é um antídoto contra a corrupção.

“Aplica-se, a respeito, o comentário do criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira sobre o segundo desatino da presidente – o de querer enquadrar a corrupção como crime hediondo. ‘A lei penal não inibe a prática de qualquer crime, especialmente de corrupção’, observa Mariz. ‘Acabar com a corrupção ou reduzi-la depende de mudança ética. Depende da classe política e da própria sociedade.’ O pretendido enquadramento, para ele, é ‘medida demagógica, sem nenhum alcance prático’. A verdade, ao fim e ao cabo, é que seria ingênuo esperar de Dilma que tivesse chamado governadores e prefeitos para uma conversa objetiva e consequente – em vez de brindá-los com ‘qualquer nota’. Pouco antes, Dilma havia recebido os líderes do MPL, que pregam o transporte gratuito. À saída, uma deles, Mayara Vivian, foi ao nervo do problema. ‘A Presidência’, resumiu, ‘é completamente despreparada.’” (Editorial, Estadão, 26/6/2013.)

* “Só um exercício de contorcionismo intelectual relacionaria palavras de ordem gritadas nas ruas a uma reforma política”

“Ao sair da perplexidade e propor cinco ‘pactos’ a governadores e prefeitos, sem qualquer sondagem prévia à base aliada, nem mesmo ao vice-presidente Michel Temer, a presidente Dilma Rousseff tenta responder à agenda das manifestações criando uma outra, a da reforma política. Manobra astuta.

“Na reunião de segunda (24/6) com governadores e prefeitos das capitais, Dilma apresentou seus pactos, um deles o da Constituinte exclusiva para uma reforma política, projeto capaz de desviar as atenções do eixo das manifestações e ainda colocar o Congresso sob pressão. Pesquisas feitas entre manifestantes, antes da reunião de segunda, não detectaram o desejo por uma reforma política. No centro das reivindicações, encontravam-se a corrupção dos políticos, a oposição à PEC-37 — tema correlato —, o custo e precariedade dos transportes públicos, crítica aos gastos com as duas copas etc.

“Apenas um exercício de contorcionismo intelectual relacionaria palavras de ordem gritadas nas ruas a uma reforma política. Outro dado sugestivo é que o monitoramento de redes sociais só passou a detectar a menção à reforma depois de Dilma Rousseff lançar seus pactos. Quer dizer, a presidente começou a pautar tuiteiros e navegantes das redes.

“Na segunda, pelas palavras de Dilma, o PT conseguiu aproveitar a oportunidade da crise e encaixar o antigo sonho chavista da Constituinte exclusiva, para alterar as regras do jogo eleitoral.

“Talvez não contasse com a reação forte contrária. No Congresso, principalmente do aliado PMDB. Diretamente, do próprio vice-presidente Michel Temer, jurista, antigo crítico deste atalho para se mudar por via rápida a ordem jurídica. De ministros do Supremo, da ativa e aposentados, além da Ordem dos Advogados do Brasil.

“Por ser indiscutível que se trata de um projeto inconstitucional — Constituinte só depois de rupturas institucionais, para refazer todo o pacto político — , a própria presidente voltou atrás, mas deixou no lugar um plebiscito, para estabelecer a agenda a ser deliberada por deputados e senadores. Um aspecto deste inadequado plebiscito é a complexidade em si da temática. Como acreditar que o eleitorado votará de forma consciente sobre ‘voto em lista fechada’, ‘cláusula de desempenho ou barreira’ e assim por diante? Por isso, esta consulta popular, sobre assuntos obscuros para a grande maioria da população, é favorável apenas a quem tem máquina partidária, militância e eleitorado fiel, independentemente do que está em questão. Ou seja, o ‘plano b’ do plebiscito também ajuda o PT com suas propostas de financiamento público de campanha e voto em lista, por exemplo. Com isso, em vez de se fazer o mais simples e certo — mudanças tópicas, pelo Congresso, na cláusula de barreira e extinção das coligações em pleitos proporcionais —, envereda-se por uma rota tortuosa.

“Enquanto isso, a verdadeira agenda das ruas irá sendo deixada de lado.” (Editorial, O Globo, 27/6/2013.)

* É cinismo ou desfaçatez? Responsabilidade fiscal é indispensável e não carece de pacto; ela precisa é de governos que a pratiquem

“Cinismo ou desfaçatez talvez sejam as expressões mais adequadas para os contribuintes atentos, que acompanham as lambanças contábeis que o governo vem praticando há dois anos e meio, se referirem à proposta feita pela presidente Dilma Rousseff de se ‘construir’, como ela disse, um pacto pela responsabilidade fiscal. Não há nenhuma necessidade de pacto para se assegurar a gestão rigorosa das finanças do governo, de acordo com o interesse público. Nesse campo, o País necessita, isto sim, é que o governo chefiado pela autora da proposta comece, afinal, a praticar a responsabilidade fiscal de maneira clara, sem subterfúgios ou artimanhas que desmoralizam suas políticas na área financeira e corroem a imagem da economia brasileira no exterior, tornando ainda mais difícil para o País amortecer o impacto da crise mundial.

“A responsabilidade fiscal é, de fato, necessária ‘para garantir a estabilidade da economia e o controle da inflação’ e tornou-se ‘especialmente importante no momento atual, quando a prolongada crise econômica mundial ainda castiga, com volatilidade, todas as nações’, como disse a presidente na reunião com governadores e prefeitos de capitais em que tentou responder aos anseios dos que saíram às ruas nos últimos dias. É o que têm dito analistas responsáveis e cada vez mais preocupados com os rumos, ou descaminhos, da política econômica do governo. E é do governo, não de um pacto envolvendo outras áreas, a tarefa de recolocar as coisas nos trilhos. O que o governo Dilma fez e continua a fazer com insistência, no entanto, é exatamente o contrário do que é necessário no momento.

“A responsabilidade fiscal, ressalve-se, não é importante apenas em períodos de dificuldades. Ela é importante sempre. Mas o governo da presidente que afirma sua importância neste momento é o que menos parece preocupado com isso desde 2000, quando, na consolidação do processo de estabilização da economia iniciado com o Plano Real, entrou em vigor a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Além de cumprir estritamente o que está na lei, uma política fiscal responsável precisa ser clara e confiável. Práticas reiteradas do governo Dilma, porém, mostram o contínuo afrouxamento da política fiscal, que se torna cada vez menos confiável. Os gastos continuam a crescer, muitas vezes sem produzir os resultados esperados, mas, da maneira como o governo vem contabilizando certas despesas, excluindo outras e lançando mão de receitas não convencionais, os resultados fiscais parecem razoáveis.

“Nos últimos dias do ano passado, por exemplo, o governo sacou R$ 12 bilhões do Fundo Soberano do Brasil, criado para ser usado em situações de emergência financeira, e se apropriou antecipadamente de dividendos de R$ 7 bilhões que deveria receber da Caixa Econômica Federal e do BNDES ao longo de vários anos. Da meta de superávit primário definido para 2012, deduziu, como permitia a Lei de Diretrizes Orçamentárias, R$ 39 bilhões de investimentos no PAC.

“Com meta menor e receitas artificialmente engordadas, o governo alcançou um superávit primário bem maior do que o fixado. Mas esse feito, longe de representar mais rigor no controle das despesas, mostrou a rápida deterioração da política fiscal. ‘Supostos ganhos podem ser suplantados pela perda de credibilidade do indicador’, advertiu o TCU ao aprovar, com ressalvas, as contas do governo Dilma relativas a 2012.

“A promessa de alcançar, também em 2013, a meta do superávit primário, correspondente a 3,1% do PIB, poderá ser cumprida, mas, como no ano passado, por meio de artifícios, como o abatimento dos investimentos do PAC e das desonerações fiscais que vem concedendo, sem grandes resultados práticos. Além disso, o governo pretende incluir, nas receitas, o que receberá com concessões de blocos do pré-sal. Trata-se, obviamente, de uma receita eventual.

“A indispensável responsabilidade fiscal não carece de pacto; ela precisa de governos que a pratiquem responsavelmente.” (Editorial, Estadão, 27/6/2013.)

Tentando entender os motivos dos protestos

* Inflação, reajustes das tarifas de transporte, gastos excessivos com Copa e Olimpíada

“Três das fontes de insatisfação que vêm sendo apontadas como inspiradoras dos protestos deveriam merecer cuidadosa reflexão em Brasília: a inflação, os reajustes de tarifas de transporte coletivo e os investimentos requeridos para que o País hospede a Copa e a Olimpíada.

“A esta altura está mais do que claro que Dilma mostrou complacência excessiva com a inflação. Basta notar que o Banco Central se dará ao luxo de atravessar todo o atual mandato presidencial com a inflação bem acima do centro da meta. Agora, colhendo o que plantou, o governo constata que uma inflação de 6,5% ao ano já começa a gerar tensões altamente desgastantes.

“No vale-tudo em que se converteu a condução da política econômica nos últimos meses, o governo se permitiu tentar conter a inflação por meio de intervenções diretas em preços de maior relevância na composição do índice. No início do ano, desenterrando prática deplorável e oportunista, típica do período de alta inflação, o Planalto pressionou os prefeitos de São Paulo e do Rio para que adiassem o reajuste de tarifas de transporte coletivo por alguns meses.

“Fascinado com os supostos benefícios imediatos dessa manipulação, o governo não parece ter dado a devida atenção aos custos do abandono da regra de reajustes de tarifas com periodicidade claramente definida. Quebrando a regra, sinalizou a possibilidade de que a magnitude e o momento do reajuste de tarifas passassem a ser objeto de negociação. Possibilidade na qual se agarram, agora, os manifestantes de cada grande cidade do País.

“Percebendo afinal as proporções do equívoco, o Planalto deve estar amaldiçoando o momento em que teve a infeliz idéia de abrir essa caixa de Pandora. Se não tivesse ‘conseguido adiar’ os aumentos das tarifas em São Paulo e no Rio e os reajustes tivessem sido anunciados normalmente nas datas previstas, no início do ano, é bem possível que os episódios que deflagraram a atual onda de protestos não tivessem ocorrido.

“Mas a insatisfação com os serviços de transporte coletivo nas grandes áreas metropolitanas do País tem razões bem mais profundas. A ilusão de que boa parte da população urbana poderia continuar para sempre gastando mais de três horas por dia entre a casa e o trabalho, sem maiores protestos, não fazia sentido. Mais cedo ou mais tarde, a conta do vergonhoso descaso com as carências do País em transporte de massa estava fadada a aparecer. Mas o governo tem outras prioridades. Insiste em incentivar a demanda de automóveis e subsidiar a gasolina. E, por razões ideológicas, prefere investir em áreas como petróleo e energia elétrica, em que a maior parte do investimento poderia perfeitamente ser deixada a cargo do setor privado.

