O câncer do Brasil

Exibido em superclose, o que, propositalmente ou não, ressaltou o ser alucinado que nele habita, o presidente Jair Bolsonaro garantiu em vídeo nas redes sociais que sabe “onde está o câncer do Brasil” e o que fazer para livrar o país do mal. Não fosse o ensaiado tom grave de ameaça, pareceria um opositor barato atacando o governo, prometendo que curaria o país se eleito fosse. Uma lenga-lenga que vem combinada com a tática da inversão: atacar tudo e todos, atiçar e agredir para depois se dizer vítima, impossibilitado de governar. Continue lendo “O câncer do Brasil”

Educados cães chilenos

A inusitada quantidade de cachorros nas ruas não foi o que eu achei mais surpreendente na minha viagem ao Chile, em 2009. Curioso mesmo foi descobrir que, mais civilizados do que os humanos brasileiros, esses cães só atravessavam as avenidas nas faixas de pedestres. Continue lendo “Educados cães chilenos”

O que esperar deste 7 de setembro

A última vez em que um presidente mobilizou as massas para emparedar outro poder da República foi numa sexta-feira 13, em março de 1964. Com a realização do Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, o então presidente da República João Goulart tentou contornar a correlação de forças, que lhe era desfavorável no Congresso Nacional, por meio da pressão das ruas para tentar levar adiante seu programa de reformas de base. Continue lendo “O que esperar deste 7 de setembro”

Gravíssimo!

Pouco importa se é para manter a claque mobilizada em permanente beligerância, incentivar  a violência e o caos. Admitindo-se uma versão mais branda, pode ser esperteza, burrice ou puro instinto de defesa. Seja o que for, o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes protocolado pelo presidente Jair Bolsonaro no Senado é gravíssimo – a maior ofensiva feita por ele para testar as instituições e corroer a democracia.  Continue lendo “Gravíssimo!”

A hora mais escura do Afeganistão

Não houve em Cabul cenas como as de Saigon de 1975, com americanos pendurados em helicóptero que decolava do terraço da embaixada americana. Mas houve uma mais trágica: afegãos, em desespero, pendurados em um supercargueiro em plena decolagem e despencando do avião para se estatelar na pista. Continue lendo “A hora mais escura do Afeganistão”

O advogado do presidente

Primeiro foram as notas de repúdio, que, mesmo duras, pouca serventia tiveram. Demorou, mas a reação à fera que se diverte em ser indomável e destruir tudo o que vê pela frente, sejam pessoas ou instituições, veio. O STF decidiu agir, o TSE idem, o Senado e a Câmara, mesmo que tardiamente, também. Só a chefia da PGR, na contramão de muitos dos procuradores, fingiu que nada tinha a ver com isso. Continue lendo “O advogado do presidente”

Do bico de pena ao voto eletrônico

O Brasil percorreu uma longa trajetória até contar com um sistema de votação que hoje é referência mundial e plenamente confiável. Com o advento da República, ficou para trás o voto censitário do Império. Até então só tinha direito ao voto quem comprovasse determinada condição financeira. A Constituição de 1891 assegurou o voto universal masculino, estendido a maiores de 21 anos, excluindo-se analfabetos e mulheres, ou seja, a maioria dos brasileiros. Continue lendo “Do bico de pena ao voto eletrônico”

O dedo de Lira

Obsessão deletéria do presidente Jair Bolsonaro para semear dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, justificar e incitar os seus fiéis diante de sua provável derrota em 2022, o voto impresso teve seu pré-sepultamento anunciado na sexta-feira pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). Por sua vez, no Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tratou de jogar uma pá de cal em outra bizarrice: as danosas mudanças no sistema eleitoral. Duas excelentes notícias resultantes de cálculo político após forte pressão. Continue lendo “O dedo de Lira”

O Plano Cohen de Bolsonaro

Governantes de índole totalitária não mentem de maneira desavisada ou inocente. Há sempre um objetivo por trás de suas falácias. Em 1933 o Reichtag (parlamento alemão) foi incendiado por um jovem holandês. Adolf Hitler acusou os comunistas, que nada tinham a ver com a história, e aproveitou o episódio para adquirir poderes absolutos. Um ano depois Josef Stalin usou o assassinato de Serguei Kirov, também um ato isolado, para dar início ao Grande Terror e à farsa dos processos de Moscou. Continue lendo “O Plano Cohen de Bolsonaro”

Redes não bastam

A já sabida inexistência de provas de fraude nas urnas eletrônicas, a repetição da falácia de que o STF o impediu de agir contra a pandemia e outras tantas mentiras ditas seguiram o padrão de sempre. O que surpreendeu na live de quinta-feira de Jair Bolsonaro foi a alteração do figurino, desta vez incluindo 25 jornalistas que, mesmo impedidos de perguntar, ou seja, de exercer seu dever de ofício, deram publicidade à patética narrativa do presidente. A novidade expôs o esgotamento do modelo da transmissão semanal de suas baboseiras ao público cativo das redes sociais. Continue lendo “Redes não bastam”

Transformar o passado

Que os Bandeirantes não eram iluministas, todo mundo sabe. Nem eles nem o mundo de sua época. Afinal, os valores do iluminismo só iriam se afirmar mais de um século depois, com a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Não faz sentido, portanto, julgá-los com os valores de hoje, descontextualizado do momento histórico no qual operaram. E muito menos levá-los à fogueira da nova inquisição. Foi o que aconteceu com a estátua de Borba Gato, queimada por um grupo denominado “Revolução Periférica”. Continue lendo “Transformar o passado”

A urgente volta aos quartéis

Na maioria dos países de ordenamento democrático as Forças Armadas estão submetidas ao primado do poder civil. Seu controle externo é exercido pelo Congresso, a quem cabe a responsabilidade de lhes dar uma direção política. No Brasil, o Parlamento tem se furtado a exercer esse papel. A Emenda Constitucional de autoria da deputada Perpétua Almeida rompe com essa omissão ao normatizar a presença de militares da ativa em cargos governamentais. Continue lendo “A urgente volta aos quartéis”

Além da corrupção, o roubo oficial

Pode ser pixulé, propina, comissionamento ou até recursos não contabilizados, como dizia Delúbio Soares, tesoureiro do PT pego pelo mensalão. O apelido não importa. As tenebrosas transações do Ministério da Saúde para compra de vacinas superfaturadas têm um só nome: corrupção. A ela somam-se criativas fórmulas de ladroagem, o roubo oficial, prática cada vez mais corriqueira no governo do presidente Jair Bolsonaro. Continue lendo “Além da corrupção, o roubo oficial”

Se acabó!

Desde 1959 Cuba exerce um fascínio para grande parte da esquerda latino-americana. A palavra de ordem “Pátria ou Morte, Venceremos!” conquistou corações e mentes pelos quatro cantos do continente. Nestes mesmos tempos havia escassez de alimentos, os cubanos não tinham acesso a bens de consumo modernos e, sobretudo, não havia liberdade na Ilha. Continue lendo “Se acabó!”