O fantasma Bolsonaro

Parodiando o Manifesto Comunista: um espectro ronda o Brasil, o espectro de Jair Messias Bolsonaro. Ele existe e deve ser levado a sério. Há menos de um ano, os analistas, de forma quase unânime, o viam como fogo de palha, cuja chama se apagaria rapidamente. Hoje é alçado à condição de popstar por parcela cada vez mais crescente de jovens, muitos deles ex eleitores de Lula e Dilma Rousseff. Continue lendo “O fantasma Bolsonaro”

Mais perdida que cego em tiroteio

Já faz algum tempo que parece claro para as pessoas com alguma informação e lucidez que o Brasil está mergulhado na mais profunda crise econômica, política e moral da sua história. Tem me impressionando, no entanto, que a imprensa está igualmente chafurdando num fundo de poço inimaginável. Continue lendo “Mais perdida que cego em tiroteio”

A Era do Centro

Se a Era dos Extremos, com suas catástrofes, crises econômicas, guerras, revoluções e polarização ideológica, teve como marco temporal a Sarajevo de 1914 e de 1991, é bem possível que a larga maioria conquistada por Emmanuel Macron nas eleições para a Assembléia Nacional Francesa venha a ser entendida, no futuro, como o limiar da Era do Centro. Continue lendo “A Era do Centro”

E a guerra continua

O resultado não surpreendeu. Já era previsto, conhecido, cravado nos jornais pelo menos um dia antes de o TSE derrotar, por 4 a 3, o pedido de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, reeleita em 2014. Também não causou estranheza a guerra que a votação alimentou, por vezes beirando a baixaria. Um espetáculo maniqueísta que há tempos constrange, inibe e empobrece o debate político. Continue lendo “E a guerra continua”

Vaidade é a areia movediça da razão (George Sand)

Numa entrevista para a BBC Brasil, o cientista político francês Olivier Dabène, diretor do Observatório Político da América Latina e Caribe (Opalc), da Universidade Sciences Po de Paris, que já lecionou na Universidade de Brasília, declarou que, comparado ao Brasil, o mundo é amador em corrupção. Continue lendo “Vaidade é a areia movediça da razão (George Sand)”

Entre a prudência e o medo

Na sua origem, o PSDB foi um partido afirmativo no campo programático e zeloso de atitudes éticas. Com um ano de vida, seu então candidato a presidente da República, Mario Covas, teve a coragem de mostrar a cara e propor um choque de capitalismo, para arejar o país de economia cartorial e de um estado capturado por interesses privados e corporativos. Três anos depois, o mesmo Covas liderou os tucanos na recusa de ingressar no governo Collor de Mello. Em vez das benesses do poder, optou pelo pulsar das ruas. Continue lendo “Entre a prudência e o medo”

Diretas-já merecem respeito

Por ignorância, esperteza ou má-fé, tem-se atribuído à eleição direta para presidente o status de elixir infalível, capaz de purgar todos os males que se abateram sobre o país. E, em um lastimável arremedo da História, acrescenta-se a ela o advérbio já, o mesmo usado em 1983-84, quando o Brasil lutava para emergir de duas décadas de ditadura. Continue lendo “Diretas-já merecem respeito”

De espanto em espanto, aos solavancos, lá vai o Brasil…

O novo Ministro da Justiça, Torquato Jardim, o terceiro em 12 meses, afirma que o Brasil é institucional, não é caudilhesco, nem personalista e que, portanto, não depende de pessoas. Que bom seria se Jardim tivesse razão… Mas o simples fato de ele ser o terceiro nome a comandar a pasta da Justiça em tão pouco tempo já o desmente. Se não dependesse da pessoa que ocupa a pasta, por que trocá-la em tão pouco tempo? Continue lendo “De espanto em espanto, aos solavancos, lá vai o Brasil…”

A glamourização da barbárie

Por quase quatro horas Brasília esteve em chamas.

A batalha campal da última quarta-feira foi protagonizada por manifestantes, muitos deles mascarados, durante o protesto organizado por centrais sindicais e movimentos de esquerda contra as reformas que tramitam no Congresso Nacional, pela saída do presidente Michel Temer e por eleições diretas. Oito Ministérios foram depredados, dois incendiados e 49 pessoas feridas. Continue lendo “A glamourização da barbárie”

Indiretas Já

Na semana passada, neste mesmo espaço, elogiei o governo Temer pelos feitos de sua política econômica e de seu programa reformista. Tudo que afirmei era verdade. Em um ano o país deixou de se equilibrar no chamado tripé da maldade (inflação alta, juros estratosféricos e recessão) e o avião da economia começou a embicar para cima. Continue lendo “Indiretas Já”