22 de dezembro de 2014

Essa data ficará marcada como o dia da mensagem de Natal mais severa que um Papa fez aos cardeais que compõem a Cúria Romana, a mais alta cúpula do Vaticano. Francisco não poupou palavras para descrever tudo que há muitos anos corre à boca pequena pelos corredores da Basílica. Ele foi tão firme e contundente que chego a crer que se não fosse a maestria de Michelangelo e de Bernini, a colunata, e em seguida a cúpula de São Pedro, teriam ruído.

São 15 as doenças, segundo o Papa, que diminuem espiritualmente a Igreja Católica e que necessitam ser extirpadas para que a Igreja do Cristo volte a ser o amparo dos cristãos e fique curada de seus males: “ (…) uma cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não trata de melhorar sempre, é um corpo doente.”

Impressiona a coragem de Francisco diante daqueles senhores que ficaram pálidos e atônitos. Não sei se algum romano aplaudiu, sei que esta brasileira bateu palmas com vigor.

Mas devo confessar o motivo principal de meu entusiasmo: no final de sua mensagem, Francisco recomendou um exame de consciência e  listou as 15 “doenças e tentações” que acometem não apenas a Cúria, mas que “são naturalmente um perigo para cada cristão, cada cúria, comunidade, congregação, paróquia ou movimento religioso”.

Que tal acrescentarmos ‘país’ a essas categorias elencadas por Francisco?

Leiam a lista do papa e depois reflitam, com vagar, sobre o efeito dessas doenças no Brasil e seu Governo Federal.

Da lista de Francisco separei os itens que a meu ver mais afetariam os cidadãos de qualquer denominação religiosa:

*Os vaidosos que acham que antes deles nada foi feito de bom;

*os que não cultivam o espírito, sofrendo de “alzheimer espiritual” e que acabam escravos das paixões e dos caprichos;

*os que competem entre si não para a melhoria do país, mas para enaltecer a própria aparência;

*os fofoqueiros, “que falam pelas costas semeando a cizânia, como Satanás”;

*os carreiristas, que só pensam em si e não no próximo;

*os que confundem cara feia, carrancuda e crueza no trato achando que assim se fazem respeitar;

*os que só pensam em acumular bens materiais;

*os que amam andar em bandos como andorinhas, mas sem valorizar o calor das relações humanas, e sentem alegria em ver o outro cair para poder tomar o seu lugar.

Já na Missa do Galo, anteontem, em 24 de dezembro, Francisco lembrou: fazem muita falta a ternura e a alegria.

Verdade. O mundo mais terno e mais alegre e todos seríamos capazes de nos ajudar uns aos outros, o que permitiria que os líderes de todas as Nações trocassem as armas pelo abraço.

Encerro com meus votos de Feliz Ano Novo para os bebês nascidos em 2014, pedindo a Deus que seu Brasil seja muito mais feliz que o nosso.

Que assim seja!

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 26/12/2014. 

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