Tema único na agenda, na cabeça e no discurso da presidente Dilma Rousseff, o impeachment tem acentuado o distúrbio bipolar que desde sempre acomete o seu governo. Nesta última semana, os altos e baixos que até pouco tempo a psiquiatria classificava como maníaco-depressivos oscilaram com velocidade estonteante. Como espasmos, Dilma, Lula e os seus cantaram vitórias e amargaram derrotas sucessivas. E não conseguiram debelar os surtos. Continue lendo “Olho gordo”
“Só use em caso de necessidade”
Ontem à tarde, voltando do médico, quando meu filho perguntou sobre os exames que foram pedidos, eu lhe entreguei as receitas e expliquei: “esse que pede o holter, é para ser usado só em caso de necessidade”. Continue lendo ““Só use em caso de necessidade””
Vivandeiras e provocadores
Em momento tão conturbado da vida política nacional é importante registrar um fato: a crise, ao menos por enquanto, passa ao largo dos quartéis. É irrelevante aqui discutir se isto acontece porque os militares já não têm a mesma força política de 1964, ou porque a comunidade internacional e os brasileiros não aceitam mais soluções fora do escopo do Estado de Direito Democrático. Continue lendo “Vivandeiras e provocadores”
Já viste a Mona Lisa?
E se a história do cinema fosse só a recorrente variação da mais famosa tela do mundo? Imaginem que estão a falar com Daniel Arasse, historiador de arte francês, falecido em 2003. Mesmo morto é um provocador. “Já viste a Mona Lisa?”, diz ele, avisando-me: “Deixa-me descrever o quadro e não te admires do monte de coisas que vais admitir nunca ter visto.” Continue lendo “Já viste a Mona Lisa?”
Democracia não tem cor
Intolerância, baixaria de todos os lados, muito fígado e nenhum cérebro. Assim tem sido o cotidiano da crise. Um clima de litígio aguçado cotidianamente na sede do Poder Executivo da República. Ali, a presidente Dilma Rousseff promove comícios travestidos de cerimônias oficiais em que a plateia – e ela própria – aplaude a incitação ao ódio, embora finja pregar o diálogo. Continue lendo “Democracia não tem cor”
A superioridade moral dos petistas
Uma das grandes façanhas do PT foi convencer os integrantes da sua seita de que eles são moralmente superiores e mais espertos do que os simples mortais. Continue lendo “A superioridade moral dos petistas”
Se não quer renunciar, será que não pode ao menos governar?
Dona Dilma vem usando o Poder apenas para se manter no Poder. Parece conversa da Alice com o Chapeleiro Maluco, mas não é, não. Continue lendo “Se não quer renunciar, será que não pode ao menos governar?”
Lei & Ordem
Os fatos acontecem à velocidade de um raio e dissipam ilusões quanto à capacidade da presidente Dilma Rousseff construir um mínimo de apoio no Parlamento para barrar o processo de impeachment. Continue lendo “Lei & Ordem”
Cavaleiro de copas
Vejo cinema de forma errada. Fui ver Cavaleiro de Copas e minutos depois já nem me lembrava que era de Terrence Malick, porque o filme já era meu. A crítica queixou-se da ausência de história, de narrativa. E eu ali, enterrado na cadeira, esgazeado com o excesso de histórias a entrelaçarem-se, como mil fios de sisal a fazer uma corda grossa e boa para amarrar o raio da narrativa fugidia. Continue lendo “Cavaleiro de copas”
A democracia, não o demo
Frequente em discursos de muitos, até daqueles que por ela não nutrem qualquer apreço, a democracia vem sendo vítima do governo brasileiro, um serial killer obstinado que finge o inverso, mas tudo faz para aniquilá-la. Continue lendo “A democracia, não o demo”
Alguns presentes
1) O presente que mais chamou minha atenção nos últimos dias foi o que Lula recebeu do ministro Teori Zavascki. Continue lendo “Alguns presentes”
Matar ou morrer
Absolutamente ilhado e sentindo cada vez mais a falta de oxigênio, o governo Dilma Rousseff decidiu ir à guerra. Ou como disse um assessor presidencial: “agora é matar ou morrer”. Dada a ordem, o Palácio do Planalto passou a viver o seu faroeste, muito embora a turma que lá habite esteja mais para Frank Miller (Ian MacDonald) do que para o xerife Will Kane (Gary Cooper), personagens do genial filme de Fred Zinnemann. Continue lendo “Matar ou morrer”
Aldeia em fogo
Podemos recordar 1913 de muitas maneiras. Nesse ano, Apollinaire escreveu um ensaio, “Os Pintores Cubistas, Meditações Estéticas”, que logo nos diz em que alvoroço artístico andava a Europa. Freud publicou “Totem e Tabu”. Era um mundo antigo à procura de sensações novas. Continue lendo “Aldeia em fogo”
Pele de cordeiro
Luiz Inácio Lula da Silva tem caras, modos e personas variáveis. Traveste-se de acordo com a conveniência. Transita entre a divindade e o desvalido, entre a vítima e o general da tropa. Semeia guerra e ódio e encarna a versão paz e amor quando as circunstâncias o deixam sem saída. Ruge como leão e rasteja como jararaca. Mas, por mais que tente, sempre que se veste de cordeiro o lobo escapa. Continue lendo “Pele de cordeiro”
A Globo me fez de bobo
Assisti, ontem, uma das mais belas lições do jornalismo brasileiro, o Jornal Nacional da Rede Globo. Continue lendo “A Globo me fez de bobo”