“Merece também menção a previsível ressaca de parte da opinião pública com o oba-oba dos custosos investimentos necessários para que o País hospede a Copa e a Olimpíada. Quanto a isso, parece ter havido cálculo político equivocado em Brasília. ‘Pão e circo’ é uma receita milenar e consagrada de populismo. Mas na Roma Antiga não havia nem Fifa nem Comitê Olímpico. E a entrada no Coliseu era grátis. Já aqui, o povão, visivelmente irritado, ficará de fora do dispendioso circo que está sendo montado. E o governo agora se deu conta de que o público pagante, em eventos transmitidos por televisão a 100 milhões de eleitores, será do tipo que vaia presidente da República. A idéia não era bem essa. Mas agora é tarde.” (Rogério Furquim Werneck, Estadão e O Globo, 21/6/2013.)

* Paga-se mais por cada vez menos e cada vez piores serviços públicos, e cada vez mais dinheiro do contribuinte vai bolsos privados

“Talvez se possa dizer que as múltiplas e nem sempre facilmente identificáveis causas das impressionantes manifestações nas ruas das principais cidades do País nos últimos dias decorrem do afastamento do Estado brasileiro das preocupações da sociedade em geral e das aflições cotidianas de cada cidadão em particular.

“São ainda difusas, é verdade, as razões que, além do aumento – revisto em diversas cidades – das tarifas de ônibus, levaram às ruas multidões que até há pouco pareciam conformadas com a situação presente. As manifestações deixaram claro que havia, latente, uma série de descontentamentos, cujas origens vão da descrença no sistema de representação política e da revolta com os desvios do dinheiro público à má qualidade das políticas públicas e suas consequências na vida de cada um. Tem-se a sensação de que se paga mais por cada vez menos e cada vez piores serviços públicos, ao mesmo tempo que se vê cada vez mais dinheiro do contribuinte tomando o rumo de bolsos e cofres privados. O País deveria estar refletindo sobre isso há mais tempo.

“Há casos flagrantes de ineficácia de políticas públicas, em geral decorrente do mau uso das verbas do governo, não apenas e necessariamente por corrupção – que aparenta ser cada vez mais intensa -, mas também por falta de competência. O tempo crescente que boa parte dos moradores de São Paulo perde no trajeto entre a casa e o trabalho, e vice-versa, por causa da lentidão dos ônibus é um desses casos, e foi um dos motivos que levaram os manifestantes às ruas. Insegurança, maus serviços de saúde são outros.

“Para o setor produtivo, as más condições da malha rodoviária nacional, das ferrovias, dos portos e aeroportos, a burocracia excessiva, a rápida corrosão da credibilidade da política fiscal, as pressões inflacionárias são outros exemplos de políticas e práticas inadequadas do governo.

“Mas há um problema que, embora não seja tão óbvio, por não produzir efeitos imediatos, vem sendo apontado com mais insistência. Cresce, entre os que saíram às ruas – sobretudo os que, por serem estudantes, são vítimas diretas e imediatas -, a compreensão de que, além dos problemas que os afetam no presente, há outro mais grave, o da educação, que ameaça comprometer seu futuro e o do País.

“Vistos pelas estatísticas, o problema parece não existir. De acordo com o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 apresentado na semana passada no Senado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o que, proporcionalmente, o Brasil investe em educação, 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB), é muito próximo do que investem países como Holanda, França e Estados Unidos. A escolaridade média da população de 15 anos ou mais passou de 6,4 para 7,5 anos entre 2000 e 2010.

“Mas o problema do ensino brasileiro não é de quantidade, e sim de qualidade. No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) relativo a 2009, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil foi classificado em 54.º lugar entre 65 economias. Na qualidade do ensino de Matemática, a posição do Brasil é ainda pior, 57.º lugar, atrás de Chile, México e Argentina.

“São muitas as causas do atraso do ensino brasileiro em relação aos demais países, mesmo aqueles em estágio de desenvolvimento comparável ao nosso. Uma das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes sintetiza bem uma delas: ‘Professor vale mais que o Neymar’. Não se trata, é claro, de desmerecer as qualidades do titular da seleção brasileira e do mais novo integrante da espetacular equipe do Barcelona, mas de trazer ao conhecimento da população os maus efeitos da degradação das políticas públicas na área da educação, um dos quais é o aviltamento da profissão de professor do ensino público; outro, consequência do anterior, é a contínua perda da qualidade do ensino.

“Além do ensino básico, no qual o Brasil vai ficando para trás, há ainda o problema da educação profissional, orientada para a formação da mão de obra requisitada pelo mercado de trabalho. De acordo com a CNI, apenas 6,6% dos estudantes brasileiros do ensino médio regular fazem cursos profissionalizantes. Nos países desenvolvidos, segundo dados apurados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o índice é de cerca de 50% (55% no Japão, 52% na Alemanha e 41% na França e na Coreia do Sul).

“Da mesma forma, é muito baixa a porcentagem dos profissionais de nível superior graduados na área tecnológica, o que dificulta o avanço da inovação no País. Somente 5% dos graduados em faculdades no Brasil formam-se em Engenharia.

“Foram essas as razões que levaram a CNI a colocar a educação como a questão central para dar ao País condições de crescer em ritmo compatível ao da evolução do resto do mundo. ‘Uma sociedade educada é essencial na construção de instituições e de um ambiente favoráveis aos negócios’, diz a entidade, no resumo dos fatores-chave para a competitividade. ‘A educação também é o principal insumo para a inovação’, completa.

“O que pelo menos uma parte dos que saíram às ruas nos últimos dias está mostrando é que a necessidade de melhora do ensino brasileiro, tanto na educação básica como nas de nível mais alto, está deixando de ser tema apenas de um grupo ainda restrito de especialistas e de cidadãos preocupados com o futuro. Quanto mais pessoas se interessarem por isso – e por outras graves deficiências das políticas públicas -, maiores as chances de as autoridades buscarem as respostas corretas.

“Se isso não ocorrer, cedo ou tarde, não apenas os professores e os alunos, mas todos os brasileiros acabarão sofrendo as consequências desse descaso. Cidadãos menos preparados terão mais dificuldades para alcançar melhores condições de vida para si e sua família. Com profissionais menos preparados, mais dificuldades terá o País para alcançar níveis mais altos de produtividade e de competitividade. Outros países vêm obtendo resultados econômicos notáveis graças à qualidade de seu sistema de ensino.” (Jorge Okubaro,  , 24/6/2013.)

Transportes nas cidades

* Só 16% das verbas para mobilidade urbana foram gastas

“Apontados como o principal legado da Copa do Mundo no Brasil, os investimentos em mobilidade urbana nas cidades-sede patinam a menos de um ano da realização do evento. Primeiro, obras que deveriam ficar prontas até junho de 2014 foram retiradas da chamada matriz de responsabilidades, que lista os empreendimentos de infra-estrutura prioritários para a Copa e as populações locais. De abril de 2012 para abril de 2013, os investimentos previstos para mobilidade diminuíram de R$ 11,3 bilhões para R$ 8,8 bilhões.

“Depois, o governo federal e os governos locais não conseguiram avançar na execução dos projetos, uma morosidade detectada em diversas auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). Até agora, conforme dados atualizados pela Controladoria Geral da União, foi gasto apenas R$ 1,4 bilhão — menos de 16% — dos R$ 8,8 bilhões previstos para os 57 projetos mantidos na matriz da Copa, muitos dos quais não ficarão prontos a tempo de receber turistas daqui a um ano.

“O TCU, em decisões recentes, fez determinações ao Ministério das Cidades no sentido de averiguar os prazos estabelecidos por estados e municípios para a conclusão das obras. Num alerta emitido à pasta e também ao Ministério do Esporte, o tribunal ressaltou que a paralisação das obras poderá dificultar a mobilidade de turistas em razão dos canteiros abertos nas cidades. Sem esses projetos, restaria aos governos locais decretar feriados nos dias de jogos, uma forma de desafogar o sistema.

“O dinheiro para as obras de transporte público é oriundo basicamente de financiamentos da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com contrapartida dos governos locais. A grande maioria dos empreendimentos está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“A incapacidade dos governos de executar os projetos a tempo da Copa põe ainda mais combustível nos protestos que tomaram as ruas do país. Os principais motivos das manifestações são exatamente a busca por melhoria do transporte público e a crítica aos gastos bilionários com os estádios construídos ou reformados para a Copa. No pacto proposto ontem pela presidente Dilma Rousseff a governadores e prefeitos, ela prometeu mais R$ 50 bilhões para investimento em mobilidade urbana.

“Mas antes mesmo de Dilma anunciar esses novos investimentos em mobilidade urbana, o governo federal já tinha prometido R$ 49,9 bilhões, exatamente o mesmo valor, em investimentos no setor, segundo os mais recentes balanços do PAC, na linhas de mobilidade urbana de grandes cidades (R$ 32,5 bilhões), de médias cidades (R$ 8,6 bilhões), e o segmento da Copa (R$ 8,8 bilhões). Boa parte desses investimentos, que se referem a grandes cidades, permanece apenas no papel após mais de um ano desde que foram anunciados. O governo federal argumenta que o ritmo dessas obras depende de estados e municípios, que são os reais executores ou contratantes dos projetos.

“As 12 obras de mobilidade que foram excluídas da matriz de responsabilidades da Copa somam R$ 3,8 bilhões. Assim, se forem levados em conta esses empreendimentos que inicialmente deveriam ficar prontos até junho de 2014, a proporção de pagamentos já feitos para as obras de mobilidade é ainda mais baixa, de apenas 11%.

“As obras de um BRT em Brasília e de um monotrilho em Manaus, por exemplo, já foram descartadas para os jogos e mais empreendimentos devem ser excluídos da matriz de responsabilidades. É exatamente o BRT de Brasília o empreendimento mais acelerado do PAC 2, com 30% dos investimentos realizados, segundo balanço anunciado no último dia 10. Os outros cinco BRTs que estão em obras têm menos de 15% realizados.

“Em meio às manifestações, construtoras e a CEF debatem formas para destravar obras de mobilidade da segunda fase do PAC 2. De uma reunião entre Caixa e empresas, na semana passada, resultaram sugestões de ajustes regulatórios para acelerar os empreendimentos a serem enviadas ao Ministério do Planejamento, que gere o PAC 2.

