No bar até as 2 da tarde

Naquele tempo jurássico, pré-histórico, pré-computador, uns dez anos antes de a S. A. O Estado de S. Paulo entrar no maravilhoso mundo novo – comprando o Atex, o sistema editorial que já nasceu velho, ultrapassado –, o último a fechar as páginas da editoria deixava um recado na mesa do pauteiro que chegaria dali a umas poucas horas, de manhãzinha. Continue lendo “No bar até as 2 da tarde”

Epidemia de desgoverno

Pesquisas de opinião, quando avaliam o apoio popular do presidente, costumam perguntar aos entrevistados sobre o desempenho do seu governo. A primeira dificuldade, no caso, é identificar de que governo se trata. É aquele que precisa proteger um ministro contra uma deposição na Justiça, enviando-o para o exterior de modo tão pouco ortodoxo?

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Imagine se Bolsonaro lesse

Exatamente como seu antecessor populista como ele, que, como ele, gosta de posar de gente do povo, Jair Bolsonaro não é chegado à leitura. Nem gibi do Pato Donald ou do Bolinha e Luluzinha deve ter lido, na infância – têm letra demais esses gibis. Continue lendo “Imagine se Bolsonaro lesse”

Tempo de terror

Tem surgido na minha cabeça, com alguma insistência, nos últimos dias, a canção “Dois e Dois: Quatro”. Hoje é pouquíssimo conhecida. É um poema de Ferreira Gullar: “Como dois e dois são quatro, / Sei que a vida vale a pena / Mesmo que o pão seja caro / E a liberdade, pequena”. Continue lendo “Tempo de terror”

Uma aposta no foca

Em fevereiro de 1971, o editor de Reportagem Geral do Jornal da Tarde, Fernando Portela, tomou uma decisão arriscada, para dizer o mínimo. Ousada, perigosa: incumbiu um foca, um absoluto foca, de viajar para o Recife para fazer amplas reportagens sobre o carnaval da cidade. Continue lendo “Uma aposta no foca”

O que vai parar o louco perigoso, o terrorista?

Um louco nos governa. O país já está anestesiado pelas atrocidades diárias do presidente da República. Um presidente da República que comete crimes diariamente e não é impedido de fazê-lo ou porque os que o cercam, seus ministros e seu vice, são cúmplices, ou porque os que tentam têm à sua disposição instrumentos legais e institucionais que não são capazes de lidar com a sanha autoritária e genocida que Jair Bolsonaro já não faz questão de esconder. Continue lendo “O que vai parar o louco perigoso, o terrorista?”

Bolsonaro asfixia o sistema de saúde

Jair Bolsonaro chama a covid-19 de gripezinha. Não passa semana sem que vá contra as recomendações de todas as autoridades de saúde do mundo e se junte a aglomerações, e saia cumprimentando as pessoas, entre uma passada de mão pelo nariz e outra. Luta diariamente contra as medidas de distanciamento social, as únicas que podem minorar a disseminação da pandemia. Continue lendo “Bolsonaro asfixia o sistema de saúde”

Marina inventa brincadeiras

As crianças, definitivamente, não foram feitas para ficar enjauladas dentro de casa, ao longo de semanas e mais semanas, meses e mais meses. As crianças – sempre pensei isso, desde que tive a sorte grande de ter uma filha – têm uma energia inesgotável. Cada loco bajito, como os definiu com brilho Juan Manuel Serrat, quando minha filha era uma loca bajita, tem tanta energia quanto todas as turbinas de Itaipu juntas. Continue lendo “Marina inventa brincadeiras”

Lula, político (1975-2020)

“Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus, porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, e comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises.” Continue lendo “Lula, político (1975-2020)”

Mais mito. E mais perto do impeachment

No dia 22 de abril, contavam-se 2.906 brasileiros mortos pela Covid-19; havia 45.755 infectados, e a curva era terrivelmente, horrorosamente ascendente. Durante a longa reunião ministerial, no entanto – como mostrou o vídeo, liberado exatamente um mês depois, nesta sexta-feira, 22 de maio –, o presidente Jair Bolsonaro não falou uma frase sequer que demonstrasse preocupação com o avanço da pandemia, o número de doentes, de mortos. Continue lendo “Mais mito. E mais perto do impeachment”