Com o abandono do emprego no Palácio do Planalto, a recaída da depressão pós-parto das urnas eletrônicas e a total falta de coragem de dizer à sua manada que deixe os quartéis em paz, porque não vai ter golpe, o presidente ora em processo de despejo demonstra de forma dramática o que espera para o pós-Réveillon. Continue lendo “Estertores”
Camilo ministro
Governadora do Ceará em fim de mandato, Izolda Cela tinha todas as credenciais para ser ministra de Educação. Seu nome está ligado às reformas educacionais do Ceará, responsáveis por levar o ensino fundamental do Estado a dar um salto no ranking nacional. Hoje 87 das 100 escolas do ensino fundamental com melhor desempenho são cearenses. Continue lendo “Camilo ministro”
Fétidos poderes
As relações entre os poderes Executivo e Legislativo costumam ser pouco ou quase nada republicanas. Não raro, mal cheirosas. Por aqui, o toma lá dá cá começou ainda no Império e funciona a todo vapor desde a Velha República. O tempo passou, o mundo mudou, e as moedas continuam as mesmas: farta distribuição de cargos e de dinheiro público. É esse binômio podre e o poder que ele confere aos seus operadores que estão por trás de toda a celeuma envolvendo o acintoso orçamento secreto, a PEC da Transição, as mudanças na Lei das Estatais e a formação do novo governo. Continue lendo “Fétidos poderes”
Estado terminal
É chocante o relato feito pelo vice-presidente eleito Geraldo Alkmin sobre o estado de coisas encontrado por ele e a equipe do governo de transição, após um mês de busca de informações e documentos da gestão que dá seus últimos suspiros no Planalto Central. Alkmin foi governador de São Paulo por três mandatos não consecutivos, fora o período em que passou de vice a titular com a doença e morte de Mario Covas no início de 2001. Fala com conhecimento de causa, a experiência e seriedade que o tornaram um fenômeno político e administrativo sem paralelo desde a chegada dos portugueses a estas terras. Continue lendo “Estado terminal”
Uma voz sem moderação
O Brasil saiu das urnas dividido ao meio. A solenidade de diplomação de Lula e de Geraldo Alckmin era uma oportunidade para o novo presidente acenar para a pacificação nacional. O discurso escrito que tinha em suas mãos parecia ir nessa direção. Mas Lula resolveu ignorar a peça escrita por várias mãos e partiu do improviso. Sua oratória inflamada pode ter agradado ao seu eleitorado cativo, mas só serviu para perpetuar a polarização que vem fazendo da política brasileira um verdadeiro campo de guerra. Continue lendo “Uma voz sem moderação”
O odioso preço da governabilidade
Na próxima quarta-feira o STF volta a se debruçar sobre as emendas do relator, vulgo orçamento secreto. Abjeto, imoral e inconstitucional, o arranjo que permite distribuir bilhões dos impostos dos cidadãos sob o cobertor do anonimato é tratado com impressionante normalidade no meio político. Por criadores e beneficiários – o presidente Jair Bolsonaro e os parlamentares do Centrão sob o comando do presidente da Câmara Arthur Lira -, e pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. No caso de Lula, a promessa feita na campanha de detonar o mecanismo morreu na praia da governabilidade, em nome da qual o país, há décadas, institucionaliza absurdos. Continue lendo “O odioso preço da governabilidade”
O legado dos tucanos para a educação paulista
Depois de 28 anos, a educação em São Paulo deixará de ser comandada por governantes do PSDB, em consequência do exercício da saudável alternância do poder. Natural e legítimo, o governo a se iniciar em primeiro de janeiro vai imprimir a sua concepção e ditar novos rumos. Isto é próprio da democracia. Mas receberá um sistema educacional estruturado, com avanços significativos nestas quase três décadas. Não é exagero definir o período como o de maiores transformações na educação paulista. Continue lendo “O legado dos tucanos para a educação paulista”
Contagem regressiva