“Entre as sugestões de regulação apresentadas pela Comissão Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) está a possibilidade de as empresas envolvidas nos projetos participarem das reuniões do Grupo de Gestão Integrada (GGI), pelo qual técnicos do governo discutem obras do PAC com governos regionais periodicamente. Pela proposta, União, demais entes federativos e construtoras sentarão à mesa para definir medidas para acelerar os empreendimentos. As medidas passaram a ser discutidas depois da eclosão dos protestos nas ruas.” (Vinicius Sassine e Danielo Fariello, O Globo, 25/6/2013.)

* Se o governo quiser falar sério sobre mobilidade urbana, seria bom deixar de lado essa sandice de obsessão com o trem-bala

“O governo precisa mudar projetos e prioridades se estiver falando sério sobre mobilidade urbana. O trem-bala é a maior obsessão. Mas vejam se faz sentido: iria custar R$ 12 bilhões, depois chegou a R$ 19 bi, passou para R$ 30 bilhões, e agora é R$ 33 bi. No mercado se diz que pode chegar a R$ 60 bilhões. Com esse dinheiro, daria para triplicar a rede de metrôs que existe hoje no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“O professor Paulo Fernando Fleury, especialista em logística, acha que um sinal de que não faz sentido essa insistência é o fato de que o leilão foi marcado e suspenso três vezes porque não aparecia empresa interessada. A cada fracasso, o governo aumentou as vantagens para o empreendedor, elevando a parte que será financiada ou garantida pelo governo: ‘Hoje já se pode dizer que 90% do projeto será de uma forma ou de outra com capital estatal em financiamento ou subsídio. A nova licitação está marcada para este ano.”

“Seria maravilhoso, de fato, ter um trem rápido ligando Rio e São Paulo para ser alternativa à ponte-aérea. A questão é que o Brasil está sufocado por problemas de mobilidade urbana mais urgentes. Praticamente, as cidades estão paradas no trânsito, perdendo tempo, produtividade, vida em família, lazer, chance de ficar com os filhos, hora de namorar, tempo para o descanso. Horas e horas, todo o dia é dia de ficar parado no trânsito. Ninguém aguenta tanto sufoco e isso se espalhou pelo Brasil. Há muito tempo São Paulo perdeu a exclusividade desse tormento. E quem vai de transporte público sofre infinitamente mais.

“Nisso, o governo deixa de investir o pouco que está no Orçamento para a mobilidade urbana. Os dados do site Contas Abertas são estarrecedores. ‘Nos últimos 11 anos, desde 2002, todo o dinheiro previsto para a mobilidade urbana no Orçamento Geral da União foi de R$ 5,8 bilhões e foi desembolsado apenas R$ 1,1 bilhão. Isso é 19% do total que estava autorizado no Orçamento’, diz Gil Castelo Branco.

“Agora, leitores, comparem a exuberância do dinheiro que será necessário para fazer o trem-bala e a irrisória quantia colocada em 11 anos em mobilidade urbana. E vamos pensar: o que é mais importante?

“Quando foi criada a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), elogiei, aqui neste espaço, pensando que, afinal, haveria algum órgão pensando a logística do país de uma forma geral. ‘A EPL está com todo o foco voltado para o trem-bala. Só o estudo de engenharia detalhado custou R$ 1 bilhão’, diz Paulo Fleury.

“A mobilidade urbana é assunto dos três níveis administrativos, mas grande parte das obras pode ser feita com recursos da União. ‘No sétimo balanço do PAC, o governo informa que em mobilidade urbana há 50 obras nas grandes cidades, duas concluídas, e 63 projetos nas cidades médias, todas em ‘ação preparatória’’, diz Gil Castelo Branco.

“Enquanto não investia em obras para melhorar o ir e vir nas engarrafadas cidades brasileiras, o governo abriu mão de bilhões de impostos para incentivar a compra de carro individual, perdendo recursos que, por lei, deveriam ser destinados ao investimento em infra-estrutura de transporte.

“Se o governo quer mesmo falar sério sobre um pacto com os outros entes federados em mobilidade urbana, terá que fazer mais do que dar mais um subsídio ao diesel. Precisa realmente investir pesado nessa área. E será preciso escolher o que é mais importante.

“A presidente Dilma disse que serão feitos investimentos de R$ 50 bilhões. Mas faltou dizer: onde, em que projetos, em quanto tempo, quais serão as prioridades, e de onde sairá o dinheiro? Se não responder isso, está jogando números ao vento. Mais uma vez.” (Míriam Leitão, O Globo, 26/6/2013.)

A mais cara de todas as Copas

* O custo da Copa deverá ser de R$ 28 bilhões, mais que a soma do gasto nas Copas de 2002, 2006 e 2010

“A Copa do Mundo de 2014 no Brasil será a mais cara de todas. O secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luís Fernandes, anunciou que em julho seu custo total chegará a R$ 28 bilhões, um aumento de 10% em relação ao total calculado em abril, que era de R$ 25,3 bilhões. E supera em R$ 6 bilhões (mais 27%) o que em 2011 se previa que seria gasto.

“Por enquanto, já se sabe que o contribuinte brasileiro arcará com o equivalente ao que gastaram japoneses e coreanos em 2002 (R$ 10,1 bilhões) mais o que pagaram os alemães em 2006 (R$ 10,7 bilhões) e africanos do sul em 2010 (R$ 7,3 bilhões).

“O ‘privilégio’ cantado em prosa e verso pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que se sentou sobre os louros da escolha em 2007, e entoado por sua sucessora, Dilma Rousseff, em cuja gestão se realizará o torneio promovido pela Fifa, custará quatro vezes os gastos dos anfitriões do último certame e três vezes os gastos dos dois anteriores.

“O governo federal não justifica – nem teria como – este disparate. Mas, por incrível que pareça, os responsáveis pela gastança encontram um motivo para comemorar: a conta ainda não chegou ao teto anunciado em 2010, que era de R$ 33 bilhões. É provável, contudo, que esse teto seja alcançado, superando o recorde já batido, pois, se os custos cresceram 10% em dois meses, não surpreenderá ninguém que subam mais 18% em 12 meses.

“Esta conta salgada é execrada porque dará um desfalque enorme nos cofres da União, que poderiam estar sendo abertos para a construção de escolas, hospitais, estradas, creches e outros equipamentos dos quais o País é carente. Como, aliás, têm lembrado os manifestantes que contestam a decisão oficial de bancar a qualquer custo a realização da Copa das Confederações, do Mundial de 2014 e da Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. E, além dos valores, saltam aos olhos evidências de que tal custo não trará benefícios de igual monta.

“É natural que, no afã de justificar o custo proibitivo, o governo exagere nas promessas de uma melhoria das condições de vida de quem banca a extravagância. Segundo Fernandes, responsável pela parte que cabe ao governo na organização do torneio, ‘a Copa alavanca investimentos em saúde, educação, meio ambiente e outros setores’. E mais: ‘Ou aproveitamos esse (sic) momento para o desenvolvimento do País ou perdemos essa (sic) oportunidade histórica’.

“A Nação aguarda, com muita ansiedade, que o governo, do qual participa o secretário executivo do Ministério dos Esportes, venha a público esclarecer quantos hospitais, escolas ou presídios têm sido construídos e que equipamentos têm sido adquiridos para melhorar nossos péssimos serviços públicos com recursos aportados por torneios esportivos que nos custam os olhos da cara.

“Não é preciso ir longe para contestar esta falácia da ‘Copa cidadã’: o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) previu um ‘legado inestimável’ que ficaria da realização dos Jogos Pan-americanos de 2007 na mesma cidade onde será disputada a Olimpíada de 2016. O tal ‘legado’ virou entulho: os equipamentos construídos para aquele fim estão sendo demolidos e reconstruídos e, enquanto não ficam prontos, os atletas simplesmente não têm onde se preparar para disputar os Jogos Olímpicos daqui a três anos.

“A manutenção do estádio Green Point, na Cidade do Cabo, que custou R$ 600 milhões (menos da metade dos gastos na reforma do Maracanã, no Rio, e do Mané Garrincha, em Brasília) para ser usado na Copa da África do Sul, demanda, por ano, R$ 10,5 milhões em manutenção, o que levou a prefeitura local a cogitar de sua demolição. Por que os estádios de Manaus, Cuiabá e Natal terão destino diferente depois da Copa?

“A matemática revela que o maior beneficiário da Copa de 2014 será mesmo a Fifa, e não o cidadão brasileiro, que paga a conta bilionária. Prevê-se que o lucro da entidade será de R$ 4 bilhões, o dobro do que arrecadou na Alemanha e o triplo do que lucrou na África do Sul. O resto é lorota para enganar ingênuos e fazer boi dormir.” (Editorial, Estadão, 23/6/2013.)

* A Fifa e o Ministério dos Esportes dizem que é tudo pelo bem do Brasil e o governo não gastou um tostão. Haja óleo de peroba para tanta cara de pau

“A construção de estádios faz parte do plano de desenvolvimento social, a Fifa é uma instituição não lucrativa e ‘faz bem’ ao País e o governo não deu dinheiro para a Copa. Temendo uma fuga em massa de torcedores estrangeiros para a Copa de 2014, de patrocinadores e mesmo investidores diante dos protestos contra o Mundial, a Fifa e o governo fizeram ontem uma ofensiva inédita para abafar a crise que afeta o governo de Dilma Rousseff e a instituição. Mas admitem: os estádios ficarão 9% mais caros.

“Ontem (24/6), o que era para ser uma coletiva de imprensa para fazer uma avaliação da Copa das Confederações se transformou num palanque para tentar reverter uma das piores crises já vividas pela entidade. Se Brasília e a Fifa por tantos anos se atacaram, ontem a ordem era a de se unir para evitar um fracasso comercial da Copa.

“Em alguns jogos, os organizadores admitiram ao Estado que cerca de 2 mil convidados VIP não apareceram, temendo a violência. Já patrocinadores têm comunicado à Fifa que querem adotar um perfil mais reservado e repensam planos para 2014. Para a entidade e para o governo, isso ameaça se traduzir em perdas financeiras.

“Manipulando números, reciclando informes velhos e deixando muitas perguntas sem resposta, a cúpula da Copa tentou de tudo para convencer que o Mundial é um grande negócio, na esperança de acalmar as ruas. ‘Não devemos falar de custo da Copa, mas da oportunidade da Copa’, justificou Luis Fernandes, secretário executivo do Ministério dos Esportes sobre o orçamento para o Mundial. ‘Estamos fazendo boas coisas (para o Brasil)’, declarou Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa.

