Brasileiros à beira de um ataque de nervos

Não são todos, naturalmente. Por exemplo, o vice-presidente da República, Michel Temer, mantém com classe e elegância um domínio completo sobre si mesmo.

Seu segredo é um só: teve educação e instrução. E é essa mistura que anda fazendo muita falta ao Brasil.

Não basta ser instruído, ter vários diplomas, ser doutor nisso e naquilo. É preciso ser bem educado, ter boas maneiras, saber se comportar à mesa e fora dela. Mas também não basta ser somente polido. Nisso, Fernando Collor era um príncipe: sabia se comportar como um grande de Espanha. Mas faltam-lhe outras qualidades e não é doutor…

Tenho 78 anos. Já pendurei as chuteiras. Mas, como boa namoradeira que fui, venho aqui comunicar à dona Kátia Abreu que a mim o senador José Serra não ofendeu. Namorar é bom, faz bem, dá vida e alegria e gostar de namorar é muito saudável.

Namoradeira não é ofensa. Temos em nosso rico artesanato a figura da namoradeira, mocinha esperta que ficava na janela para melhor flertar com os rapazes.

Quando o namoro pegava, o rapaz era recebido pela família, sentavam os dois numa ‘namoradeira’, sofá de dois lugares próprio para os namorados conversarem, darem-se as mãos e… quando a mamãe ia buscar o cafezinho, dar uns beijinhos.

O namoro dentro de casa há muito saiu de moda, a namoradeira saiu da janela, namorar tem um sentido mais amplo em nossos dias, mas daí a ser ofensa, vai um longo caminho!

Acontece que o vai dar, não vai dar impeachment está deixando os políticos com os nervos em frangalhos. Alguns chegam a confundir o plenário da Câmara dos Deputados com um ringue de boxe.

O Brasil está tão espandongado que foi inaugurada uma nova temporada: lavar nossa roupa suja no exterior! Dona Dilma já usou microfones lá fora para se queixar da vida e agora foi o Lula, essa entidade que não quer largar o osso, que resolveu, em Berlim, dizer o que não devia. Eduardo Cunha é uma figura assustadora. Dele podemos esperar sempre o pior. Mas isso não é problema dos alemães.

Eles estão é apavorados. O medo de ser impedida de continuar na presidência mexeu com a cabeça de dona Dilma. Num texto intitulado “SOS internacional para derrotar o impeachment”, Ricardo Noblat nos informa que desde que o pedido de impeachment foi acolhido, dona Dilma já falou ao telefone com alguns chefes de Estado para lhes dizer que está sofrendo uma injustiça, fruto de uma vingança, de uma tentativa de ‘golpe institucional’.

O que será que ela espera com isso? Que os EUA, por exemplo, enviem para cá a 4ª Frota para salvá-la de seu algoz?

Na Conferência Internacional do Congresso do Partido Social-Democrata Alemão, Lula, ao se apoderar do microfone, o que fez? Discorreu sobre a Social-Democracia, falou da História desse partido nos diversos países onde tem voz e vez? Não, o grande palestrante achou melhor lavar nossos trapos, imagino eu que numa tentativa de despertar a simpatia dos alemães para com a pobre menina Dilma perdida entre os lobos devoradores aqui nesta selva brasileira.

Isso sim nos ofende e humilha, ver o Brasil ser citado como um país sem lei nem grei pelo ex-presidente da República, que é o patrocinador da atual presidente: ambos sabem muito bem que a campanha de 2014, por si só, já seria motivo, em países sérios, para destituir quem foi eleito baseado em inverdades.

Agora está tudo nas mãos do STF. Espero que os Meritíssimos delineiem sem mais delongas o rito que julgam ser o melhor para a passagem do processo de impeachment pelo Congresso. Não creio que o Brasil aguente muito mais tempo na situação em que está, destituído de ordem e progresso e com o governo rolando rampa abaixo.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 11/12/2015. 

4 Comentários para “Brasileiros à beira de um ataque de nervos”

  1. Falando em namoro, o Temer passou a ser cortejado pelos golpistas namoradoiros , com base na lei no grei parlamentar(grupo de pessoas com mesmo governo).
    A volubilidade fez trocar o play boy Aécio pela classe e elegância de Temer. Serra deveria ter aprendido que a aparência não se substitui.

