O jornal baiano A Tarde resolveu nos levar de volta aos dias grotescos da CENSURA. Com uma diferença: se a censura, na época da ditadura militar, tinha caráter político-ideológico (por mais estúpido e cretino que fosse), a onda de censura agora promovida por A Tarde diz respeito unicamente a interesses financeiros da empresa. Continue lendo “Na democracia petista, a censura está de volta”
Enchente amazônica
“Pois transbordando de flores / a calma dos lagos zangou-se / a rosa dos ventos danou-se / o leito dos rios fartou-se / e inundou de água doce / a amargura do mar / numa enchente amazônica / numa explosão atlântica…”
Assim é o Brasil: há um Chico Buarque para cada situação. Continue lendo “Enchente amazônica”
Más notícias do país de Dilma (150)
A presidente Dilma Rousseff e seu governo mentem como Pinóquio e são teimosos feito uma mula.
Além disso, esbanjam autoconfiança – mais do que seria aconselhável. Fica parecendo que consideram que todos os demais brasileiros são idiotas. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma (150)”
A madrugada em que a onça bebeu água
Conheci ainda na infância uma fazenda, a Santa Olímpia, ligada à vila de Guatapará por uma estrada margeada pela mata fechada. Nela, ao passar por uma clareira dava ainda para a gente ver as marcas do primeiro cemitério da região. Por causa dele ninguém se aventurava a andar por ali à noite, pois os mais velhos contavam que nas chamadas horas mortas as almas saiam ao relento acompanhadas dos esturros de uma onça pintada. Continue lendo “A madrugada em que a onça bebeu água”
E se…
E se…
Dizem que a morte é a única certeza da vida. E não há crença, ciência ou lógica capaz de explicar seu egoísmo em tragar talentos que fariam diferença entre os vivos. Poderosa, orquestra mudanças radicais e reina absoluta entre o condicional, os inevitáveis “se” que mudariam a história caso ela não tivesse se metido. Continue lendo “E se…”
O charlatão gentil
Foi um charlatão, ápodo que se dá a certos homens de talento. Orson Welles, deslumbrado, filmou-o em F for Fake. Chamemos-lhe, como ele se auto-baptizou, Elmyr de Hory. Continue lendo “O charlatão gentil”
Conta outra, vó – O ladrão ladino (3)
Durante algum tempo o moço não quis roubar o castelo. Tinha dinheiro pra viver e não precisava se arriscar. Aconteceu então que o dinheiro foi sumindo e um dia acabou. Continue lendo “Conta outra, vó – O ladrão ladino (3)”
‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’
We are such stuff as dreams are made on.
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, scene 1
Temos sofrido golpes fundos em nossa vida política, golpes terríveis, como o suicídio de Getúlio; os 20 anos de ditadura; a morte de Tancredo; o desastre que matou Ulysses Guimarães; as mortes de jovens lideranças, como Luís Eduardo Magalhães e Marcelo Déda. Continue lendo “‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’”
A morte, o destino, tudo
John Kennedy morreu com um tiro na cabeça.
Em novembro de 1963 a notícia chocava o mundo e vi a primeira demonstração de pragmatismo vinda de um vizinho da mesa do banco onde eu trabalhava. Continue lendo “A morte, o destino, tudo”
A sinfonia da vida
Há 45 anos, eu andando lá pelos 18 (não se espante, leitor, também já tive essa idade), tocado pelo romantismo que tão naturalmente floreia os sonhos de todos nós nessa quadra de nossas vidas, gostava de sentar-me à beira de um regato que circundava os fundos de nossa casa e que, depois, descia sereno e imutável para os braços do Mogi Guaçu. Continue lendo “A sinfonia da vida”
Más notícias do país de Dilma voltam semana que vem
Tudo na vida é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro, e então as férias do compilador acabaram. Continue lendo “Más notícias do país de Dilma voltam semana que vem”
Seres de casa, seres de apartamento
Há seres de apartamento e seres de casa, da mesma maneira, ou quase, como há flamenguistas e fluminenses, tucanos e petistas. Como no Chile de 1973 havia os pró-Allende e os contra. Como há os Tea Party e a ala mais radical do outro lado dos democratas. Os a favor e os contra a pena de morte, ou ao direito ao aborto. Continue lendo “Seres de casa, seres de apartamento”
Sobre fraudes e farsas
Certeza da impunidade, ingenuidade, burrice. Por mais que se tente, não há explicação plausível para o fato de alguém, em um computador do Palácio do Planalto, incluir trechos mentirosos e aviltantes nos perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia. E será preciso mais do que emitir notas oficiais de repúdio e arranjar aloprados para que a Presidência da República consiga se safar. Continue lendo “Sobre fraudes e farsas”
Ninguém é profeta na sua terra
Fui um libertário. Não era só pôr flores na cabeça como vinha nas fotografias autorizadas de Woodstock. Despi-me, como ainda não sabíamos que se tinham despido em Woodstock, para irmos, boys and girls, tomar banho nus e de meia-noite, mais ou menos por ali onde agora José Eduardo dos Santos tem o seu Futungo. Continue lendo “Ninguém é profeta na sua terra”
Conta outra, vó – O ladrão ladino (2)
Um dia, o nosso ladrão descobriu que o dinheiro já estava no fim. Resolveu fazer algum roubo, de modo que não passassem necessidade. Resolveu roubar no castelo do rei. Foi no castelo e disse que queria ser guarda do rei. O capitão, vendo aquele moço forte e bonito, resolveu aceitá-lo e dali a algum tempo, ele estava servindo na sala do tesouro. Continue lendo “Conta outra, vó – O ladrão ladino (2)”


