Não sei se é a vida, não sei se é a morte, sei é que se vê tudo. Eu que dos morros da Gabela, numa manhã de cacimbo, julguei ter visto os arredores do infinito; eu que de um avião vi nascer o Sol no Sara e, de outro, vi a interminável brancura do Árctico, vi agora, num filme, esse tudo que é toda a terra, todo o cosmos. Continue lendo “Vê-se tudo e ladra um cão”
Os vira-latas
Nelson Rodrigues nos tatuou com essa marca. Agora mesmo houve quem sugerisse que demos uma de vira-lata ao permitir que o Henrique Pizzolato, cidadão italiano, levasse para fora do Brasil o pendrive do Henrique Pizzolato, cidadão brasileiro. Continue lendo “Os vira-latas”
O batmóvel e a democracia
Infeliz do povo que precisa de heróis.
A frase foi colocada pelo teatrólogo alemão Bertolt Brecht na boca de seu personagem Galileu na peça Vida de Galileu. Continue lendo “O batmóvel e a democracia”
A evolução dos textos e os novos leitores
Dos pergaminhos à tela dos modernos computadores, nós leitores sempre nos defrontamos com muitos e diferentes desafios. Tanto no suporte no qual é feita a leitura, como na forma com que se lê. Continue lendo “A evolução dos textos e os novos leitores”
De punhos cerrados
Vítimas da elite, ícones da luta democrática, guerreiros do povo, heróis injustiçados. Foi assim, com a mesma desfaçatez com que chamou o mensalão de caixa dois ou piada de salão, que a tríade petista José Dirceu-José Genoíno-Delúbio Soares se apresentou para iniciar o cumprimento das penas impostas pelo STF. Continue lendo “De punhos cerrados”
Com pena minha, não cheguei a gangster
Não tenho nenhuma vontade de morrer. Se pudesse não morrer, não morria. Mas se fosse um amigo, o meu melhor amigo, a matar-me talvez não me importasse de morrer. Continue lendo “Com pena minha, não cheguei a gangster”
Na hora do chá
Há tempos não nos víamos, mas nos reconhecemos de imediato. Não há cabelo branco, rugas, artrite, dor, que impeçam uma colega de jardim de infância de reconhecer a outra. Às vezes, com as do colégio, isso é difícil, mas as do jardim… sei não, não há dificuldade alguma! Será que é por que o olhar é o mesmo? Continue lendo “Na hora do chá”
Empobrecer não é glorioso
“Enriquecer é glorioso. Socialismo não é pobreza”.
Deng Xiaoping não estava brincando quando, ao suceder Mao no governo chinês, trocou o livrinho vermelho da ideologia delirante pelo livro caixa da eficiência pragmática. Continue lendo “Empobrecer não é glorioso”
Se roubar, faça
Obras sem projeto ou com projetos precários, caras, superfaturadas, com contratos aditados por uma, duas e sabe-se lá por quantas vezes. Boa parte delas atrasada, postergada, paralisada. Ano após ano, o governo joga nos bolsos de alguns poucos os bilhões de impostos dos muitos que trabalham e produzem riqueza, e que quase nada têm de volta. Algo de dar engulho, de alimentar a desesperança. Continue lendo “Se roubar, faça”
Pernas de franga, tacões gigantes
Já vamos em trinta minutos de filme e ainda não a vimos. É então que ela se atira para o banco de trás do táxi de Travis Bickle, personagem que, por ser mais De Niro do que De Niro, lhe roubou a alma. Continue lendo “Pernas de franga, tacões gigantes”
Brics terão série B
Um keynesiano em cada esquina para melhor servir você.
Lembra desse slogan? Era de uma loja que vendia artigos populares – claro que não tinha Keynes no slogan, era apenas uma loja. Continue lendo “Brics terão série B”
Direito à privacidade e liberdade de expressão
Nas democracias, após o estabelecimento do contraditório, nada mais natural do que a revisão de posições. Isto faz crescer quem não fica apegado a dogmas e quem leva em consideração a legítima pressão dos meios de comunicação e da opinião pública. A mudança de posição não é demérito para ninguém. Continue lendo “Direito à privacidade e liberdade de expressão”
Uma coisa e outra coisa
O deputado José Genoíno (SP) ainda presidia o PT quando lançou a pérola – “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” – para tentar explicar as inexplicáveis tramóias do mensalão. Continue lendo “Uma coisa e outra coisa”
Um autor, dois ladrões
É um livro, Taxi Driver, e começa exactamente onde o filme começou. Começa na cabeça de Paul Schrader. Da página 12 à 24, numa entrevista catártica, o livro mostra os miolos do seu criador. Continue lendo “Um autor, dois ladrões”
De conversa em conversa
Lula, 1º e Único Coração do Brasil, ganhou meu aplauso quando declarou que no Congresso Nacional, do qual ele fazia parte, havia 300 picaretas. Isso foi há muitos anos. Desde então, de conversa em conversa, ele veio se chegando até se tornar a Suprema Distinção entre os picaretas. Que já dobraram de número, tal qual coelho… Continue lendo “De conversa em conversa”




