Após a morte de minha mãe (eu tinha 11 anos) minha avó materna veio morar conosco no Rio, pra ajudar nas tarefas da casa. Todas as tardes sentávamo-nos no chão da cozinha e conversávamos longo tempo. Isto começou em 1954 e durou uns quatro anos. E sempre pedíamos uma historinha. Continue lendo “Conta outra, vó”
Um clássico dos trópicos
Como fazer literatura nestes trópicos em tempos de pós-modernismo; nessa terra que se afasta a galope da civilização e avança com fúria para a barbárie? Como emergir deste oceano de mediocridades, misérias, corrupção, violência, modismos e desencanto em que meteram a pátria-amada-mãe-gentil? Ah, a produção cultural desse fim de milênio, a nossa e a dos outros… Continue lendo “Um clássico dos trópicos”
O ambiente exige respeito
Serviços públicos para lá de precários, preços que doem no bolso desafiando o blablablá oficial, insegurança, roubalheira, um sem fim de promessas que não se concretizam. São motivos mais do que suficientes para que a mudança seja a reivindicação primeira dos brasileiros. Continue lendo “O ambiente exige respeito”
Detestava Hemingway e Huston sabe Deus
John Ford detestava Hemingway e gostava razoavelmente da escrita complexa de Faulkner. O irlandês Liam O’ Flaherty era o seu escritor favorito. Era primo dele e Ford adaptou-lhe um romance de coragem e delação, o The Informer. Em Hemingway, o incómodo vinha do louvor fácil a uma certa mitologia masculina, estranha a Ford. Continue lendo “Detestava Hemingway e Huston sabe Deus”
Desconsolo
“Graças a Deus que estamos no estado democrático de direito e graças a Deus que os trabalhadores podem fazer greve. Mas o dano que a sociedade toda teve, de sofrimento, é irreparável”. Rilma Aparecida Hemetério, desembargadora do TRT-SP. Continue lendo “Desconsolo”
Muito além do jardim
“Devemos cultivar nosso jardim”, ensinava o Cândido de Voltaire, o aluno do dr. Pangloss, que dizia que “tudo vai pelo melhor dos mundos possíveis”. Era a única coisa que Chance Gardner, o personagem de Peter Sellers em Muito Além do Jardim, sabia fazer, além de ver televisão. Continue lendo “Muito além do jardim”
Boas piadas no país da Copa
Anunciamos a chegada do vôo 746 vindo de Recife. A aeronave já está posicionada no finger 4 do terminal 2. Informamos que o sistema automático de processamento depositará as bagagens no receptor 16, em dez minutos. Continue lendo “Boas piadas no país da Copa”
Boas notícias no país de Marina
Minha filha – o maior orgulho que tenho na vida – nos conta que hoje Marina chamou pelo vovô. Continue lendo “Boas notícias no país de Marina”
Más notícias do país de Dilma (141)
Tão monumental, gigantesco, ciclópico, colossal, descomunal, desmesurado, formidável, mastodôntico, monstruoso, titânico quanto os gastos do governo petista com a construção dos estádios para a Copa do Mundo são as asneiras que saem das bocas do Grande Líder e de seus seguidores. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (141)”
Canalha, cretino, cafajeste…
É claro que você já esbarrou nele. Todos o fizemos, voluntária ou involuntariamente. É onipresente e na maior parte do tempo ostenta um sorriso com variações de moldura: ora ligeiramente encoberto por um espesso bigode, ora calculadamente pendurado no canto da boca desenhada em um rosto bem escanhoado. Continue lendo “Canalha, cretino, cafajeste…”
Eu, a “prima”, o terno e a valeta
Quando leio qualquer coisa sobre Ribeirão Preto, viajo de volta ao passado na garupa das muitas lembranças dos tempos em que vivi nessa metrópole interiorana, que fez parte da minha infância e juventude. É bem verdade que eu só ia à cidade de vez em quando ou por precisão, pois morava em Guatapará, um dos seus distritos, hoje município emancipado, localizado a pouco mais de 40 quilômetros, no vale do médio Rio Mogi Guaçu. Continue lendo “Eu, a “prima”, o terno e a valeta”
“Eram as mais puras crianças da Terra, jovens e boas”
O 15 de junho era um dia de verão perfeito, com céu azul, sol brilhando, alegria a bordo, crianças correndo em suas explorações, uma bandinha alemã tocando. A igreja havia pago US$ 350 pelo aluguel do barco, e os ingressos, aproximadamente mil, foram vendidos somente para adultos. Crianças tinham acesso livre, e as mães as levavam ou pediam a amigas que as acompanhassem. Foram mais de trezentas. Continue lendo ““Eram as mais puras crianças da Terra, jovens e boas””
Vou de jegue
Primeiro, as promessas de mundos e fundos. Um legado nunca antes visto neste País se materializaria em mais aeroportos, portos, transporte urbano, telecomunicações. E ai dos que não acreditassem no conto. Uns danados de pessimistas, gente que aposta no quanto pior, melhor. Antipatriotas. Continue lendo “Vou de jegue”
O penico da rainha e a Cinemateca
O primeiro a falar de penicos, e evocou o da Madame de Pompadour, foi Antonioni. Estava de visita à Cinemateca. Luís de Pina, o director, coleccionava miniaturas. Mas o João Bénard lembrou-se de um, autêntico, uma preciosidade do Palácio da Pena, em Sintra. De louça portuguesa, a rainha Dona Amélia guardava-o onde ainda hoje está, debaixo da cama. Partimos em romaria turística. Continue lendo “O penico da rainha e a Cinemateca”
Duas canções, coincidências demais
O narrador da canção “Demais”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, anda falando demais, bebendo demais, rindo demais, contando anedotas demais. Não larga o cigarro e dirige seu carro depressa demais. Continue lendo “Duas canções, coincidências demais”



