Do Tocantins aos sons dos tempos do onça

Para ouvir a valsa “Carrossel”, com André Kostelanetz e sua orquestra de concerto, girei várias vezes a manivela, movi o braço com a peça onde se encaixa a agulha e baixei-os sobre o disco que girava. Gesto comum nas primeiras décadas de 1900. Se não citei uma corneta, é porque meu gramofone não tem o dispositivo. É um modelo portátil. Continue lendo “Do Tocantins aos sons dos tempos do onça”

Os médicos do jornal

Na época em que redigir notícia produzia barulho – o dos teclados das Olivettis, as máquinas de escrever – o consultório médico do Estadão/JT ficava no térreo da nova sede, na Marginal do Tietê. O médico que nos atendia era um senhor de maneiras conservadoras, com a fala de um avô dando conselhos. Continue lendo “Os médicos do jornal”

Pra que vacina, se o importante é ter arma?

Estimulado pelo presidente da República, comprou uma arma para proteger-se. Saiu à rua para o que desse e viesse. Morreu sem disparar um tiro. Foi pego pelo vírus. Se Bolsonaro tivesse dito “eu quero todo mundo vacinado”, não estaríamos com os mais de 239 mil mortos da pandemia de hoje. Mas o que disse, recentemente, foi: “Eu quero todo mundo armado”. Continue lendo “Pra que vacina, se o importante é ter arma?”

Haja!

Quase nove horas da noite de uma quinta-feira, e o texto que vai ser publicado no dia seguinte e que já deveria estar revisado pela minha equipe de copy-desks (😂 acreditaram?) ainda não tinha ainda sido sequer esboçado na minha mente. Continue lendo “Haja!”

O grilo falante

Ora, o que é isso? Olhei bem e notei que era um grilo. O invasor estava agarrado no lado de dentro da cortina do meu quarto. Explico que estou morando em aprazível condomínio de casas, onde há muito verde, em cidade do Alto Tietê. Uma placa de trânsito, perto de onde moro, mostra o desenho de um jabuti e alerta: “Atenção com nossos animais silvestres”. Continue lendo “O grilo falante”

Quincas Borba à luz de velas

Confesso estar tão atrasado diante da evolução da informática que para mim ferramenta é martelo e serrote. Foi essa realidade que, dias atrás, transformou um apagão ao anoitecer em quase pesadelo. Havia chovido a tarde inteira, água pesada, com raios assustadores e trovões de fim do mundo. Muito natural no lugar para onde me mudei, singela cidade do Alto Tietê. Continue lendo “Quincas Borba à luz de velas”

Zen o Caraleo

Decidi ficar zen na quarta-feira porque era 20 de janeiro, dia de São Sebastião, o santo padroeiro da belíssima cidade do Rio de Janeiro. que foi fundada por Estácio de Sá em 1565 e batizada de São Sebastião do Rio de Janeiro. O nome do santo foi em homenagem ao patrono do jovem rei de Portugal, Dom Sebastião. Continue lendo “Zen o Caraleo”

Dia D!

Meu dia D é sempre a quinta-feira, quando tenho de estar com um texto pronto a ser revisado, para que chegue limpinho ao site onde será publicado no dia seguinte.

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A cerimônia da vacina

Enfim chega o dia D. O primeiro cidadão brasileiro a receber a vacina, um tiozinho simpático, dessas pessoas que por nada aparentam intensa felicidade, está a postos. A cena se dá em um palanque erguido em frente ao Palácio do Planalto. Ao lado do homem, vê-se a enfermeira, conferindo o medicamento e a seringa, que repousam em uma pequena mesa. Ali está, também, um pequeno estojo, fechado. Continue lendo “A cerimônia da vacina”