Quincas Borba à luz de velas

Confesso estar tão atrasado diante da evolução da informática que para mim ferramenta é martelo e serrote. Foi essa realidade que, dias atrás, transformou um apagão ao anoitecer em quase pesadelo. Havia chovido a tarde inteira, água pesada, com raios assustadores e trovões de fim do mundo. Muito natural no lugar para onde me mudei, singela cidade do Alto Tietê.

Sobrei na escuridão de uma sala grande, de teto alto, sem sequer a irradiação da grande tela de tevê permanentemente ligada. Restaram as velas que, felizmente, algum dos meus lembraram de trazer na mudança. Acesas, amenizaram a situação.

Com isso recobrei o ânimo, e fui tranquilamente para o celular em busca do noticiário. O que aquele sujeito estará aprontando hoje? Se fosse melhor informado, não teria me surpreendido com o aviso na telinha: sem sinal. Minha reação foi de revolta. Como? Não tem tevê, não tem celular, estou isolado do mundo.

O toque de modernidade que posso ostentar é que leio livros no meu e-book. Assim, apanhei o aparelho, liguei, escolhi uma entre as capas de livro à mostra, dei um toque e veio a resposta: sem sinal. O livro não pôde ser carregado! A derradeira opção que se apresentou, para matar o tempo naquela escuridão, seria ler um livro de papel à luz de vela.

No entanto, pessoa da minha família devoradora de obras no e-book me deu um toque. Os comprados e não lidos não abrem. Mas aqueles com leitura já começada, sim. Dessa forma reencontrei-me com o Quincas Borba do Machado de Assis à luz de velas! Voltei a acompanhar o Rubião, que herda uma fortuna do filósofo Quincas Borba, com a condição de cuidar do cão do falecido, que leva o mesmo nome do dono.

Avancei no ponto em que um capitalista esperto torna-se amigo do herdeiro para se aproveitar dele. O capitalista tem uma mulher muito bonita e…

27/1/2021

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