“O dirigente confirmou que a receita da Copa deve chegar a US$4 bilhões e que serão gastos US$ 1,5 bilhão na organização. O restante será distribuído para ‘desenvolver o futebol’. ‘Não estamos ganhando dinheiro para circular em grandes Mercedes’, disse. Segundo ele, é errada a percepção de que a Fifa veio ao Brasil ‘ganhar dinheiro, não pagar impostos e que irá sair correndo do País’. ‘Estamos fazendo coisas boas. Não estou envergonhado do que estamos fazendo’, disse.

“Enquanto a Fifa exaltava seu perfil de bom samaritano, o ministro Aldo Rebelo reforçava o discurso apresentado pela presidente Dilma, na sexta-feira (21/6), de que o governo federal não gastou um tostão com a preparação do País para as Confederações e o Mundial.

“O conceito de recursos públicos, porém, foi modificado. ‘Não há recursos do orçamento da união. Há recursos na forma de renúncia fiscal, de subsídios, que é algo que o governo distribui de forma ampla e generosa’, disse o ministro, que achou ocasião para cutucar os jornalistas e tentar constrangê-los. ‘Fazemos isso até para as empresas jornalísticas. O governo federal, pelas empresas estatais, promove um grande número de publicidade (nesses veículos).Vocês podem imaginar quanto as TVs já receberam esses anos todos de empresas públicas.’

“Ao ser confrontado com o fato de o BNDES, com dinheiro público, ter financiado a edificação das arenas, Rebelo garantiu que os valores emprestados serão recuperados e que os estádios também têm um caráter de promover melhora nas condições de vida de determinadas áreas. ‘O BNDES trabalha com a meta de financiar projetos que estejam de acordo com o desenvolvimento do país. O estádio do Corinthians vai trazer desenvolvimento para a área com o pior índice de desenvolvimento humano de São Paulo.’ Ele não explicou que parte dos empréstimos vão justamente para governos estaduais, não citou o fato de que parte do estádio de Brasília é feito com recursos de empresas que têm a União como acionista nem que o BNDES dá juros com taxas subsidiadas.

“Numa resposta às ruas, Rebelo ainda destacou que os bilhões destinados à construção de estádios não prejudicaram o investimento em áreas essenciais como saúde e educação. Os recursos para saúde entre 2007 e 2013 foram de R$ 447 bilhões, enquanto o orçamento do Ministério do Esporte teria sido apenas 1% desse valor. ‘Não há desvio de recursos destinados à saúde e educação para obras da Copas’, disse.

“Rebelo insistiu que os investimentos privados superam em muito os gastos públicos. Para ele, o grosso dos R$ 28 bilhões de despesas previstos na Matriz de Responsabilidade já seriam necessários no futuro, com ou sem a Copa do Mundo.

“Esse valor, porém, é 9% superior às projeções feitas há três meses. Mas tiveram de admitir que o valor do projeto hoje é maior do que previam em abril. Os estádios,por enquanto, ficarão orçados em R$ 7,6 bilhões, cerca de R$ 600 milhões a mais do que se imaginava em abril. Em 2010, o plano inicial indicava que os estádios custariam R$ 5,5 bilhões. Já as obras nos aeroportos foram recalculadas, com um incremento de 24% nos custos, em mais de R$ 1,5 bilhão.

“Na operação de abafa, a Fifa e o COL ainda usaram um informe de 2010 mostrando que a Copa renderia R$ 112 bilhões à economia nacional e criaria 3,6 milhões de empregos. Em outros dados, o governo insiste que 24.5 mil empregos foram criados nas obras dos estádios e R$ 100 milhões em negócios para pequenas empresas.

“A Fifa insiste que parte de seu dinheiro vai ficar no Brasil. Contratou 15 empresas nacionais para fornecer alimentos nos estádios e vai gastar R$ 448 milhões em quartos de hotéis apenas para a família Fifa em 2014.” (Jamil Chade, Leonardo Maia e Tiago Rogero, Estadão, 25/6/2013.)

A inflação

* Prévia da inflação estoura o teto da meta

“O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,38% em junho e ficou abaixo do resultado de maio, cuja taxa foi 0,46%, apontou o IBGE ontem (21/6). Mas, considerando os últimos 12 meses, o índice foi para 6,67%, situando-se acima dos 6,46% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Com este resultado, a inflação no acumulado dos últimos 12 meses fica acima do teto da meta do governo (6,5%). Em junho de 2012 a taxa havia ficado em 0,18%.

“’Apesar de ter estourado a meta de 12 meses, a inflação de certa forma está um pouco mais acomodada’, afirma João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos. ‘Se a inflação se acomodar nestes patamares, a tendência é de que comece a cair um pouco, principalmente diante do início do ciclo de aperto monetário do Banco Central’, analisa.

“Mais uma vez, os remédios e os alimentos foram os principais responsáveis pela desaceleração do IPCA-15 de maio para junho. Com 0,65%, após terem aumentado 2,94% em maio, os remédios, refletindo reajuste vigente desde 4 de abril, completaram alta de 4,85% neste primeiro semestre do ano. Segundo Daniel Cunha, analista da XP Investimentos, os alimentos já estão promovendo uma importante desinflação no índice de preços e tem sido os destaques no atual alívio no IPCA quando comparado aos níveis observados no inicio do ano.” (Sérgio Vieira, O Globo, 22/6/2013.)

* Alta de alimento frustra expectativa e, com o câmbio, pressiona a inflação

“O governo, que contava com a continuidade do forte recuo dos preços dos alimentos e a estabilidade do câmbio para segurar a inflação deste ano, está perdendo aliados. Os preços no atacado dos produtos agropecuários voltaram a subir este mês, apesar da supersafra. E o dólar disparou: o câmbio fechou a semana cotado a R$ 2,24, com alta de 10% em 30 dias.

“Ainda é cedo para saber qual será o impacto dessas pressões na inflação ao consumidor. Embora ainda não tenham revisado para cima as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial da inflação, economistas dizem que aumentou o risco de fechar o ano com um índice superior a 6%.

No último Boletim Focus do Banco Central (BC), a expectativa do mercado para o IPCA de 2013 era de 5,83%. E em 12 meses até maio, o indicador acumula alta de 6,5%. ‘Ninguém esperava que a alimentação fosse ficar mal comportada de novo e houvesse uma explosão do câmbio tão forte’, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Segundo ele, esses dois elementos novos combinados têm efeito devastador sobre a inflação.

O economista, que já previa IPCA de 6% para este ano, acredita que essa marca possa ser superada. Ele diz achar difícil ‘comprar’ a visão do BC de que há uma queda drástica nos preços dos alimentos e cita o feijão como o próximo vilão. Em 12 meses até maio, o preço do feijão carioca ao consumidor subiu 44%. Na sexta-feira, o governo propôs à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a isenção até dezembro da incidência da Tarifa Externa Comum (TEC) nas importações do produto para aumentar a oferta e aliviar a pressão na inflação.

O feijão tem peso grande no cálculo da inflação (0,5%), o dobro do macarrão, por exemplo. ‘Os preços das matérias-primas, que ajudaram a alimentação no varejo a ter uma desaceleração forte em maio, trocaram de sinal este mês. Algumas podem ainda estar com variação negativa, mas todas estão em trajetória de elevação’, diz o superintendente adjunto de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Na segunda prévia de junho do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), as matérias-primas agropecuárias voltaram a subir no atacado e tiveram alta de 1,25%, depois da deflação de 2,22% em maio. ‘Ainda não é efeito do câmbio’, frisa Quadros. Ele ressalta que a pressão de preço dos produtos agrícolas, especialmente os de consumo doméstico, como arroz e feijão, ocorreu porque acabou a colheita e a produção desses grãos não foi bem, apesar da safra recorde, puxada por outros produtos. Cerca de 80% dos 186 milhões de toneladas de grãos colhidos neste ano são de soja e milho, itens de exportação. ‘Existe um paradoxo entre safra recorde e a folga no abastecimento’, observa Quadros.” (Márcia De Chiara, Estadão, 23/6/2013.)

As más notícias da Economia específicas desta semana

* Criação de emprego formal tem pior mês de maio em 21 anos

“O mercado formal de trabalho registrou no mês passado a geração líquida (admissões menos demissões) de 72.028 empregos, o menor resultado dos últimos 21 anos. Em relação ao mesmo período do ano passado, o nível do emprego com carteira assinada caiu 48,4%. Nos cinco primeiros meses deste ano, foram abertas 669.279 vagas, considerando os ajustes (dados fornecidos pelas empresas fora do prazo), queda de 23,7% em relação ao resultado obtido entre janeiro e maio de 2012, quando forma gerados 877.909 empregos.

“Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, revelam que no mês passado houve piora das contratações em todos os setores da economia e fechamento de postos em vários estados, principalmente do Norte e do Nordeste. Chama atenção o resultado negativo da construção civil, que fechou 1.877 vagas. No mesmo período do ano passado, o setor respondeu por um saldo líquido de 14.886 postos.

“O comércio abriu apenas 36 vagas, contra 9.749 em maio do ano passado. Até mesmo o ramo de serviços, que mais contratou no mês passado, tendo respondido por 21.154 empregos, registrou queda de 52,55% em relação ao saldo registrado em igual período de 2012.

“O emprego também caiu na indústria, que respondeu por 15.754 postos no mês passado, abaixo dos 20.299 criados em igual período de 2012. Houve fechamento de postos nos subsetores de metalurgia, mecânica, madeira e mobiliários, papel e papelão e calçados. Devido ao período de safra, a agricultura apresentou saldo positivo de 33.825 vagas, também abaixo do resultado registrado em maio do ano passado, que foi de 46.261.” (Geralda Doca, O Globo, 22/6/2013.)

* Déficit externo chega a US$ 73 bilhões, ou 3,2% do PIB, o maior em 11 anos

“O dólar mais caro já começa a pesar nas contas externas. Em maio, o déficit chegou a US$ 6,4 bilhões. Nos últimos 12 meses, o saldo de todas as transações com o mundo ficou negativo em US$ 73 bilhões: 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), o maior dos últimos 11 anos. E deve se agravar ainda mais. O BC espera um déficit de US$ 75 bilhões nas transações correntes em 2013. Esse número foi revisado, ontem, pela autarquia. Antes, o BC previa um déficit de US$ 67 bilhões.

