garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 18

18. Impressões de um mundo distante

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Sempre me tenho perguntado sobre meu aprendizado e minhas reações, na época, com relação aos problemas sexuais. Sei bem que a situação que presenciei era caótica, anormal e densa. Mas isto eu sei por outros caminhos, leitura, filmes, documentos, deduções. Me pergunto, pois, sobre o que eu já sabia, o que vi, o que aprendi ali dentro. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 18”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 15

15. Jorge de Souza Félix

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É muito estranho lembrar.

Surgiram, no começo dessa minha tentativa de penetrar nos labirintos de minha memória, as imagens de garças e de abutres. Garças seriam pálidas lembranças de fatos agradáveis; abutres, qualquer cena mais assustadora. Nalguns momentos parece que eles se misturam. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 15”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 14

14. Sereias, caminhões, a felicidade da criança abrange mais de um capítulo

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É reconfortante perceber que minhas perdidas alegrias ultrapassam um capítulo. Pois, o que vier após as lembranças dessas manhãs de brincadeiras, mais parece uma noite de pesadelos. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 14”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 13

13. Joaninhas, brincadeiras, diversões, raios de luz nunca apagados

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Dalton Trevisan, no conto O Espião, escreve que aquelas meninas nunca sorriam. Mentira! Acho que é mentira! A alma da criança não é uma corda eternamente esticada. Há de haver, aqui e ali, longe da palmatória e logo depois da comida, momentos fugazes em que a canção suba, o sorriso brote, o brinquedo distraia. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 13”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 12

12. Dois inspetores e um padre
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É preciso dar entrada em cena a algumas figuras importantes nesta tapeçaria quase uma renda. Parece que os fios ficam soltos, sem eles. Ou é como se, a partir de agora, eu enfiasse agulhas em pontos abertos, alinhavando brechas, remendando buracos. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 12”

Conto

Minha amiga perguntou, ao telefone. Vai sair? Com que roupa? Duas peças, respondi. Ela disse que uma blusinha leve e uma saia iam bem. Desliguei. Tinha acabado de me pentear e maquiar. Estava nua. Coloquei o vestido e peguei a bolsa. Duas peças. Continue lendo “Conto”

Conto

Logo que Carlos saiu, Laura sentou no sofá, bem à minha frente, e cruzou as pernas. A saia não era curta, mas, do jeito que ela arrumou, subiu à metade das coxas. Continue lendo “Conto”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 9

9. Os purgantes

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Há um aluno, negro e esbelto como estátua africana, chamado Abraim. Abraim ficou na minha memória por dois motivos. Recebia muitos bagulhos. Em qualquer remessa, ouvia-se o nome dele e ele abria o pacote diante da assistência admirada, príncipe do Congo exibindo despojos de guerra após uma vitória. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 9”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 8

8. Medalhas, agulhas e outras preciosidades
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Uma vez, cavoucando o barro, encontrei uma medalha de Nossa Senhora. Alguém falou para mostrar pro fulano, nem me lembro de nome, nem de cara. Num repente, eu estava diante dele, e ele mostrou um alfinete com medalhas enfiadas. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 8”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 7

7. Macacões e pés no chão 

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    Não sei se minha recordação me trai, não tive mais que dois macacões naquele período. Não, não, agora lembro, eles eram trocados e iam para serem lavados. Parece, aliás, que não tinham dono. Após o banho, acho que semanalmente, recebia-se um bolo de pano e vestia-se. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 7”