Cinco da tarde é uma bela hora para se cortar o cabelo, pensou Frank Capra, a 10 de Março de 1933. Foi, portanto, cortar o cabelo, sacudindo a chatice das reuniões entre um comité da Academia de Hollywood e um comité de trabalhadores dos estúdios para discutir cortes salariais, à conta do fecho por vários dias de todos os bancos americanos, ditado pelo Emergency Bank Act de Roosevelt, moratória que faria estremecer de felicidade Costa e Centeno. Continue lendo “Banhos turcos”
A melhor lição olímpica
O Brasil fez bonito. Atletas, organizadores, voluntários, público daqui e de todo o lugar do planeta. Um espetáculo de orgulhar até os mais ranzinzas. Mas em seu cotidiano o país está longe do espírito e das lições olímpicas. Digladia-se com o seu próprio sucesso, alimenta polêmicas inúteis. E não tem Engov capaz de refazê-lo da ressaca do dia seguinte, quando tudo voltará a ser como antes. Continue lendo “A melhor lição olímpica”
Fogo amigo
Lula deve estar esfregando as mãos de felicidade com a troca de chumbo entre tucanos e peemedebistas. Sabe, por experiência própria, o quanto o fogo amigo é desagregador. O caudilho vislumbra, na divisão da base de sustentação do governo Michel Temer, a possibilidade de se reposicionar no tabuleiro, com vistas a retornar ao poder em 2018. Continue lendo “Fogo amigo”
Ladrões de bicicletas
Não se pode ter fama e ser feliz ao mesmo tempo. Fama e felicidade são paralelas que fingem encontrar-se e é mentira ou miragem, como Lamberto Maggiorani descobriu com aquela amargura burlesca só ao alcance da Itália do pós-guerra. Continue lendo “Ladrões de bicicletas”
Somos todos cobaias
Diante dos jogos olímpicos no Rio, com mais de 300 horas de transmissão de TV por dia, novas delações no âmbito da Lava-Jato, também diárias, e proximidade do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, a atenção para as eleições que acontecem daqui a exatos 49 dias é próxima de zero. O calendário chega atropelando o eleitor e os candidatos, cobaias da lei que reduziu o tempo de campanha, criou regras sem regulamentá-las e extinguiu o financiamento privado. Continue lendo “Somos todos cobaias”
Isto aqui é Rio de Janeiro
Dirigir no Rio de Janeiro, decididamente, não é simples. Não basta ter carteira de habilitação válida, nem que o motorista seja um ás do volante.
O que é muito importante é que ele saiba interpretar as placas de sinalização e que nunca, jamais, em tempo algum, se fie apenas nos GPS da vida. Continue lendo “Isto aqui é Rio de Janeiro”
Sururu no Mercosul
Exatamente quando o Brasil e Argentina vivem o melhor momento de suas relações, os dois países estão sendo obrigados a administrar o baita sururu que se formou no Mercosul por açodamento e precipitação de seus governos passados. Continue lendo “Sururu no Mercosul”
Eisenstein à Gomes de Sá
Vou já falar de bacalhau, mas começo com uma afirmação séria: a obra cinematográfica de Eisenstein fez-se sob o signo da encomenda. Os cineastas americanos do seu tempo, dos anos 20 aos 40, recebiam encomendas de produtores como Zukor, Thalberg, Jack Warner ou Samuel Goldwyn. Eisenstein trabalhou muito com um produtor chamado Josef Estaline. Continue lendo “Eisenstein à Gomes de Sá”
A cartada que Dilma não dará
Em meados de junho, Dilma Rousseff fez chegar à imprensa a decisão de divulgar uma carta aos brasileiros, a exemplo do que fizera o ex Lula, com sucesso, em 2002. Junho acabou sem a missiva. Veio julho, nada. Agosto chegou e a tal carta, que pretendia ser o instrumento decisivo de defesa da presidente afastada, se tornou símbolo da discórdia entre os poucos aliados que ela ainda tem. Entre ela e o PT, entre ela e a realidade. Continue lendo “A cartada que Dilma não dará”
E a maioria, que impôs sua vontade?
Não é uma coisa extraordinária? Como é que pode? – foi o que pensou a senadora Grazziotin, que ficou tão estarrecida com o resultado que desabafou na TV Senado contra essa imposição da maioria! Continue lendo “E a maioria, que impôs sua vontade?”
Tempestade perfeita
Por conspiração dos astros, ou não, o Partido dos Trabalhadores enfrentará as eleições municipais deste ano em meio a uma tempestade perfeita. Não bastassem a proximidade entre a votação do impeachment de Dilma Rousseff no Senado, coisa já resolvida, e o envolvimento cada vez mais cabeludo de Lula na Lava-Jato, não há sinais de que daqui até outubro o governo de Michel Temer cometa grandes deslizes. Continue lendo “Tempestade perfeita”
O ar no meio das pernas
O ar do metro levanta-lhe a roda do vestido. É mais do que uma imagem, é um ícone. Mais do que na nuíssima fotografia do calendário, foi nessa imagem de Marilyn Monroe, filmada numa noite em brasa, que todo o desejo masculino do mundo se projectou e projecta. O desejo masculino, como um rio de vento, sobe-lhe pelas livres pernas acima. Continue lendo “O ar no meio das pernas”
Lula culpa o Brasil
Fingir que não é com ele, mentir para livrar a sua cara e a sua pele são traços impressos na personalidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sempre foi assim. Desde os palanques de São Bernardo do Campo — quando recitava palavras de ordem óbvias diante da massa e de uma ditadura que lhe era dócil –, até à quase inacreditável petição contra o Estado brasileiro que impetrou, na quinta-feira, junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU. Uma alma narcisa que só pensa em si. Que xinga e elogia, soca e abraça por conveniência e só age na primeira pessoa. Continue lendo “Lula culpa o Brasil”
O martírio do Padre Hamel
O crime bárbaro, cruel como todos os crimes, que tirou a vida do padre Jacques Hamel na Igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, na Normandia, foi ainda mais chocante pela figura da vítima que morreu tal como o padroeiro de sua igreja, martirizado por sua fé, na terça-feira, 26 de julho de 2016. Continue lendo “O martírio do Padre Hamel”
Terror não tem glamour
Passado o primeiro choque da tragédia do atentado no balneário de Nice, na França, o mundo continua atônito. Continue lendo “Terror não tem glamour”