“Como o Brasil tem importado mais, principalmente máquinas, equipamentos e insumos, a balança comercial fica cada vez mais fraca. O BC derrubou a estimativa para o saldo do comércio exterior de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões em 2013, o que provocou o aumento do rombo das contas externas.” (Gabriela Valente, O Globo, 22/6/2013.)

 

* Pioram as contas externas. O governo não poderia esquecer as eleições por um momento e cuidar da economia?

“O buraco nas contas externas cresceu em maio, será bem maior neste ano que em 2012 e o investimento estrangeiro direto será insuficiente para cobri-lo, segundo o Banco Central (BC). Com essa coleção de más notícias, o relatório mensal do banco sobre o balanço de pagamentos fechou uma semana penosa para o governo, marcada por marchas de protesto, vandalismo e violência nas ruas e forte instabilidade cambial.

“O déficit em conta corrente ficou em US$ 6,42 bilhões no mês passado, US$ 54,23 bilhões no ano e US$ 72,97 bilhões em 12 meses. Em cinco meses o déficit correspondeu a 4,18% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses, equivaleu a 3,2%. Nesse período, o investimento estrangeiro direto chegou a US$ 64,22 bilhões (2,82% do PIB). A diferença foi coberta com recursos de outros tipos – empréstimos e investimentos no mercado de capitais. O financiamento das contas externas ficou mais dependente, portanto, de recursos mais especulativos e mais instáveis.

“Um déficit pouco acima de 3% do PIB é em geral financiável sem muita dificuldade, mesmo quando é insuficiente o investimento de qualidade mais alta, aquele dirigido à compra de empresas, à criação de negócios e ao fortalecimento do setor produtivo.

“Não existe uma fronteira clara entre a zona segura e a de perigo, quando se trata de conta corrente deficitária. Muitos países têm conseguido conviver com déficits próximos de 4% do PIB, mas a segurança depende de vários fatores, como a situação fiscal, a inflação, o ritmo de crescimento econômico e, naturalmente, o cenário internacional.

“Os três primeiros fatores compõem a imagem do país e afetam a disposição dos investidores e emprestadores estrangeiros. Um quadro externo favorável pode ser insuficiente para garantir os financiamentos necessários, quando é baixa a confiança no país.

“No caso do Brasil, todas as condições importantes evoluem na direção menos favorável. Para começar, as contas externas estão em clara deterioração. O BC acaba de reduzir de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões o superávit comercial previsto para o ano.

“A projeção das exportações diminuiu de US$ 264 bilhões para US$ 248 bilhões. A das importações caiu bem menos, de US$ 249 bilhões para US$ 241 bilhões.

“O déficit previsto para serviços encolheu ligeiramente, para US$ 42,7 bilhões, e o estimado para rendas (como juros e dividendos) aumentou um pouco, para US$ 42,4 bilhões.

“Para as transferências correntes (como remessas de trabalhadores no exterior) a nova projeção continua positiva, em US$ 3,1 bilhões.

“Somadas essas contas – de mercadorias, de serviços e rendas e de transferências unilaterais – se chega a um déficit de U$ 75 bilhões em transações correntes.

“Na estimativa anterior, o rombo era de US$ 67 bilhões. Pela nova projeção, o déficit será de 3,22% do PIB. O investimento estrangeiro direto chegará a 2,79% e o resto será, portanto, coberto com recursos menos seguros.

“O primeiro dado preocupante é a tendência de aumento do déficit em conta corrente. Esse dado é conhecido tanto no mercado interno quanto no externo. A deterioração resulta principalmente da piora da conta de comércio, atribuível, sem muita discussão, ao baixo poder de competição da indústria – resultante de uma porção de fatores também conhecidos.

“Não há perspectiva de grande mudança nesse quadro nos próximos 12 meses. Outros indicadores também são ruins e tendem a piorar – especialmente no caso das contas públicas.

“Outro fator de preocupação é o quadro financeiro internacional. O Federal Reserve, o banco central americano, deverá até o fim do ano reduzir a emissão de dólares para irrigar o mercado.

“Não haverá enxugamento imediato, mas diminuição do ritmo de emissões. Bastou o anúncio do plano para o mercado se agitar. Se a tendência se confirmar, os financiamentos serão mais caros e os países com imagem comprometida serão os mais prejudicados.

“Será o governo capaz de esquecer as eleições por um momento para cuidar da economia?” (Editorial, Estadão, 23/6/2013.)

* BNDES perde R$ 17 bilhões em ativos

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) perdeu RS 17,074 bilhões em ativos no início do ano em relação ao fim de 2012. De acordo com o balanço publicado no site da instituição, o ativo total encolheu de R$ 715,486 bilhões no quarto trimestre do ano passado para R$ 698,412 no primeiro deste ano. Mesmo assim, o lucro teve alta de 25,6% no primeiro trimestre sobre igual período de 2012 e somou R$ 1,585 bilhão.

“Por meio de sua assessoria de imprensa, o BNDES considerou o resultado positivo. A queda no ativo total, segundo a instituição, deveu-se à quitação de operações compromissadas com data de vencimento. Ou seja, o banco pagou dívidas e reduziu também seu passivo. Por isso, o patrimônio líquido (que reúne os ativos, descontado o passivo) do banco recuou menos, R$ 5,37 bilhões, passando para R$ 46,799 bilhões, na mesma comparação.” (Vinicius Neder, Estadão, 21/6/2013.)

* Na América Latina, Brasil está entre os primeiros na inflação alta e é o penúltimo no crescimento baixo

“Às voltas com inflação em alta, fuga de capitais e lentidão na realização de investimentos, o Brasil é o país que teve a segunda mais baixa variação do Produto Interno Bruto (PIB) entre as nações da América Latina no ano passado: apenas 0,9%, último entre os que apresentaram crescimento e à frente apenas do Paraguai, que apresentou queda de 1,2% no PIB em 2012. Os dados são da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) que fez um ranking com 20 países da região.

“Além do PIB foram analisadas também as taxas de infação desses países. A brasileira, de 5,8%, no ano passado, foi a sexta mais alta da região, abaixo de parceiros latinos como a Venezuela, a Argentina e o Uruguai, que em 2012 registraram taxas de 19,5%,10,8% e 7,5%, respectivamente.

“Ao que tudo indica, contudo, para 2013, a expectativa é que o país piore nesse ranking, já que nos últimos doze meses a inflação acumulada, medida pelo IPCA-15 — que faz uma prévia da inflação oficial —, chegou aos 6,67%, estourando o teto da meta do governo, que era de 6,5%.

“Os números da Cepal serão revistos para baixo no próximo mês, devido à conjuntura na região. Em abril, a expectativa do organismo era que Argentina e Brasil melhorassem seu desempenho, mas agora há dúvidas quanto a isso. A última projeção da Cepal era que a América Latina cresceria 3,5% em 2012.” (Eliane Oliveira, O Globo, 24/6/2013.)

* Menos fôlego para crescer: crédito deve ter em 2013 a menor alta em dez anos

“Apesar do esforço do governo e dos bancos públicos para estimular a atividade econômica com o aumento da oferta de crédito para o consumo e investimentos, os financiamentos bancários patinam e devem fechar 2013 com a menor taxa de expansão em dez anos. De janeiro a abril, o volume de empréstimos desembolsados pelos bancos públicos cresceu 6,3%, enquanto que entre os bancos privados o avanço foi de módico 1,02%, menos da metade do registrado nos quatro primeiros meses de 2012, quando a alta fora de 2,2%. Se descontada a inflação do período, de 2,5%, a concessão de crédito encolheu nas instituições privadas. Os dados são do Banco Central, que amanhã divulga o relatório de crédito relativo a maio, que, segundo os especialistas, deve confirmar a perda de fôlego dos financiamentos.

“Em sua Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativas de Mercado, divulgada no último dia 12, a própria Febraban, entidade que representa o setor bancário, reviu para 15,5% a projeção de crescimento do crédito em 2013. Baseada em dados coletados com 29 bancos, essa mesma pesquisa, em dezembro de 2012, apontava para uma alta de 16,2% para o crédito ao longo de 2013. O levantamento da Febraban, porém, foi feito entre os dias 7 e 11, antes portanto da piora do cenário econômico da última semana, agravado pela disparada do dólar depois da indicação do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de uma provável reversão na política monetária ainda este ano, e onda de manifestações pelo país na última semana.

“Movimentos que, na avaliação dos analistas, tendem a puxar ainda mais para baixo essa expansão dos financiamentos. Álvaro Bandeira, economista e sócio da Órama Investimentos, estima que o crédito este ano crescerá entre 14% e 15%, na melhor das hipóteses. Ou seja, no melhor cenário ainda estaria abaixo dos 15,2% de alta de 2009, ano em que a ‘marolinha’ da crise internacional fez o PIB brasileiro encolher 0,3%. E será também o menor patamar desde 2003, ano em que o dólar disparou, os juros foram às alturas e o mercado de crédito brasileiro cresceu apenas 8,8%.” (Ronaldo D’Ercole, O Globo, 24/6/2013.)

 

* Endividamento das famílias brasileiras bate recorde

“As famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. De acordo com os dados mais recentes do Banco Central (BC), divulgados ontem, o nível do endividamento subiu de 43,97% em março para 44,23% em abril. Quebrou todos os recordes desde que a autoridade monetária começou a registrar as informações, em 2005. Isso significa que a dívida total com os bancos representa quase a metade de toda a renda familiar anual. O levantamento não leva em conta os dados de endividamento dos consumidores no varejo.

“Os números do BC mostram que o aumento da dívida foi provocado por financiamentos da casa própria. Descontados esses financiamentos, o endividamento das famílias ficou estável em 30,47% no mês. Segundo economistas, o dado comprova que o crédito voltado para o consumo não aumentou em relação à renda e que a alta da dívida foi causada pela compra de moradia.” (Gabriela Valente, O Globo, 25/6/2013.)

* Pagamos R$ 87,858 bilhões ao governo federal em impostos em maio, um recorde

“Com a ajuda de receitas extraordinárias de R$ 4 bilhões, a arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu a soma recorde de R$ 87,858 bilhões em maio. O montante representa um crescimento real de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, no acumulado de janeiro a maio, a sociedade já pagou R$ 458,302 bilhões em impostos, soma também recorde e equivalente a uma alta real de 0,77% sobre 2012.

“Segundo relatório divulgado ontem (24/6) pela Receita Federal, o reforço nos cofres públicos veio do setor financeiro. Do total de R$ 4 bilhões, R$ 1 bilhão refere-se a depósito judicial feito por instituição que questiona cobrança envolvendo PIS/Cofins. Outros R$ 3 bilhões são de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre Lucro Líquido sobre ganhos de capital pagos por uma empresa do setor financeiro na alienação de participação societária.

