Nos meus tempos de colégio, lá se vão 60 anos ou mais, tinha um pessoal que contestava a Ciência. Sem nenhum fundamento, na grande maioria das vezes. Muitos faziam isso de brincadeira, outros pareciam estar convictos. Vou dar exemplos. Continue lendo “Falácias”
O bom filho
Seja devido aos últimos anos de desgoverno ou pela bem-vinda ausência de Jair Bolsonaro no pós-eleição, Luiz Inácio Lula da Silva já é presidente. Nem diplomado, nem empossado, mas presidente de fato, reconhecido no mundo e cobrado no Brasil como tal. Incensado por seus acertos, a exemplo do discurso de estadista na COP27, e execrado pelos erros, como os de contrapor controle fiscal ao combate à pobreza – discurso amenizado por ele em Portugal – ou de pegar carona de jatinho com um amigo do setor privado. Como ele próprio concluiu em terceira pessoa no discurso da vitória, Lula não pode errar. Continue lendo “O bom filho”
Os golpistas estão trabalhando a toda
“Já se passaram três semanas das eleições, e o movimento golpista segue vivo. Apesar de politicamente isolado e sem expectativa razoável de êxito, continua mobilizado num patamar elevado, ainda que decrescente.” Esse é o início do artigo de Pablo Ortellado no Globo deste sábado, 19 de novembro, em que, por volta do meio-dia, havia 27 interdições de rodovias em quatro Estados, e, diante de quartéis em Brasília, no Rio, em São Paulo e outras capitais, manifestantes bolsonaristas continuavam questionando a vitória de Lula e pedindo nova eleição e intervenção militar. Continue lendo “Os golpistas estão trabalhando a toda”
Mané!
Segundo o dicionário, é chamado de mané um sujeito tolo, menos inteligente ou com pouca capacidade intelectual.
Sinônimos de mané: bobo, paspalho, palerma, inepto, desleixado, indolente, tolo. Continue lendo “Mané!”
Educação não pode ser palco de disputa ideológica
Mal iniciou seus trabalhos, o grupo técnico da área educacional da equipe de transição já é alvo do fogo amigo e da briga entre correntes políticas por maior espaço no futuro governo. A gritaria vem principalmente de corporações sindicais e de movimentos sociais que se sentiram, no primeiro momento, excluídos. Continue lendo “Educação não pode ser palco de disputa ideológica”
Vira o disco
Duas semanas depois da eleição, passa da hora de virar o disco. Tanto dos derrotados quanto dos vitoriosos. Ainda que poucos reclamem da ausência de Jair Bolsonaro, ao presidente da República não cabe sumiço total, por maior que seja sua ojeriza à labuta. E o lamento de seus fiéis, entre o surreal e o hilário, já deu. No caso de Luiz Inácio Lula da Silva, seria conveniente que o eleito e o seu eclético time tomassem tento: governo não é campanha, e transição é só o que a palavra exprime – transição. Continue lendo “Vira o disco”
Há um país a pacificar
No décimo-primeiro dia após vencer a eleição presidencial e, assim, afastar do país a perspectiva tenebrosa, apavorante, de um segundo mandato do pior chefe de Estado da História, Lula pisou no tomate. Continue lendo “Há um país a pacificar”
Maldades
Meu amigo marciano não vai levar só as urnas eletrônicas para Marte.
– ” Vou levar também aquele careca que se veste de verde e amarelo”, disse. “E também aquele patriota agarrado na frente do caminhão”, acrescentou. Continue lendo “Maldades”
O centro terá de se reinventar
Com o país praticamente dividido ao meio, conforme ficou evidenciado na vitória apertada de Lula, surgem fortes indagações se ainda há espaço para uma força pautada na moderação, situada entre a extrema-direita e a esquerda. Se for levado em consideração o desempenho das forças de centro no primeiro turno, o receio é enorme, em função de sua desidratação no Parlamento e do desempenho pífio, em termos de voto, de seus presidenciáveis. Continue lendo “O centro terá de se reinventar”
Sem panos quentes
Acusados de ativismo político e excessos, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral foram implacáveis para impedir arreganhos golpistas, garantir a democracia e seu ápice: a voz do voto. Uma batalha dura, não raro com inimigos anônimos escondidos nas baixarias da deep web, e que ainda não se encerrou. Aqueles que insistem na imposição da minoria depois de perder as eleições, orientando o caos e atormentando a vida do país, terão de prestar contas à Justiça, sob pena de se normalizar a rejeição ao resultado das urnas – um precedente gravíssimo. Continue lendo “Sem panos quentes”
Você Tá Feliz?
Assim que acabou a apuração dos votos no último domingo, um amigo me ligou e perguntou: Você tá feliz?
Minha resposta, ou minhas respostas foram:
Feliz porque o Lula ganhou? Não. Feliz porque o Bolsonaro perdeu? Sim. Continue lendo “Você Tá Feliz?”
Humilhantes!
Tenho um amigo marciano que de vez em quando aporta por aqui, para nos observar. Fazia tempo que não aparecia. Comemorei sua volta.
– Humilhante! – diz ele, sorrindo de orelha a orelha. – Num único mês, duas eleições nacionais e duas derrotas! – explica. Continue lendo “Humilhantes!”
Os dois discursos de Lula
Em espaço de pouco mais de uma hora Lula fez dois discursos distintos. Tanto em relação ao público alvo como na mensagem. O primeiro, lido em um hotel próximo à Avenida Paulista e com a presença da imprensa mundial, foi pronunciado para a nação e a comunidade internacional. Difícil encontrar alguma palavra fora do lugar nessa peça, provavelmente escrita a várias mãos. Continue lendo “Os dois discursos de Lula”
Foi o Sudeste que fez Lula vencer
Dizem que os números não mentem, não falham. Os números são a absoluta lógica, são o que de mais lógico a humanidade inventou – ou foi capaz de compreender. O problema é que há também os que dizem que os números podem expressar qualquer coisa, dependendo da vontade do freguês. Mark Twain dizia que “há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas”. Continue lendo “Foi o Sudeste que fez Lula vencer”
Há que ter imenso talento para pacificar o país
Ao longo de todas as semanas que antecederam este 30 de outubro, na campanha presidencial mais polarizada desde a redemocratização, mais suja, mais baixa, mais guiada pelas mentiras e pela rejeição aos candidatos do que por propostas para o país, sempre houve, me parece, neste mundo e neste Brasil de tantas dúvidas, duas certezas. A de que não era uma disputa entre esquerda e direita, e sim entre democracia e ditadura, entre civilidade e barbárie. E a de que, encerrada a eleição, seria preciso tentar pacificar o país. Continue lendo “Há que ter imenso talento para pacificar o país”




