Ervas daninhas

É fundamental investigar a autoria intelectual, a organização, o financiamento, os apoios e omissões da frustrada tentativa de golpe de Estado dos bolsonaristas radicais no último domingo. Mas não basta. Para além dos inquéritos, julgamentos e punições, será preciso extirpar ervas daninhas sem prejudicar as plantas sadias; tocar para frente e, ao mesmo tempo, impedir novas urdiduras. Sem anistia. Continue lendo “Ervas daninhas”

Resistência

Com apoio descarado de parte significativa das forças de segurança do Estado, os terroristas da ultradireita bolsonarista submeteram a jovem democracia brasileira que se instalou com a Constituição Cidadã de 1988 a sua mais dura prova. Mesmo assim, atacada por uma turba enfurecida e delirante, nossa democracia resistiu. O golpe de estado tramado há anos, desde antes de 2018, fracassou. Continue lendo “Resistência”

Perdeu, mané

O grande dia dos bolsonaristas fiéis se revelou um verdadeiro fiasco. Como loucos alucinados – embora regiamente financiados e bem mandados -, os convocados vandalizaram os prédios-sede do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e da Presidência da República, conseguindo exatamente o oposto do pretendido: as instituições republicanas e a democracia se fortaleceram. Continue lendo “Perdeu, mané”

O desafio da pacificação

Há sempre boa vontade com presidentes, quando tomam posse. Não poderia ser diferente com os discursos de Lula no Congresso e no parlatório do Palácio do Planalto. Ainda mais quando o novo presidente assume o posto após quatro anos de conflitos frequentes de Jair Bolsonaro com instituições. Saudável que suas palavras e os gestos tenham despertado sentimentos de esperança quanto à nova fase a ser vivida pelo país. Continue lendo “O desafio da pacificação”

Começou

Ano novo, vida nova! Mais um início, chances de dias melhores. Para além da embriaguez de otimismo e esperança – vícios danados e deliciosos que não nos largam -, me pego a comemorar não o futuro, mas o passado recente: o fim do governo Bolsonaro. Uma sensação de alívio, mesmo momentânea, visto que não será nada fácil dar tratos à bola quando tantos ainda insistem na planura da Terra.

É nessa arena que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de mostrar o seu melhor jogo, colocando a frente ampla em campo, mesmo a contragosto de muitos dos seus.

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Riocentro às avessas

Quiseram repetir o Riocentro e se deram mal. Em 30 de abril de 1981 a bomba explodiu no colo de um dos dois militares à paisana que estavam dentro de um Puma estacionado em frente ao centro de convenções no Rio de Janeiro. O que estava manuseando a bomba morreu despedaçado na hora e o outro, que estava na direção, foi levado em estado gravíssimo para o hospital. Continue lendo “Riocentro às avessas”

Vocacionados para a política

Em janeiro de 1919 Max Weber, um dos três autores fundamentais da sociologia, ao lado de Émile Durkheim e Karl Marx, proferiu para estudantes da Universidade de Munique a conferência intitulada “A política como vocação”. Um ano depois seu texto foi publicado, tornando-se um marco do pensamento sociológico moderno. Weber classificou os políticos em dois tipos: os que viviam da política e os que viviam para a política. Continue lendo “Vocacionados para a política”

Com o pé esquerdo

Boa parte das pessoas se sente envergonhada ou no mínimo constrangida quando não faz o que diz, descumprindo promessas ou compromissos firmados. Na política, a regra é o inverso. Contam-se nos dedos aqueles que honram a palavra empenhada – mão que não inclui nem o presidente da República que sai nem o que entra na próxima semana. Jair Bolsonaro encerra seu período no sentido avesso ao prometido, estimulando ações golpistas e sem impor a propagandeada agenda liberal, e Luiz Inácio Lula da Silva provoca desconfianças antes mesmo de assumir. Continue lendo “Com o pé esquerdo”

Estertores

Com o abandono do emprego no Palácio do Planalto, a recaída da depressão pós-parto das urnas eletrônicas e a total falta de coragem de dizer à sua manada que deixe os quartéis em paz, porque não vai ter golpe, o presidente ora em processo de despejo demonstra de forma dramática o que espera para o pós-Réveillon. Continue lendo “Estertores”

Camilo ministro

Governadora do Ceará em fim de mandato, Izolda Cela tinha todas as credenciais para ser ministra de Educação. Seu nome está ligado às reformas educacionais do Ceará, responsáveis por levar o ensino fundamental do Estado a dar um salto no ranking nacional. Hoje 87 das 100 escolas do ensino fundamental com melhor desempenho são cearenses. Continue lendo “Camilo ministro”

Fétidos poderes

As relações entre os poderes Executivo e Legislativo costumam ser pouco ou quase nada republicanas. Não raro, mal cheirosas. Por aqui, o toma lá dá cá começou ainda no Império e funciona a todo vapor desde a Velha República. O tempo passou, o mundo mudou, e as moedas continuam as mesmas: farta distribuição de cargos e de dinheiro público. É esse binômio podre e o poder que ele confere aos seus operadores que estão por trás de toda a celeuma envolvendo o acintoso orçamento secreto, a PEC da Transição, as mudanças na Lei das Estatais e a formação do novo governo. Continue lendo “Fétidos poderes”

Estado terminal

É chocante o relato feito pelo vice-presidente eleito Geraldo Alkmin sobre o estado de coisas encontrado por ele e a equipe do governo de transição, após um mês de busca de informações e documentos da gestão que dá seus últimos suspiros no Planalto Central. Alkmin foi governador de São Paulo por três mandatos não consecutivos, fora o período em que passou de vice a titular com a doença e morte de Mario Covas no início de 2001. Fala com conhecimento de causa, a experiência e seriedade que o tornaram um fenômeno político e administrativo sem paralelo desde a chegada dos portugueses a estas terras. Continue lendo “Estado terminal”