  2. SEGUINDO O BLOG DO NOBLAT.

    Para e lembrar aos eternos enamorados.

    Sob FHC, também houve ‘corrupção organizada’
    Comentários de
    Josias de Souza em seu Blog.(que inexplicavelmente teve o destaque ocultado).
    09/12/2015 20:54
    Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, o petrodelator Nestor Cerveró disse que Delcídio Amaral recebeu propinas de US$ 10 milhões quando era diretor de Óleo e Gás da Petrobras, no governo FHC. Incomodado, Fernando Henrique Cardoso subiu no caixote do Facebook para gritar: “Se houve algo durante o meu governo, foi conduta imprópria do Delcídio, não corrupção organizada, como agora.” Hummm… Não é bem assim.
    Os fatos demonstram que o petismo realmente exagerou. Enxergou o poder como um favo de mel. Enfiou os dedos. Lambeu-os com gosto. Por algum tempo, desfrutou de todas as dádivas do mundo. Hoje, foge das abelhas. Mas FHC sabe que a corrupção no seu governo não foi ocasionada pela conduta imprópria de personagens obscuros. Apenas para refrescar a memória do ex-presidente tucano, cabe citar o caso Sudam.
    Sob FHC, quem dava as cartas na Sudam era Jader Barbalho (PMDB-PA), hoje um aliado do petismo. No auge do escândalo, que terminou com a cassação do mandato do personagem, Jader contratou a consultoria Boucinhas & Campos para provar que seu patrimônio pessoal não era de R$ 30 milhões, como se noticiava. Tinha razão. A Receita Federal descobriria depois que essa cifra correspondia apenas à multa devida por Jader. O patrimônio era maior.
    À Receita, Jader alegou que sua prosperidade resultava sobretudo do suposto êxito que obtivera como agronegociante. Para o fisco, o sucesso estava escorado em informações falsas. Minuciosos, os auditores chegaram a bater à porta de supostos compradores de gado da Fazenda Rio Branco, de Jader.
    Entre as imposturas corroboradas pelo Fisco estava a hipotética compra, em 1998, de uma fazenda no Pará. Pertencia a José Osmar Borges, a quem Jader teria pago R$ 600 mil, em três parcelas. Os auditores não encontraram vestígio do trânsito do dinheiro. Ou seja, Jader teria recebido a propriedade de presente. O mimo media 6 mil hectares.
    Dono de três CPFs, controlador de seis empresas, Osmar Borges foi acusado de desviar mais de R$ 100 milhões em incentivos fiscais da Sudam. Boa parte liberada por afilhados de Jader, que FHC acomodara barbalhamente nos fundões da administração tucana.
    Se a memória lhe falhar, FHC pode tocar o telefone para o governador do Mato Grosso, Pedro Taques. Recém-filiado ao PSDB, Taques era, na época da gestão tucana, procurador da República. Ajudou a varejar a Sudam. Jader, por Barbalho, chegou a ser algemado e preso. Passou poucas horas na cadeia. Eram tempos pré-Sérgio Moro. Até por isso, a corrupção organizou-se.

  3. TEMER 1 X 0 SERRA, pela concorrência ao planalto.
    O elegante Collor apregoava sem eufemismos ter “aquilo roxo”, poderia ser excitante para alguns mas tremendamente, deselegante para outros. A ministra Kátia Abreu atribuiu ao termo “namoradeira” dito por José Serra como deselegante.
    “Você é um homem deselegante, descortês, arrogante, prepotente. É por isso que você nunca chegará à Presidência da República”, teria dito Kátia Abreu.

  4. Eu leio os textos deste site porque o levo a sário. Mas, é preciso que os autores dos textos sejam mais rigorosos. Aí vai:

    – O senador Pedro Simon (PMDB-RS), em recente discurso, quando falou em aumento da corrupção, não citou os petistas, mas sim o período pós-Collor e Itamar.

    – Isto pelo simples motivo que, num país como o Brasil, o impeachment serve de incentivo à corrupção. Esta aumenta após o impeachment, pelo simples motivo de que o Legislativo ganha enorme poder sobre o Executivo.

    – Legislativo mais forte, corrupção mais forte.

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