Quando cumpria seu primeiro mandato na Assembleia de Alagoas, o jovem Renan Calheiros surrava sem compaixão o prefeito de Maceió, Fernando Collor de Mello, a quem se referia como “príncipe herdeiro da corrupção”. Continue lendo “Lobo mau”
Não se pode elogiar
Essa expressão era muito comum antigamente. Não sei se ainda tem a mesma força. O que sei é que há pouco tempo, em 27 de novembro, publiquei no Blog do Noblat um artigo intitulado ‘A Força da Toga’, no qual eu exaltava a força da toga que eleva o espírito dos ministros do STF. Continue lendo “Não se pode elogiar”
De cabeça para baixo
Na série de TV Isabel, rainha de Castela, que o canal pago Globosat está exibindo diariamente, o navegador genovês Cristóforo Colombo tenta convencer Sua Majestade a financiar seu projeto de descobrir o caminho das Índias. Continue lendo “De cabeça para baixo”
Um par de estalos
As lágrimas de Faces são as lágrimas da vida. Filmadas por John Cassavetes em 16mm e ampliadas para 35, são lágrimas cheias de grão, como o grão da vida que nos faz chorar no dia-a-dia. Filmadas à mão – qual tripé, qual dolly –, são lágrimas de Lynn Carlin, uma não actriz, que Cassavetes escolheu por ter os mesmos “olhos gordos” de Gena Rowlands. Continue lendo “Um par de estalos”
O fantasma de Collor
Perto de jogos decisivos da Seleção todo brasileiro é técnico de futebol. Diante de uma gripe ou um simples mal estar, dá dicas, receita remédios, vira médico. Agora, o que não falta é analista jurídico, cada um mais criativo do que o outro. Seja para fazer vingar ou para melar o pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Mas o que importa mesmo está em outra esfera: impeachment é um processo político ao qual Dilma, por soberba e talvez ignorância, se autocondenou. Continue lendo “O fantasma de Collor”
Brasileiros à beira de um ataque de nervos
Não são todos, naturalmente. Por exemplo, o vice-presidente da República, Michel Temer, mantém com classe e elegância um domínio completo sobre si mesmo. Continue lendo “Brasileiros à beira de um ataque de nervos”
Hora de aprender
Enquanto o interlúdio democrático por aqui se desenvolve aos socos e pontapés, além de alguns puxões de cabelos e taças de vinho atiradas em direção a insuspeitados galanteadores extemporâneos, a sábia lição que condensa nossa crise em poucas e curtas palavras vem do oráculo de sempre: o eterno presidente Lula, que resume a sapiência brasileira acumulada ao longo de cinco séculos. Continue lendo “Hora de aprender”
Alea jacta est
Em 49 A.C., após um longo tempo de indecisão, Júlio Cesar atravessou o Rubicão, entrando na cidade de Roma depois de pronunciar sua célebre frase “a sorte está lançada”. O vice-presidente Michel Temer não é um Júlio Cesar, está longe disto. Mas, com sua carta à presidente Dilma Rousseff, tomou um caminho sem volta. Atravessou seu rubicão. Continue lendo “Alea jacta est”
O elogio da traição
É preciso trair. O mais abnegado dos gestos não é o de quem fica para sempre amarrado à mesma rua, às mesmas fidelidades, aos mesmos amigos e crenças. Continue lendo “O elogio da traição”
Chega de mentira: #ForaDilma, #ForaCunha
Público selecionado, auditório lotado, pronto para ovacionar a presidente aos gritos de “não vai ter golpe” e “fora Cunha”. Essa foi a recepção dada a Dilma Rousseff no encerramento da 15ª Conferência Nacional de Saúde, sexta-feira, em Brasília. Continue lendo “Chega de mentira: #ForaDilma, #ForaCunha”
Dias tristes
Não consigo compreender a explosão de alegria no plenário da Câmara ao saber que Eduardo Cunha acolhera o pedido de impeachment contra a presidente da República. Ela, incompetente e arrogante, ele, um parlamentar acusado de corrupção, vinham travando uma batalha há meses, cada um preocupado com seu destino, nenhum dos dois preocupado com o Brasil. Não vejo motivos para alegria. Continue lendo “Dias tristes”
Jogos vorazes
Vamos tentar colocar um pouco de ordem nessa bagunça.
Sim, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, não é um homem digno de confiança. Corre contra ele um processo do Conselho de Ética que visa tirar-lhe o cargo ou até o mandato. Continue lendo “Jogos vorazes”
Ainda que por linhas tortas
A autorização para o início do trâmite de um dos 34 pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff protocolados na Câmara dos Deputados já deveria ter sido dada há tempos. Até porque não há motivo algum para que o Legislativo fique oficialmente excluído de um debate que o país inteiro trava há mais de 10 meses. Seja para afastá-la ou mantê-la. Continue lendo “Ainda que por linhas tortas”
Omissão e cumplicidade
A menos de uma semana para a eleição venezuelana, Nicolás Maduro ganhou um presentaço. Lá de Paris, Dilma Rousseff se apressou em declarar que não há razões para se aplicar a cláusula democrática e excluir a Venezuela do Mercosul. Continue lendo “Omissão e cumplicidade”
A mercearia de Scorsese
Na minha rua da Vila Alice, em Luanda, havia três mercearias. Mas só a do Senhor Manel se podia gabar de ser o espelho borgesiano das mercearias do Bronx Tale, gentil filme que Robert De Niro dirigiu, ou das que Philip Roth evoca em romances abusivamente autobiográficos. Continue lendo “A mercearia de Scorsese”



