Corruptores e corruptos não registram seus negócios em cartório, não emitem recibos. Tentam não deixar vestígios. Buscam o crime perfeito. Mas quando as investigações de delitos se aproximam dos que se consideram incomuns e, portanto, autorizados a surfar acima da lei, não raro eles tropeçam em suas próprias pegadas. Tornam-se vítimas de seu auto-endeusamento. Continue lendo “Rastros do crime”
Que tal concurso público para corrupto, Lula?
“A profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado, não. Ele se forma numa universidade, faz um concurso e está com o emprego garantido.” Continue lendo “Que tal concurso público para corrupto, Lula?”
O bisavô Lula fala aos seus
Entrevista não foi. Entrevista coletiva, então, vamos falar sério, é que não foi mesmo. Coletiva sem perguntas dos jornalistas é piada, não é, não?
Que nome dar então àquela apresentação de Lula ontem em um hotel em São Paulo? Continue lendo “O bisavô Lula fala aos seus”
A nova Mae West
Tenho amigos poetas, romancistas, pintores, espíritos inquietos e brilhantes. Ouço-lhes o uivo nocturno. É um uivo que faria corar Allen Ginsberg, o morto e enterrado poeta beatnik. Continue lendo “A nova Mae West”
Sandálias de pescador
Em sua primeira semana como titular, o presidente Michel Temer venceu em diversas frentes: no plano externo, na Suprema Corte e no Senado. Mas continua encalacrado com a rejeição que inspira. E para enfrentá-la sua equipe comete o mesmo erro fatal da deposta ex: abusa da soberba. Continue lendo “Sandálias de pescador”
“Disto tenho certeza: ao iniciar uma briga entre o passado e o presente, acabaremos por perder o futuro”
A reflexão que cito no título é de Sir Winston Churchill, o grande inglês que dispensa apresentações. Ele também dizia que a verdade é incontroversa: o pânico pode ofendê-la, a ignorância diminuí-la, a maldade distorcê-la, mas ao fim, lá estará ela, vitoriosa. Continue lendo ““Disto tenho certeza: ao iniciar uma briga entre o passado e o presente, acabaremos por perder o futuro””
O calcanhar de Temer
Como Aquiles, o presidente Michel Temer também tem seu calcanhar. E não é o grito de “fora Temer” que começou a ecoar nas ruas em manifestações que não devem ser subestimadas. Elas crescerão, mais ou menos, na relação direta da capacidade de o governo se embaralhar nas próprias pernas. Continue lendo “O calcanhar de Temer”
Cenas de bastidores: uma lista
1. O realizador King Vidor pedira à actriz Lilian Gish que aprendesse a morrer. Filmavam La Bohéme, ela era Mimi e o destino de Mimi, sabe-se, é morrer. Venham ver, estão a filmar a cena.
Supremo imbroglio
O país encerrou o mês de agosto com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff e a posse do presidente Michel Temer, pondo fim a uma agonia de nove meses. Mas, diferentemente do dito popular, está longe de encerrar o desgosto. Continue lendo “Supremo imbroglio”
No Clube das Elites
As elites formam o grupo minoritário de pessoas que, numa sociedade, ocupa um lugar de relevo devido a certos atributos muito valorizados, quando não invejados. Continue lendo “No Clube das Elites”
Foi golpe
Cassada por 61 dos senadores, sete a mais do que Constituição determina, Dilma Rousseff não preside mais o Brasil. Tudo dentro dos conformes. Ou nem tanto. Por 36 votos foram mantidos os seus direitos políticos, possibilidade aberta por decisão mais do que polêmica do presidente da Suprema Corte, Ricardo Lewandowski. Algo digerível na política, acostumada a negociatas aqui e acolá, mas que causa espanto jurídico. E consequências nefastas. Continue lendo “Foi golpe”
A estrela some
A ser coerente com a narrativa do seu discurso de defesa no Senado, Dilma Rousseff deveria percorrer o país de ponta a ponta, logo após a consumação do impeachment, e usar o palanque eleitoral do seu partido como trincheira de denúncia e resistência ao que ela e sua trupe chamam de golpe. Continue lendo “A estrela some”
Flagelação masoquista
Não se procure nos filhos o que muito admirámos nos pais. Era o que eu devia ter pensado, quando o filho de Buñuel veio ilustrar o ciclo que dedicávamos ao pai recentemente morto. E seja como for, nem eu, nem ninguém pensou coisa nenhuma, de esgazeados que ficámos com a plenitude e a pele Channel de Carole Bouquet, a outra «ilustração» da retrospectiva em que meia Lisboa viu religiosamente os filmes do bispo do ateísmo chamado Buñuel. Continue lendo “Flagelação masoquista”
A História descarta canastrões
Renan Calheiros acertou: o Senado virou um hospício. Não se trata mais de apreciar o impeachment de Dilma Rousseff, cujo placar foi antecipado pelos julgadores ao longo do processo e, com mais precisão, na sessão de pronúncia. Durante essa fase de julgamento, iniciada na quinta-feira, o que se quer é holofote e, se possível, escrever o nome na História. Nem que seja no rodapé. Continue lendo “A História descarta canastrões”
Agora que falta pouco
Você já foi a Brasília? Se foi, naturalmente, não perdeu a oportunidade de visitar os belos edifícios que fazem da cidade uma Capital da Arquitetura. Da emocionante Catedral que nos remete à imagem de mãos postadas em oração, aos palácios do Itamaraty, do Planalto, da Alvorada e tantos outros. Continue lendo “Agora que falta pouco”




