O que restará aos humanos?

No mundo em que vivemos o trabalho desempenha importante função social, dando um sentido à vida das pessoas. Não ter emprego é quase como não ter vida. Desde a primeira revolução industrial vivemos na “sociedade do trabalho”. Essa realidade vem sendo alterada profundamente com o advento da Inteligência Artificial. O fenômeno já tinha sido observado por Yuval Harari em 2016, quando escreveu o livro Homo Deus: uma breve história do amanhã, e fez a previsão de que até 2050 surgiria uma nova classe social: a dos inempregáveis. Continue lendo “O que restará aos humanos?”

De volta ao passado, a bordo do trem-bala

Na economia, o governo Lula 3 parece estar em acelerada marcha a ré rumo ao passado. Rumo a algo parecido com os tenebrosos tempos de Dilma 2, em que Guido Mantega propunha a “nova matriz econômica” – o “nova” aí indicando aquelas idéias de 1917, do Estado todo-poderoso. Continue lendo “De volta ao passado, a bordo do trem-bala”

Que crise!

Li na imprensa, e não nas mídias sociais, que são antros de boatarias e pseudo notícias de agentes da direita e extrema direita, que os investimentos estrangeiros na B3 aumentaram durante o mês de janeiro. E não foi pouca coisa. Do dia 2 ao dia 31 subiram 3,9%, enquanto o tal “mercado” chiava e vertia lágrimas de crocodilo contra o que via como ameaças à política econômica liberal por parte do recém empossado governo Lula. Continue lendo “Que crise!”

Miséria eterna

Santo Amaro do Maranhão: 16.129 habitantes. Apenas 4,2% têm trabalho remunerado, 60% deles recebendo até meio salário mínimo. O município, na rabeira entre os mais pobres do país, paga R$ 4 mil por mês para cada um de seus 11 vereadores. O absurdo se repete em mais da metade das cidades brasileiras, 32,5% delas – 1.704 das 5.570 – incapazes de arcar com suas despesas funcionais, sobrevivendo de repasses federais e estaduais. A 237 quilômetros da capital São Luís, a Santo Amaro maranhense é só uma ponta da indecente teia de gastos públicos que abastece privilegiados e eterniza a miséria. Continue lendo “Miséria eterna”

Uma guerra longe do fim

Quando invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia tinha como estratégia alcançar a vitória por meio de uma guerra de curta duração. A enorme superioridade bélica em relação ao país invadido alimentava sua esperança de conquistar no teatro de operações três objetivos estratégicos: frear a expansão da OTAN em direção às suas fronteiras, consolidar a Crimeia como território russo e estabilizar a russificação das províncias ucranianas de Lugansk e Donetsk. Continue lendo “Uma guerra longe do fim”

É o mínimo que se espera de um governante

“Eu não esqueci. E você?”, escreveu a ex-deputada bolsonarista Joice Hasselman no Twitter, às 18h05 da segunda-feira de carmaval. 20/2. Abaixo, aquilo que não dá para esquecer: “Bolsonaro ignorou tragédia na Bahia em 2021 para tirar férias e andar de jet ski” – e, para ilustrar, um filmete do ex em festa no mar de Santa Catarina e um do atual presidente da República, sobrevoando as áreas devastadas pelas chuvas no Litoral Norte de São Paulo. Continue lendo “É o mínimo que se espera de um governante”

O mesmo enredo

Ao contrário da máxima de que no Brasil o ano só começa depois do carnaval, em 2023 o país acordou muito antes e em ritmo acelerado. Para o bem e para o mal. De um lado e de outro da insuportável rixa que há anos nos rege. Continue lendo “O mesmo enredo”

“Os nativos estão inquietos”

– “Os nativos estão inquietos.”

Paulinho Nogueira costumava falar essa frase cada vez que os aparelhos de TV da redação mostravam os desfiles das escolas de samba, enquanto nós, da editoria de Reportagem Geral do Jornal da Tarde, ficávamos à espera da chegada dos textos e das fotos enviados pelos nossos colegas na avenida. Continue lendo ““Os nativos estão inquietos””

“Bolsonaro não é conservador nem liberal, só reacionário e autoritário.”

Jair Bolsonaro disse ao Wall Street Journal que voltará ao Brasil para liderar a oposição. Se não quiser perpetuar a dialética infernal que recolocou no Planalto o lulopetismo – responsável pelos maiores escândalos de corrupção e a pior recessão da Nova República – nem a espiral de degradação que desembocou no 8 de Janeiro – o maior atentado à democracia desde a ditadura –, a direita, seja a liberal, seja a conservadora, deve fugir desse “líder” que nega todos os seus valores mais caros. Continue lendo ““Bolsonaro não é conservador nem liberal, só reacionário e autoritário.””

Juros escorchantes

O presidente Lula tem razão em sua batalha contra os juros altos. A autoridade monetária precisa ouvir que não temos inflação de demanda, que não temos uma economia aquecida que necessite de um golpe de juros para reduzir a alta dos preços. A inflação dos últimos anos veio de fora, pelas commodities importadas a preços elevados, em função da pandemia, e pela alta do dólar no mundo. Continue lendo “Juros escorchantes”

As Arcadas não combinam com intolerância

Em seus quase 200 anos, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco tem larga tradição de defesa da democracia. Desde tempos imemoriais em suas arcadas respira-se liberdade. O respeito ao contraditório, a observância do pluralismo e a liberdade de cátedra são valores impregnados em suas paredes e bancadas. Continue lendo “As Arcadas não combinam com intolerância”

Basta de Bolsonaro

Dia sim outro também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cita Jair Bolsonaro. Nos discursos, nas entrevistas, em conversas informais. Até na Casa Branca, no encontro com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Uma fixação que direciona os holofotes para o ex que não mais produz luz própria e, ao mesmo tempo, ofusca o brilho das ações do seu próprio governo. Uma equação simples e perversa: o governo vai bem, mas Lula joga contra si – de propósito ou não. Continue lendo “Basta de Bolsonaro”

“É um desprezo raivoso pela responsabilidade fiscal”

“Lula precisa garantir amplo apoio na sociedade e no Congresso, obter sucesso na economia e na área social e neutralizar o bolsonarismo, especialmente nas Forças Armadas. É tarefa monumental — e errar é proibido. O problema é que Lula não pára de errar.” A opinião é do empresário Ricardo Rangel, em artigo em O Globo. O título é claro e duro: “É melhor sair do palanque.” Continue lendo ““É um desprezo raivoso pela responsabilidade fiscal””

Otários

Quando o napoleão de hospício havia acabado de vencer o segundo turno da eleição de 2018, encontrei no meu banco um lídimo representante da elite londrinense, todo assanhado e eloquente. Dizia ele que, enfim, ia-se instalar o verdadeiro presidencialismo no Brasil. Eu era uma figura conhecida, fora diretor de redação da Folha de Londrina e me dava com muita gente, da esquerda à direita. Mas não sabia que o cidadão que se empinava ao meu lado, e eu conhecia de longa data, era tão retrógrado e autoritário quanto revelou ser. Continue lendo “Otários”