“De acordo com o relatório do Fisco, sem os recursos atípicos, a arrecadação estaria praticamente estagnada no ano. Mesmo assim, o secretário da Receita, Carlos Alberto Barreto, considerou o resultado positivo até maio e destacou que as receitas também refletem o aumento do dinamismo da atividade econômica. As vendas de bens e serviços, por exemplo, subiram 5,08% entre janeiro e maio, contra um crescimento de 4,08% entre janeiro e abril. Essa alta aparece no recolhimento de PIS/Cofins, que somou R$ 98,715 bilhões até maio, 6,5% acima do registrado em 2012.” (Martha Beck, O Globo, 25/6/2013.)

* Brasil é o país emergente com maior dívida

“O Banco de Compensações Internacionais (BIS, o Banco Central dos bancos centrais) revelou que o Brasil ultrapassou a Índia e passou a carregar o título de grande emergente com a maior dívida bruta. Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que o País passou a liderar o incômodo ranking porque, em 2012, amargou a maior alta do endividamento entre os grandes países em desenvolvimento. No ano passado, o País terminou com dívida bruta equivalente a 68,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Dados do FMI mostram que a dívida bruta brasileira cresceu em 2012 o equivalente a 3,52 pontos porcentuais do PIB na comparação com o ano anterior. O número equivale a R$ 323,7 bilhões. Com esse desempenho, o Brasil terminou o ano passado com dívida bruta de R$ 3,014 trilhões.

“Em relação ao PIB, o aumento da dívida brasileira foi o maior entre todos os emergentes do G20: África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia. Nesse grupo, os sul-africanos ficaram em segundo no aumento da dívida bruta, com 2,6 pontos no ano. Lá, porém, a dívida bruta é bem menor: 42,3% do PIB. Entre os demais países, a China diminuiu a cifra em 2,6 pontos do PIB, a Rússia em 0,8 ponto e a Índia aumentou em 0,5 ponto.

“Mesmo com esse aumento observado na Índia, o salto visto no Brasil foi maior e, por isso, os brasileiros tomaram dos indianos o título de emergente com a maior dívida bruta. Na Índia, o indicador terminou 2012 em 66,8% do PIB. Desde 2006, a Índia liderava o ranking. Antes, a Argentina ocupava o posto.

“No domingo (23/6), o BIS citou em relatório que o Brasil opera a dívida bruta em um campo considerado inseguro. Mesmo com a ressalva que ‘não existe uma regra exata para definir metas para dívida’, ‘cálculos supõem um nível seguro para a dívida de 60% do PIB para economias avançadas e de 40% do PIB para economias emergentes’.” (Fernando Nakagawa, Estadão, 25/6/2013.)

 

* Economia do governo para pagar juros recua 29% no ano. Despesas avançam, e há pressão por mais gastos

“Não será nada fácil para a equipe econômica cumprir a meta fiscal de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) prometida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para 2013. A economia feita pelo governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) para o pagamento de juros da dívida pública, o chamado superávit primário, somou R$ 33 bilhões até maio – resultado que representa uma queda de 29,5% em relação ao mesmo período de 2012. Dados divulgados ontem (25/6) pelo Tesouro mostram que as receitas têm crescido em ritmo bem abaixo das despesas, que agora estão pressionadas pelas manifestações populares, com cobranças por mais investimentos em educação, saúde e transporte.

“Mesmo com o esforço fiscal realizado entre janeiro e maio, ainda será preciso economizar mais R$ 30 bilhões até o fim do ano para atingir a meta fixada para o governo central no ano, de R$ 63 bilhões, ou 1,35% do PIB. Para chegar aos 2,3% do PIB de economia do setor público, o restante da economia precisará vir de estados e municípios, cuja meta anual é de R$ 47,8 bilhões, ou 0,95% do PIB. O Banco Central divulga esta semana como está o desempenho desses entes até maio, mas até abril o superávit primário foi de apenas R$ 14 bilhões.

“Ou seja, em termos anualizados, o esforço fiscal de estados e municípios até abril estava bem abaixo do compromisso oficial: apenas 0,49% do PIB. A dificuldade para fechar as contas já levou a Fazenda a admitir que vai compensar o resultado dos governos regionais, caso não cumpram sua meta. Embora a equipe econômica tenha conseguido mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013 para que a União não tivesse mais que compensar resultados negativos de estados e municípios, a medida não será usada este ano. Para justificar a decisão, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou ontem: ‘ Já informamos que o primário do ano é de 2,3%, com compensação de estados e municípios, embora o governo não tenha obrigação de fazer isso. A política (de não compensar) é perene e não específica para 2013.’

“O fraco desempenho da arrecadação devido ao baixo crescimento da economia, combinado com gastos elevados, deteriorou as contas públicas, provocando críticas do mercado e levando a agência de classificação de risco Standard & Poor’s a ameaçar rebaixar a nota do Brasil. Somente as desonerações tributárias já tiveram um impacto de R$ 28,7 bilhões nas receitas até maio. Para dar uma resposta às críticas, o ministro Mantega decidiu assumir publicamente o compromisso com a meta de 2,3% do PIB. Embora o objetivo oficial seja de 3,1% do PIB, ou R$ 155,9 bilhões, o governo não conseguirá atingi-lo e terá que abater R$ 45,2 bilhões com investimentos e desonerações da conta.” (Martha Beck e Geralda Doca, O Globo, 26/6/2013.)

* OCDE vê economia do Brasil em ponto crítico

“A economia brasileira atingiu um ponto crítico, chegou a uma espécie de bifurcação e pode retomar o crescimento ou estacionar. Esta é a opinião de Pier Carlo Padoan, economista-chefe da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de clube dos ricos, do qual o Brasil não faz parte.

“Padoan, que acumula a função de vice-secretário geral da OCDE, esteve no Brasil há duas semanas para a revisão anual que a instituição faz das políticas do país. E suas recomendações ao governo são para adotar mais transparência na política fiscal, sobretudo nos gastos públicos; reduzir a dependência do setor bancário de uma expansão do crédito via bancos públicos e aumentar os investimentos em infra-estrutura. ‘Nos últimos dez anos, o Brasil reconciliou a estabilidade econômica com o progresso social, mas este avanço parece ter estacionado. O país pode continuar a crescer, a gerar emprego e a combater a desigualdade. Ou pode parar. É um momento crucial, que se confunde com as atuais manifestações sociais.’

“Padoan destacou que a reversão no cenário internacional, com a expectativa de fim da injeção de recursos no mercado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), pode ser saudável para a economia mundial e, principalmente, para os países que, como o Brasil, acumulam déficit em suas trocas com o exterior. ‘O ministro Mantega há alguns anos reclamou do que chamou de guerra cambial e do forte fluxo de capitais para países emergentes. Agora o que vemos é justamente o movimento oposto. A questão é saber o quão rapidamente as taxas de juros vão subir.’

“O aperto do crédito na China, porém, surpreendeu até mesmo os especialistas da OCDE. ‘Não está totalmente claro como as autoridades chinesas estão lidando com o que parece ser uma bolha ou um excesso de liquidez, e porquê elas demoraram a intervir’, disse Padoan. (Luciana Rodrigues, O Globo, 26/6/2013.)

* Embarques de produtos de ferro e aço para o exterior têm queda de 54% em relação a 2012

“Abalada pelo déficit de US$ 3,7 bilhões acumulado até a terceira semana de junho, a balança comercial deve enfraquecer ainda mais com a queda de preços das commodities exportadas pelo Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que, nas três primeiras semanas do mês, os embarques de semimanufaturados de ferro e aço tiveram queda de 35,7% em relação a maio e 54,1% ante junho de 2012. As vendas de laminados planos caíram 31,5% e 41%, respectivamente.

“As commodities representam 70% da pauta de exportações, e são elas que vêm sustentando a balança. Embora as exportações de soja tenham aumentado 31% em comparação com junho de 2012, as vendas caíram 14,1% ante maio deste ano. Os embarques de óleos combustíveis caíram 16,9% ante maio e 26,7% em relação a junho de 2012. Já as exportações de algodão caíram 41% e 58%, respectivamente.

“Entre as razões para a queda nas commodities estão a redução do crescimento da China e a perspectiva de freio na política de incentivos nos EUA. O secretário-executivo da Federação da Agricultura de Mato Grosso, Seneri Paludo, lembrou que a safra americana de soja deve bater um novo recorde. A expectativa de que a colheita será boa já influencia os preços. ‘Quando há uma queda no preço, o produtor e o vendedor se retraem à espera de um cenário melhor’, afirmou.

“Outro produto que preocupa é o minério de ferro, responsável por 13% das exportações brasileiras. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o preço do minério exportado caiu de US$ 108,9 dólares a tonelada na primeira semana de junho para US$ 105,9 na segunda. Na terceira, despencou para US$ 93,4. ‘Se juntar a queda do minério de ferro, que será sentida com mais força nos próximos meses, com o fim dos embarques de soja e a diminuição do preço do petróleo no mercado externo, a combinação é explosiva. São os principais produtos que vendemos para a China’, disse o presidente da AEB, José Augusto de Castro. (Eliane Oliveira, O Globo, 26/6/2013.)

* Petrobrás e Vale perdem R$ 100 bilhões em valor de mercado em 12 meses

“As duas empresas cujas ações têm maior peso no Ibovespa, principal índice da Bovespa, foram as que mais perderam valor de mercado nos últimos 12 meses, até ontem, entre os papéis do índice. A perda das duas supera R$ 100 bilhões. O valor da Petrobrás recuou R$ 51,6 bilhões, de R$ 250,5 bilhões para R$ 198,9 bilhões. No caso da Vale, a perda é de R$ 48,7 bilhões. O valor da mineradora caiu de R$ 199,5 bilhões para R$ 150,1 bilhões, segundo cálculo do analista Rodolfo Amstalden, da Empiricus Research, parceira do Investmania.

“Em junho do ano passado, as ações PNA da Vale eram negociadas a R$ 39,16. Hoje, saem por R$ 26,89, desvalorização de 40,7%. Os papéis PN da Petrobrás, que eram negociados a R$ 18,26, agora valem R$ 15,92, perda de 12,8%.