A piada fez sucesso nas redes sociais na sexta-feira, 1º de dezembro – “Hoje começa o aviso prévio mais esperado dos últimos 4 anos” -, exibindo a ansiedade de muitos para o adeus definitivo ao presidente Jair Bolsonaro. Só faltou o complemento: não tem direito a aviso prévio quem abandona o local de trabalho. Brincadeiras à parte, o presidente se ausenta do ofício para o qual foi eleito em 2018. Não faz falta alguma ao país, a não ser aos militantes da direita emergente, parte extrema dela tremulando como biruta ao vento. Continue lendo “Contagem regressiva”
O ICMS da educação
Em seu livro Pontos fora da Curva, Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação, destaca o ICMS educacional como importante mecanismo para alavancar a qualidade do ensino. De acordo com o autor, é possível dar apoio financeiro as escolas condicionado à melhoria de seus resultados. Olavo baseou-se na experiência exitosa do Ceará, adotada em 2007 como parte do seu programa Alfabetização na Idade Certa. Foi o primeiro estado a alocar para a educação parte da cota do ICMS destinada aos municípios. Continue lendo “O ICMS da educação”
O bom filho
Seja devido aos últimos anos de desgoverno ou pela bem-vinda ausência de Jair Bolsonaro no pós-eleição, Luiz Inácio Lula da Silva já é presidente. Nem diplomado, nem empossado, mas presidente de fato, reconhecido no mundo e cobrado no Brasil como tal. Incensado por seus acertos, a exemplo do discurso de estadista na COP27, e execrado pelos erros, como os de contrapor controle fiscal ao combate à pobreza – discurso amenizado por ele em Portugal – ou de pegar carona de jatinho com um amigo do setor privado. Como ele próprio concluiu em terceira pessoa no discurso da vitória, Lula não pode errar. Continue lendo “O bom filho”
Educação não pode ser palco de disputa ideológica
Mal iniciou seus trabalhos, o grupo técnico da área educacional da equipe de transição já é alvo do fogo amigo e da briga entre correntes políticas por maior espaço no futuro governo. A gritaria vem principalmente de corporações sindicais e de movimentos sociais que se sentiram, no primeiro momento, excluídos. Continue lendo “Educação não pode ser palco de disputa ideológica”
Vira o disco
Duas semanas depois da eleição, passa da hora de virar o disco. Tanto dos derrotados quanto dos vitoriosos. Ainda que poucos reclamem da ausência de Jair Bolsonaro, ao presidente da República não cabe sumiço total, por maior que seja sua ojeriza à labuta. E o lamento de seus fiéis, entre o surreal e o hilário, já deu. No caso de Luiz Inácio Lula da Silva, seria conveniente que o eleito e o seu eclético time tomassem tento: governo não é campanha, e transição é só o que a palavra exprime – transição. Continue lendo “Vira o disco”
O centro terá de se reinventar
Com o país praticamente dividido ao meio, conforme ficou evidenciado na vitória apertada de Lula, surgem fortes indagações se ainda há espaço para uma força pautada na moderação, situada entre a extrema-direita e a esquerda. Se for levado em consideração o desempenho das forças de centro no primeiro turno, o receio é enorme, em função de sua desidratação no Parlamento e do desempenho pífio, em termos de voto, de seus presidenciáveis. Continue lendo “O centro terá de se reinventar”
Sem panos quentes
Acusados de ativismo político e excessos, o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral foram implacáveis para impedir arreganhos golpistas, garantir a democracia e seu ápice: a voz do voto. Uma batalha dura, não raro com inimigos anônimos escondidos nas baixarias da deep web, e que ainda não se encerrou. Aqueles que insistem na imposição da minoria depois de perder as eleições, orientando o caos e atormentando a vida do país, terão de prestar contas à Justiça, sob pena de se normalizar a rejeição ao resultado das urnas – um precedente gravíssimo. Continue lendo “Sem panos quentes”
Os dois discursos de Lula
Em espaço de pouco mais de uma hora Lula fez dois discursos distintos. Tanto em relação ao público alvo como na mensagem. O primeiro, lido em um hotel próximo à Avenida Paulista e com a presença da imprensa mundial, foi pronunciado para a nação e a comunidade internacional. Difícil encontrar alguma palavra fora do lugar nessa peça, provavelmente escrita a várias mãos. Continue lendo “Os dois discursos de Lula”
