A direita jacobina

Historicamente o conceito de revolução, entendido como a ruptura da ordem vigente e a construção de algo novo, está associado à esquerda. Já a direita sempre foi vista como conservadora no sentido da manutenção do status quo. O documentário Four Hours at the Capitol de Jamie Roberts sobre a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, por uma horda de trumpistas enfurecidos, evidencia a existência atual de uma “direita revolucionária” que pretende derrubar o sistema e suas instituições democráticas. Continue lendo “A direita jacobina”

O deserto nos contempla

Cometeram um assassinato em série hoje de manhã na minha rua. Uma quadrilha muito bem organizada e coordenada chegou logo cedo e fechou o trânsito com dois caminhões enormes e um bando de gente vestida de macacão e usando máscaras ou capuzes que cobriam todo o rosto, ficando só os olhos de fora. Ajustei meus óculos recém consertados e vi que alguns portavam máquinas mortíferas, dessas que se vêem em filmes de ficção, que disparam mil balas por segundo.   Continue lendo “O deserto nos contempla”

Ano novo, desafios antigos

O Brasil ingressa no ano do seu bicentenário carregando o fardo de mais uma década perdida e atormentado por dois binômios perversos: estagnação-inflação e fome-desemprego. Nossa economia anda de lado, crescendo em média 0,3% ao ano entre 2011 e 2021. O ufanismo do ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto a um PIB turbinado em 2022 não é compartilhado pelo mercado ou especialistas, cujas projeções apontam para mais um ano de economia estagnada, beirando a recessão. Continue lendo “Ano novo, desafios antigos”

O Brasil tem fome

Fome. O tema é indigesto para iniciar o ano, mas obrigatório em um país onde mais da metade da população – 116,8 milhões – não come todos os dias e 9% – 19 milhões – têm carência alimentar grave. Avesso a pobres, o governo Jair Bolsonaro era sabidamente incapaz de fazer frente a essa penúria, que, pelo menos até aqui, também não frequenta a agenda dos demais presidenciáveis. No máximo, usam o estômago oco de milhões para rechear de indignação seus discursos, sem expor estratégias para livrar da indigência esse enorme contingente de brasileiros. Continue lendo “O Brasil tem fome”

O sabotador

Talvez haja precedentes na História política da humanidade de um presidente que sabota seu próprio governo. Mas um que sabote a si mesmo eu aposto minha bola de cristal que não tem. Certo ou errado? Errado! Teve um sim, por aqui mesmo, no Brasil. O ano era 1961 e o nome dele era Jânio da Silva Quadros. Continue lendo “O sabotador”

O fim da União Soviética, pátria-mãe do socialismo

Há exatos 30 anos a bandeira vermelha, com a foice e o martelo cruzados e uma estrela amarela na sua parte superior, tremulou no Kremlin pela última vez. No dia seguinte foi substituída pelas listas azul, branca e vermelha, a mesma da velha Rússia czarista. Continue lendo “O fim da União Soviética, pátria-mãe do socialismo”

Plenário de escorpiões

Falta pouco para 2022, ano em que o país se reencontrará com as urnas, pondo fim a uma campanha eleitoral iniciada há mais de mil dias. Mas, para além de Jair Bolsonaro e Lula, ambos em palanques permanentes, e das expectativas sobre os demais pretendentes à Presidência da República, poucas luzes são lançadas às disputas estaduais e, menos ainda, ao Congresso, hoje dono da maior bolada orçamentária e da pior avaliação de que se tem notícia na História. Continue lendo “Plenário de escorpiões”

Poço sem fundo

Em mais uma afronta à Constituição, o Congresso Nacional aprovou o orçamento do ano que vem com uma maçã podre colocada na última hora pelo governo federal que certamente vai contaminar o cesto inteiro. O aumento salarial discriminatório para a Polícia Federal já está produzindo um estrago de bom tamanho na Secretaria da Receita Federal, que terá seus recursos cortados para bancar o aumento dos policiais. Vem mais por aí, a lambança mal começou. Continue lendo “Poço sem fundo”

O segundo não a Pinochet

Chama a atenção uma coincidência entre o resultado da eleição chilena, na qual saiu vitorioso Gabriel Boric, candidato da Frente Ampla em aliança com o Partido Comunista, e o plebiscito de 1988 que pôs um fim na ditadura de Augusto Pinochet. Naquele ano o não ao ditador venceu por 55,9 a 44,1%. No domingo Boric se elegeu com os mesmos números, até após as vírgulas. Continue lendo “O segundo não a Pinochet”

Como o diabo gosta

No período que antecede a mais importante comemoração do calendário cristão quem faz a festa é o diabo. Afiados, emissários do coisa-ruim aceleraram o disparo do arsenal de maldades, não raro em nome de Deus – e dos pobres. Continue lendo “Como o diabo gosta”