Na democracia petista, a censura está de volta

O jornal baiano A Tarde resolveu nos levar de volta aos dias grotescos da CENSURA. Com uma diferença: se a censura, na época da ditadura militar, tinha caráter político-ideológico (por mais estúpido e cretino que fosse), a onda de censura agora promovida por A Tarde diz respeito unicamente a interesses financeiros da empresa. Continue lendo “Na democracia petista, a censura está de volta”

Enchente amazônica

“Pois transbordando de flores / a calma dos lagos zangou-se / a rosa dos ventos danou-se / o leito dos rios fartou-se / e inundou de água doce / a amargura do mar / numa enchente amazônica / numa explosão atlântica…”

Assim é o Brasil: há um Chico Buarque para cada situação. Continue lendo “Enchente amazônica”

A madrugada em que a onça bebeu água

Conheci ainda na infância uma fazenda, a Santa Olímpia, ligada à vila de Guatapará por uma estrada margeada pela mata fechada. Nela, ao passar por uma clareira dava ainda para a gente ver as marcas do primeiro cemitério da região. Por causa dele ninguém se aventurava a andar por ali à noite, pois os mais velhos contavam que nas chamadas horas mortas as almas saiam ao relento acompanhadas dos esturros de uma onça pintada. Continue lendo “A madrugada em que a onça bebeu água”

E se…

E se…

Dizem que a morte é a única certeza da vida. E não há crença, ciência ou lógica capaz de explicar seu egoísmo em tragar talentos que fariam diferença entre os vivos. Poderosa, orquestra mudanças radicais e reina absoluta entre o condicional, os inevitáveis “se” que mudariam a história caso ela não tivesse se metido. Continue lendo “E se…”

‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’

We are such stuff as dreams are made on.
William Shakespeare, The Tempest, Act 4, scene 1

Temos sofrido golpes fundos em nossa vida política, golpes terríveis, como o suicídio de Getúlio; os 20 anos de ditadura; a morte de Tancredo; o desastre que matou Ulysses Guimarães; as mortes de jovens lideranças, como Luís Eduardo Magalhães e Marcelo Déda. Continue lendo “‘Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos’”

A sinfonia da vida

Há 45 anos, eu andando lá pelos 18 (não se espante, leitor, também já tive essa idade), tocado pelo romantismo que tão naturalmente floreia os sonhos de todos nós nessa quadra de nossas vidas, gostava de sentar-me à beira de um regato que circundava os fundos de nossa casa e que, depois, descia sereno e imutável para os braços do Mogi Guaçu. Continue lendo “A sinfonia da vida”

Seres de casa, seres de apartamento

Há seres de apartamento e seres de casa, da mesma maneira, ou quase, como há flamenguistas e fluminenses, tucanos e petistas. Como no Chile de 1973 havia os pró-Allende e os contra. Como há os Tea Party e a ala mais radical do outro lado dos democratas. Os a favor e os contra a pena de morte, ou ao direito ao aborto. Continue lendo “Seres de casa, seres de apartamento”

Sobre fraudes e farsas

Certeza da impunidade, ingenuidade, burrice. Por mais que se tente, não há explicação plausível para o fato de alguém, em um computador do Palácio do Planalto, incluir trechos mentirosos e aviltantes nos perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia. E será preciso mais do que emitir notas oficiais de repúdio e arranjar aloprados para que a Presidência da República consiga se safar. Continue lendo “Sobre fraudes e farsas”

Ninguém é profeta na sua terra

zzliber

Fui um liber­tá­rio. Não era só pôr flo­res na cabeça como vinha nas foto­gra­fias auto­ri­za­das de Woods­tock. Despi-me, como ainda não sabía­mos que se tinham des­pido em Woods­tock, para irmos, boys and girls, tomar banho nus e de meia-noite, mais ou menos por ali onde agora José Edu­ardo dos San­tos tem o seu Futungo. Continue lendo “Ninguém é profeta na sua terra”

Conta outra, vó – O ladrão ladino (2)

Um dia, o nosso ladrão descobriu que o dinheiro já estava no fim. Resolveu fazer algum roubo, de modo que não passassem necessidade. Resolveu roubar no castelo do rei. Foi no castelo e disse que queria ser guarda do rei. O capitão, vendo aquele moço forte e bonito, resolveu aceitá-lo e dali a algum tempo, ele estava servindo na sala do tesouro. Continue lendo “Conta outra, vó – O ladrão ladino (2)”