Pra que vacina, se o importante é ter arma?

Estimulado pelo presidente da República, comprou uma arma para proteger-se. Saiu à rua para o que desse e viesse. Morreu sem disparar um tiro. Foi pego pelo vírus. Se Bolsonaro tivesse dito “eu quero todo mundo vacinado”, não estaríamos com os mais de 239 mil mortos da pandemia de hoje. Mas o que disse, recentemente, foi: “Eu quero todo mundo armado”.

Apresentou também os motivos. “Povo armado jamais será escravizado.” A que vem essa frase? Existem grupos organizados conspirando contra as liberdades republicanas do País? Imaginei uma reunião clandestina no sótão de uma velha casa, o líder aguerrido descrevendo como se faz um levante armado, sangue, destemor, tudo pela causa, e ele, Luciano Huck, concluindo que tomariam o poder a qualquer custo!

A verdade é que o inimigo imaginado por Bolsonaro realmente existe. É qualquer candidato que dispute com ele um segundo turno nas eleições à Presidência, no ano que vem. Só a chegada do oponente ao segundo turno já vai disparar a reação de que houve fraude, como ele vem repetindo sobre a eleição passada. Imagine se Bolsonaro perder a eleição.

Nos Estados Unidos, como se viu, o ídolo dele, Trump, não aceitou a derrota, falou em fraude, exortou seu eleitorado a rebelar-se, incitou-o a atos que resultaram na invasão do Capitólio, com mortos.

O que faria um Bolsonaro derrotado? Decretos sobre posse de armas, de 2019, ampliados agora pelo presidente, favorecem o acesso a armas e tornam menos rígidas normas para compra e estoque de armamento e munição. Entre outras coisas permitem a atiradores registrados a posse de até 60 armas, e a caçadores 30.

Ora, diante desses fatos, e com o aumento de 120% no registro de armas, ano passado, poderia Bolsonaro, em caso de derrota, sonhar com um levante armado contra as instituições? Impossível, ele sabe. Mas, se Trump fez o que fez com gente desarmada, aqui poderia haver algum agito estranho…

15/2/2021

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