“Além dos problemas do país, como crescimento pífio do PIB e saída de investidores da Bovespa em direção a investimentos mais seguros, as duas empresas, que estão entre as mais negociadas do pregão, são afetadas por outras questões, como a queda global das commodities. ‘A Petrobrás é afetada pela alta do câmbio, pois tem despesas em dólar. Além disso, vem sofrendo com ingerências do governo federal. E precisa de investimentos gigantescos para aumentar sua produção’, diz Bernardo Dantas, sócio da Edge Investimentos.

“Desde 2010, a estatal registra perdas com a venda de combustíveis no país, por causa da política de contenção de preços do governo. Além disso, a valorização do dólar – já subiu mais de 9% neste ano – ocorre em um momento em que o consumo de gasolina subiu 58% entre 2008 e 2012 no Brasil, com o aumento da frota.

“Para a Vale, o grande fator de preocupação é o menor crescimento chinês. Com a perspectiva de redução do crédito para o consumo dos chineses, o crescimento de 7,5% previsto para este ano fica ameaçado.” (João Sorima Neto, O Globo, 26/6/2013.)

* Índice de confiança da indústria cai ao menor nível em um ano

“O índice de confiança da indústria (ICI) caiu 1,1% em junho em relação a maio, passando de 105,0 para 103,8 pontos no período, informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Trata-se do menor nível do indicador desde julho de 2012 e indica que, após a aceleração observada no início do ano, a indústria apresenta um ritmo moderado de atividade na virada entre o primeiro e o segundo semestre de 2013.

“Para o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, os números gerais do ICI mostram que a percepção das empresas não tem apresentado muita volatilidade. ‘O resultado do mês é de desaceleração, mas os números gerais mostram que a confiança parece andar um pouco de lado.’ Segundo ele, ao longo de 2012, houve uma recuperação modesta da confiança que perdeu fôlego. Para ele, um dos

motivos da confiança não estar aumentando de maneira consistente é que ‘esta recuperação é pouco disseminada’. ‘É algo que tem sido influenciado por segmentos pontuais.’

“De acordo com os números da FGV, dos 14 setores avaliados em junho, 6 apresentaram alta na confiança, 7 tiveram queda e 1 ficou estável – em maio, esses números eram 9, 4 e 1, respectivamente. ‘Em abril, 3 estavam em alta e 10 em queda. É uma recuperação pouco disseminada’, reforçou ele.

“Para o economista, o Índice de Expectativas (IE), que registrou a quarta queda consecutiva, ao recuar 2,6% em junho ante maio, tem relação com a evolução da situação econômica.” (Carla Araújo, Estadão, 27/6/2013.)

Acúmulo de erros na Economia

* O governo Dilma desmontou o tripé bem sucedido e não soube o que pôr no lugar

“A combinação de políticas econômicas experimentalistas do governo Dilma não tem respostas adequadas e firmes para a maioria dos problemas macroeconômicos do País.

“O crescimento continua sendo enfrentado com pacotes destinados predominantemente a puxar pelo consumo, como se viu há dez dias, quando o governo lançou um programa de R$ 18,7 bilhões em recursos públicos para financiamentos com juros subsidiados para a compra de móveis e aparelhos domésticos. Os investimentos seguem lentos demais. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continua empacado e as concessões para construção e ampliação de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, exploração de petróleo e energia elétrica, entre outras, esbarram na ineficiência do setor público até mesmo para leiloar concessões e prover licenciamento ambiental. O investimento continua em insatisfatórios 18,4% do PIB, como viu-se na última edição das Contas Nacionais.

“Para contra-atacar a inflação espalhada e renitente que ultrapassa o teto da meta de 6,5% em doze meses, o governo aceitou a virada do Banco Central, que desistiu de esperar para ver e voltou a puxar os juros básicos para cima, ‘até o nível que vier a ser necessário’. Mas se recusa a usar a arma mais poderosa e indispensável, que é a política fiscal austera e responsável.

“No discurso oficial, a inflação nunca escapou do controle e se deve sempre a choques externos de oferta, nunca a problemas internos. A estratégia do governo é esperar que reflua mais ou menos espontaneamente ou que os preços sejam estancados com conversa.

“No relatório sobre as Contas Externas ontem (21/6) divulgado pelo Banco Central, se viu que, em cinco meses, o rombo nas Contas Correntes (comércio exterior de mercadorias e serviços mais transferências unilaterais), em doze meses, saltou de 2,4% para 3,2% do PIB. Como a ênfase continua sendo a expansão do consumo, como ficou dito, a tendência é de que as importações cresçam mais rapidamente do que as exportações. Mais ainda, a entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos não deverá mais cobrir esse rombo, porque os capitais internacionais passarão a tomar o rumo dos Estados Unidos. A remoção do IOF de 6% na entrada de recursos externos destinados às aplicações financeiras e de 1% nas operações com derivativos cambiais não parece suficiente para reverter os fluxos.

“O governo também não tem resposta firme para a crescente perda de competitividade da indústria. O programa de desonerações tributárias é caro, segmentado e gerador de distorções. Setores da indústria que não forem os de veículos e de aparelhos domésticos são, na prática, considerados de segunda classe e dificilmente integram as listas dos favorecidos. E a intenção de desvalorizar o real para baratear em dólares as exportações esbarra agora no avanço da inflação.

“Também não se vê iniciativa destinada a aumentar o mercado externo para o setor produtivo nacional. O governo segue prestigiando os perfuradíssimos tratados do Mercosul e submeteu-se à retranca comercial da Argentina. Não há negociação de nenhum acordo comercial bilateral com outro bloco de países que pudessem dar alguma preferência ao produto brasileiro.

“Enfim, o mix de políticas do governo Dilma não se limitou a desmontar o tripé anteriormente bem-sucedido (responsabilidade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante). Já não consegue resolver os problemas que aí estão.” (Celso Ming, Estadão, 22/6/2013.)

* Com crise por todos os lados, a criatura se encolhe e pede socorro ao criador e guru

“O Brasil de dona Dilma vai mal quando cai o dólar, vai mal também quando sobe. É um país invejável. Em todo o mundo, oscilações das moedas principais podem causar tensão e mexer com as bolsas, mas neste país o desarranjo tem sido maior. Em tempos de valorização, o real dispara. Diante da política frouxa no mundo rico, ninguém falou tanto quanto as autoridades brasileiras em tsunami monetário e em guerra cambial. Se o sinal se inverte, como nos últimos dias, a depreciação do real também é maior, como na quinta-feira. Em nenhum outro mercado o dólar chegou a subir 2,45%. A grandeza é a marca nacional. ‘Temos muita bala na agulha’, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurando tranquilizar os brasileiros enquanto crescia a turbulência nos mercados. Até o arsenal de intervenção é superior. Nas armas comuns, a conta é uma bala por agulha.

“Quanto ao volume de reservas, US$ 376,11 bilhões no dia 19, o ministro Mantega tinha razão. O governo dispõe de bom volume de moeda estrangeira para combater a variação excessiva do câmbio. Mas nem sempre isso basta. Na quinta-feira, o Banco Central ofereceu cerca de US$ 3 bilhões, com escasso resultado. Numa crise prolongada, as reservas se perdem e sai vitorioso quem joga contra a moeda nacional.

“É cedo para saber quando os mercados se acomodarão e onde estará o real nesse momento. De toda forma, o governo daria um passo no rumo certo se reconhecesse o mau estado da economia, a tendência de piora de vários indicadores e a vulnerabilidade do País.

“O pessoal da Standard & Poor’s explicou direitinho por que impôs um viés negativo à perspectiva econômica do País. Os economistas da Moody’s também justificaram tecnicamente a decisão de reavaliar a economia brasileira. Não é preciso, no entanto, ter alguma formação econômica para perceber muita coisa fora dos eixos. O alerta das agências de classificação de risco e a perda de popularidade mostrada nas pesquisas sobre o governo apareceram praticamente ao mesmo tempo. Simples casualidade? É difícil e arriscado sustentar essa hipótese, especialmente quando se consideram as reivindicações apresentadas nas passeatas – muito mais amplas que a mera exigência de redução das tarifas de transporte público.

“Na quinta-feira, dirigentes do PT conclamaram militantes para entrar nas passeatas com camisas vermelhas e bandeiras do partido. Tentaram e foram rechaçados. Boa parte dos envolvidos nas marchas deve ter votado, no entanto, em Lula, em Dilma e em vários de seus companheiros, incluídos alguns postes. Não está claro se perceberam, mas vários protestos – alguns dos mais notáveis – foram contra iniciativas e políticas federais dos últimos dez anos. Pessoas de espírito mais prosaico já haviam classificado como irresponsabilidade o compromisso de organizar e hospedar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Já haviam chamado a atenção, há anos, para o atraso das obras, para o aumento dos custos e o risco de bandalheiras, quando fosse preciso compensar o tempo perdido. A organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças públicas, atualizou com frequência os valores comprometidos e as previsões de desembolso. Quem quisesse poderia acompanhar pela internet, sem maior esforço, a formação de mais um imbróglio financeiro e econômico. Novos gastos, alguns muito pesados e de relevância mais que discutível, foram postos no alto da escala de prioridades, tornando mais bagunçada uma gestão pública já muito ruim.

“A perda de tempo e boa parte do encarecimento das obras decorreram de um escandaloso desleixo do governo. Nada, ou quase nada, foi feito no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele batalhou com empenho para trazer as competições ao Brasil e foi vitorioso em 2007. A partir daí, parece haver esquecido o assunto. O trabalho duro ficou para o governo seguinte, já herdeiro de uma inflação elevada, de uma economia com baixo padrão de investimentos e de contas externas em situação de risco. Os dados básicos são claros:

“1. Nos dois primeiros anos do novo governo o produto interno bruto (PIB) ficou estagnado, com expansão de 2,7%, em 2011, e 0,9%, em 2012. O quadro continua feio em 2013, mas a obrigação de gastar com a Copa e com os Jogos Olímpicos permanece em pé.

“2. Enquanto isso, pioram as contas públicas, arrasadas pela gastança, pela multiplicação irresponsável de incentivos fiscais improvisados e também de transferências do Tesouro para os bancos federais. A grande preocupação do governo, nessa área, é inventar meios de continuar fingindo fidelidade à política de metas fiscais. Os truques contábeis empregados até há pouco tempo já foram escrachados.

“3. A inflação tem recuado ligeiramente, mas a parcela de itens com elevação de preços ainda supera 60%. A desinflação dos alimentos terminou e os grandes fatores inflacionários, como a gastança federal, permanecem.

