Lobo mau

Quando cumpria seu primeiro mandato na Assembleia de Alagoas, o jovem Renan Calheiros surrava sem compaixão o prefeito de Maceió, Fernando Collor de Mello, a quem se referia como “príncipe herdeiro da corrupção”. Continue lendo “Lobo mau”

Um par de estalos

zzmanuel - vale

As lágri­mas de Faces são as lágri­mas da vida. Fil­ma­das por John Cas­sa­ve­tes em 16mm e ampli­a­das para 35, são lágri­mas cheias de grão, como o grão da vida que nos faz cho­rar no dia-a-dia. Fil­ma­das à mão – qual tripé, qual dolly –, são lágri­mas de Lynn Car­lin, uma não actriz, que Cas­sa­ve­tes esco­lheu por ter os mes­mos “olhos gor­dos” de Gena Rowlands. Continue lendo “Um par de estalos”

O fantasma de Collor

Perto de jogos decisivos da Seleção todo brasileiro é técnico de futebol. Diante de uma gripe ou um simples mal estar, dá dicas, receita remédios, vira médico. Agora, o que não falta é analista jurídico, cada um mais criativo do que o outro. Seja para fazer vingar ou para melar o pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Mas o que importa mesmo está em outra esfera: impeachment é um processo político ao qual Dilma, por soberba e talvez ignorância, se autocondenou. Continue lendo “O fantasma de Collor”

Hora de aprender

Enquanto o interlúdio democrático por aqui se desenvolve aos socos e pontapés, além de alguns puxões de cabelos e taças de vinho atiradas em direção a insuspeitados galanteadores extemporâneos, a sábia lição que condensa nossa crise em poucas e curtas palavras vem do oráculo de sempre: o eterno presidente Lula, que resume a sapiência brasileira acumulada ao longo de cinco séculos. Continue lendo “Hora de aprender”

Alea jacta est

Em 49 A.C., após um longo tempo de indecisão, Júlio Cesar atravessou o Rubicão, entrando na cidade de Roma depois de pronunciar sua célebre frase “a sorte está lançada”. O vice-presidente Michel Temer não é um Júlio Cesar, está longe disto. Mas, com sua carta à presidente Dilma Rousseff, tomou um caminho sem volta. Atravessou seu rubicão. Continue lendo “Alea jacta est”

Dias tristes

Não consigo compreender a explosão de alegria no plenário da Câmara ao saber que Eduardo Cunha acolhera o pedido de impeachment contra a presidente da República.  Ela, incompetente e arrogante, ele, um parlamentar acusado de corrupção, vinham travando uma batalha há meses, cada um preocupado com seu destino, nenhum dos dois preocupado com o Brasil. Não vejo motivos para alegria. Continue lendo “Dias tristes”

Jogos vorazes

Vamos tentar colocar um pouco de ordem nessa bagunça.

Sim, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, não é um homem digno de confiança. Corre contra ele um processo do Conselho de Ética que visa tirar-lhe o cargo ou até o mandato. Continue lendo “Jogos vorazes”

Ainda que por linhas tortas

A autorização para o início do trâmite de um dos 34 pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff protocolados na Câmara dos Deputados já deveria ter sido dada há tempos. Até porque não há motivo algum para que o Legislativo fique oficialmente excluído de um debate que o país inteiro trava há mais de 10 meses. Seja para afastá-la ou mantê-la. Continue lendo “Ainda que por linhas tortas”

A mercearia de Scorsese

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Na minha rua da Vila Alice, em Luanda, havia três mer­ce­a­rias. Mas só a do Senhor Manel se podia gabar de ser o espe­lho bor­ge­si­ano das mer­ce­a­rias do Bronx Tale, gen­til filme que Robert De Niro diri­giu, ou das que Phi­lip Roth evoca em roman­ces abu­si­va­mente autobiográficos. Continue lendo “A mercearia de Scorsese”