Os ideológicos venceram

Uma leitura apressada pode nos induzir ao erro de considerar a nomeação do novo ministro da Educação, o economista Abraham Weintraub, como uma troca de seis por meia dúzia. Se o seu antecessor Ricardo Vélez oscilava entre pragmáticos e ideológicos conforme os ventos sopravam, o novo titular da pasta é um puro-sangue. Ascendeu ao cargo porque o presidente arbitrou a briga visceral no MEC em favor dos ideológicos.  Continue lendo “Os ideológicos venceram”

Bolsonarinho paz e amor

Piadas, tapinhas nas costas, abraços efusivos e fotos. O mesmo Jair Bolsonaro que até poucos dias atrás enxovalhava políticos e jornalistas agora é todo sorrisos. Na quinta-feira, passou o dia recebendo presidentes de partidos, fez carinho, falou coisas em que ele não crê, pediu desculpas em particular pelas caneladas públicas que distribuiu.  Continue lendo “Bolsonarinho paz e amor”

O ministro da Deseducação

Não consigo encontrar uma passagem do governo dos Bolsonaros que me entusiasme, que me deixe esperançosa de um futuro melhor para o Brasil. Nada. E fico muito triste com isso, pois gostaria muito de morrer levando comigo a esperança de deixar para filhos e netos um país forte, rico e, sobretudo, instruído. Continue lendo “O ministro da Deseducação”

O papel das Forças Armadas

Numa espécie de desabafo, o general de divisão Richard Nunes, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, manifestou seu desconforto com o fato de os militares estarem sendo arrastados para a polarização política, como aconteceu em relação ao 31 de março. O incômodo do general faz todo sentido. Continue lendo “O papel das Forças Armadas”

Orgulhosamente só

O japonês Hirō Onoda tinha a mesma impotência da ideia fixa de um António de Oliveira Salazar, de um Álvaro Barreirinhas Cunhal. A impotência da férrea ideia única converte um homem num Hércules, num imbatível Aquiles. Continue lendo “Orgulhosamente só”

O novo é pra lá de velho

Nós, os virtuosos, contra eles, a incorporação de todos os males. O mantra do bolsonarismo nada mais é do que a reedição com sinal trocado do antagonismo alimentado por mais de uma década pelo PT. Uma estratégia-escorpião, exitosa por algum tempo, mas que pode acabar, como a história recente mostrou, por envenenar seus praticantes.  Continue lendo “O novo é pra lá de velho”

Quem pergunta quer saber

O Brasil em lascas, quase parando, com seu povo desanimado e embrutecido pelas notícias que assombram até os corações mais fortes, e vem o capitão que, por obra e graça das bruxas, se elegeu presidente deste pobre país e pergunta, ao sentir que o desagrado que provoca é muitas vezes maior que a admiração que por breves momentos suscitou: “O que é que eu fiz de errado?” Continue lendo “Quem pergunta quer saber”

O presidente do dissenso

Chama a atenção a infinita capacidade de Jair Bolsonaro em criar conflitos desnecessários. O mais estridente deles, com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, sem o qual é quimera pensar na aprovação da Reforma da Previdência. Não é apenas com Maia que o presidente da República está em pé de guerra, é com todo o mundo real da política, que ele, de forma messiânica, acredita poder varrer do mapa. Continue lendo “O presidente do dissenso”

O CEO e o taco de baseball

Não me digam, com boca de raiva, que era um gangster, que me obrigam a gritar a clamorosa verdade: era um benemérito. Espanta-me até que André Veríssimo, director do nosso Jornal de Negócios, não tenha já dedicado uma separata ao maior CEO do século XX, Alphonse Gabriel Capone. Continue lendo “O CEO e o taco de baseball”

Só nos resta pedir perdão ao Barão

José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco, foi um dos mais notáveis homens públicos brasileiros. A ele devemos nosso mapa, nossas fronteiras. A ele devemos o instituto da diplomacia de grande mérito, com o Ministério das Relações Exteriores que comandou durante 10 anos sendo objeto da admiração de vários países do mundo. Continue lendo “Só nos resta pedir perdão ao Barão”

Rasputins

Grígori Iefimovritch Rasputin, um camponês rústico da província siberiana de Tobolsk, mandava muito na Rússia dos czares Nicolau e Alessandra Romanov. Não tinha cargo algum no governo, mas fazia e desfazia ministros. Seu fanatismo religioso e seu discurso fundamentalista em defesa da monarquia eram música para os ouvidos da família imperial. Sabia como ninguém usar intriga, bajulação, ignorância, mentira e fraqueza humana para a expansão de sua influência na Casa dos Romanov. Continue lendo “Rasputins”

Eu era para ser Papa

Não sei se comece pela orgia, se pela minha professora primária. Sabia lá eu o que era uma orgia e já o áugure romano que era a Dona Emília, minha iluminada professora na Missão de São Paulo, em Luanda, antevia que eu seria Papa. Nem padre, nem bispo, sequer cardeal, eu entraria, como Chalana aos 17 anos, no onze inicial, directamente para Papa. Continue lendo “Eu era para ser Papa”