“4. O Banco Central refez as projeções das contas externas e elevou de US$ 67 bilhões para US$ 75 bilhões o déficit em conta corrente esperado para 2013. As exportações, nesse quadro, serão 2,22% maiores que as do ano passado. As importações aumentarão 7,97% e o superávit comercial diminuirá 63,93%, de US$ 19,41 bilhões para US$ 7 bilhões.

“Que fazer? Há uma pauta evidente na área dos investimentos, na tributação (até agora sujeita a remendos mal escolhidos e mal costurados), na educação (com a redefinição urgente de padrões e prioridades) e no campo da tecnologia. Na hora do aperto, no entanto, a presidente corre para ouvir seu padrinho, guru e conselheiro mor da República e da Prefeitura de São Paulo, como se ele fosse inocente da maior parte dos grandes problemas de hoje, incluído o abacaxi multibilionário dos grandes jogos.” (Rolf Kuntz, Estadão, 22/6/2013.)

* Está tudo dando errado. E o governo até agora descartou peremptoriamente qualquer mudança radical de rumo

“De nada serviu à presidente Dilma adotar certas práticas da presidente Cristina Kirchner e chamar os críticos de sua política econômica de terroristas. Ela já deve ter elementos para entender que seu governo enfrenta sério déficit de credibilidade.

“Ao longo dos dois últimos anos se atirou ao desmonte dos fundamentos da economia que haviam dado certo nos anos anteriores. O compromisso com uma política fiscal responsável foi substituído por uma sucessão aleatória de contratação de despesas públicas destituídas de um programa estratégico que lhes desse solidez. As metas passaram a ser atropeladas por resultados construídos por truques contábeis. E o resto é opaco. Ninguém entendeu, por exemplo, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai construir o prometido superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) de 2,3% do PIB.

“As manifestações que tomaram as ruas das grandes capitais questionam os critérios que determinaram as prioridades das despesas públicas. O governo do PT, que lá atrás pregava as excelências do orçamento participativo, conduz suas pautas de uma maneira errática, à base de desonerações temporárias e discriminatórias e de transferências de dezenas de bilhões de reais do Tesouro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal e para o BNDES.

“Até agora, os estragos provocados pela inflação no orçamento do trabalhador foram considerados irrelevantes. O importante era perseguir o ‘pibão grandão’, que não acontece. A escalada de preços foi entendida como consequência de choques externos, de impacto temporário. A política monetária (política de juros) que deveria ater-se a levar a inflação à meta de 4,5% ao ano, foi reorientada para perseguir uma meta de juros. A obsessão da presidente Dilma foi derrubar os juros reais (descontada a inflação) para o nível dos 2% ao ano, não importando se as condições o comportavam.

“Mas o momento não é só de desarrumação das contas públicas e de impacto inflacionário. É também de deterioração das contas externas. O rombo nas contas correntes (comércio exterior de mercadorias e serviços mais transferências unilaterais) passou de 2,4% para 3,2% em apenas cinco meses (veja o Confira). E, pior, tende a alargar-se para acima do afluxo de capitais de investimento. Esse é o principal fator que vai puxando as cotações do dólar para o alto.

“Ainda na quinta-feira, o governo Dilma desmentiu categoricamente a substituição de peças-chave no comando da política econômica, como manobra destinada a recuperar credibilidade. Não basta a simples troca de nomes. É preciso primeiro admitir a substituição do atual arranjo experimentalista de política econômica por outro que garanta estabilidade e confiança.

“Até agora, o governo Dilma descartou peremptoriamente quaisquer mudanças radicais de rumo. A opção foi ir tocando as coisas, do jeito que der, de maneira a não colocar em risco a recondução da presidente Dilma a um segundo mandato nas eleições de 2014. Mas essa é uma aposta em que nenhuma reviravolta política acontecerá até lá. As manifestações pelo País parecem dizer o contrário.” (Celso Ming, Estadão, 23/6/2013.)

28 de junho de 2013

Outras compilações de provas da incompetência de Dilma e do governo:

Volume 90 – Notícias de 8 a 14/3.

Volume 91 – Notícias de 15 a 21/3

Volume 92 – Notícias de 22 a 28/3.

Volume 93 – Notícias de 29/3 e 4/4.

Volume 94 – Notícias de 5 a 11/4.

Volume 95 – Notícias de 12 a 18/4.

Volume 96 – Notícias de 19 a 25/4.

Volume 97 – Notícias de 26/4 a 2/5.

Volume 98 – Notícias de 3 a 9/5.

Volume 99 – Notícias de 10 a 16/5.

Volume 100: Notícias de 17 a 23/5.

Volume 101: Notícias de 24 a 30/5.

Volume 102: Notícias de 31/5 a 6/6.

Volume 103: Notícias de 7 a 13/6.

Volume 104: Notícias de 14 a 20/6.

7 Comentários

  1. de cezar
    Postado em 27/06/2013 às 11:47 pm | Permalink

    É o começo do fim…

  2. NOSSO MEDO
    Postado em 29/06/2013 às 9:11 am | Permalink

    FHC é imortal. AS ruas clamam. A presidenta sob fogo inimigo da oposição e sob fogo amigo dos situacionistas. Já barraram a constituinte e já falam na volta do Lula. Esse é o nosso medo!

  3. NOSSO MEDO
    Postado em 29/06/2013 às 9:19 am | Permalink

    Datafolha: popularidade de Dilma cai 27 pontos
    Segundo levantamento divulgado pelo instituto, 30% dos brasileiros consideram a gestão da presidenta boa ou ótima após a onda de protestos pelo país.

    Tudo como imaginaram, Dilma em queda Lula vem aí. A reforma política já está sendo pelos juristas e congressistas, nada de constituinte especial.

    Lula é o nosso medo. “50anosdetextos” fez a obrigação com força

  4. NOSSO MEDO
    Postado em 29/06/2013 às 9:21 am | Permalink

    Leia-se: a reforma política já está sendo bombardeada pelos juristas e congressistas, nada de constituinte especial.

  5. NOSSO MEDO
    Postado em 29/06/2013 às 9:33 am | Permalink

    O risco de frustrar as ruas!

    O governo petista comemora sinais de que os partidos aliados apoiariam uma consulta popular sobre a reforma política e a possibilidade de que parte da oposição acabe aderindo à proposta, por causa da pressão das ruas.

    Mas segue no ar o cheiro da revolta!

    As ideias de mudança, não parece se sustentar sobre as teorias políticas que fizeram as bases de movimentos relevantes no passado.

    As instituições republicanas parecem ter despertado de sua alienação, e uma aparente disposição para levar adiante a reforma política seria o sinal mais claro de que alguma coisa se move no interior do sistema.

    Essa reforma deveria produzir uma ruptura na parede que separa essas instituições da sociedade, reanimando o jogo democrático.

    O noticiário dos jornais indica que tanto a imprensa quanto as autoridades ainda não sabem o lugar certo onde colocar seus desejos.

    Nosso medo é a frustração. Mas é assim mesmo que se aprende a procurar o novo.

  6. NOSSO MEDO
    Postado em 29/06/2013 às 9:45 am | Permalink

    Está na capa, ops está na cara!

    “Pesquisa usa computação de alta performance para analisar elementos visuais de publicação brasileira. Autor do trabalho criou algoritmos quantitativos e qualitativos para mostrar como o veículo trata de temas como gênero e etnia.

    Um estudo com capas da revista Veja sugere vieses de gênero e etnia adotados pela publicação. O trabalho, que poderia levar anos para revelar os dados obtidos, contou com o auxílio fundamental da computação.

    O objetivo era justamente mostrar como a produção e aplicação de algoritmos ‘culturais’, que permitem a distinção de faces, gêneros, entre outros elementos visuais, podem auxiliar as ciências sociais, em uma parceria que já ganhou status de novo campo de pesquisa, batizado de humanidades digitais.

    “Seguimos a proposta teórica de Lev Manovich, professor da City University of New York, de analisar fatores culturais através do processamento de dados em larga escala para tratar de temas que levariam talvez décadas para serem obtidos, normalmente em extensas pesquisas em bibliotecas ou mesmo acervos”, explica o cientista da computação Márcio Emílio dos Santos, autor da pesquisa.

    O trabalho foi realizado durante seu mestrado em comunicação, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), sob orientação do comunicólogo Cícero Inácio da Silva, coordenador do Laboratório de Estudos do Software da instituição. Para o projeto, Santos analisou 2.200 capas da revista Veja, publicadas entre 1968 – ano de fundação do veículo – e 2012, quando a pesquisa foi finalizada.

    “Além de dados quantitativos, criamos alguns algoritmos ‘qualitativos’ com o intuito de provocar uma discussão sobre como a revista com maior circulação nacional vem tratando, mesmo que inconscientemente, de alguns temas em suas capas”, explica o pesquisador.

    Entre os resultados, o estudo mostra que 12% das capas da Veja apresentam mulheres como tema principal, sendo que hoje elas são 51% da população. Outros dados apontam que mulheres negras representam 0,33% do total das capas, apesar de o último censo do IBGE (2010) demonstrar que metade da população feminina é negra ou parda. Ainda, a mulher negra é apresentada em apenas três tipos de temas nas capas: guerra (refugiados), carnaval e política.

    Quanto ao gênero masculino, o estudo mostra que os homens negros aparecem em uma porcentagem um pouco maior que as mulheres – em 2% das capas totais de Veja. Das temáticas em que essa parcela da população aparece nas capas, três se destacam: esporte, crime e política”.

    por Déborah Araujo, do Ciência Hoje On-line

  7. NOSSO MEDO
    Postado em 30/06/2013 às 9:02 am | Permalink

    Dilma perde apoio, e eleição de 2014 iria para o 2º turno. 50anosdetextos conseguiu
    dar murro em ponta de faca de dois gumes.

    Além de ter perdido só dez pontos percentuais, o petista ainda ganharia no primeiro turno a eleição hoje em um dos cenários apresentados.

    Há um crescente movimento dentro do PT que pede a volta de Lula em 2014.

    Os três adversários juntos pularam de 36% para 47%. Nessa hipótese, seria realizado um segundo turno entre a petista e Marina.

    Para piorar a situação da presidente, seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, se mostrou bem mais resiliente à insatisfação geral dos eleitores com os políticos.

    Além de ter perdido só dez pontos percentuais, o petista ainda ganharia no primeiro turno a eleição hoje em um dos cenários apresentados.

    Em outra cartela, quando o nome de Joaquim não é incluído, Lula tem 46% contra 37% de Marina, Aécio e Campos somados -aí o petista venceria no primeiro turno.

    Fernando Rodrigues – Datafolha

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